Fomos para Croatã - Uma Justificativa
Em termos situacionistas, desaparecimento do artista É “a supressão e a realização da arteâ€. Mas de onde nós desaparecemos? E algum dia seremos vistos ou ouvirão falar de nós outra vez? Iremos para Croatã: qual é o nosso destino? Toda a nossa arte consiste em uma mensagem de adeus para a história - “Fomos para Croatã†- mas onde é isso, e o que faremos lá?
Em primeiro lugar: não estamos nos referindo a um desaparecimento literal do mundo e do futuro: nenhuma fuga para o passado, para uma “sociedade original de lazer†paleolÃtica; nenhuma utopia eterna, nenhum esconderijo na montanha, nenhuma ilha; e, também, nenhuma utopia pós-revolucionária - provavelmente nenhuma revolução! - e também nenhuma estação espacial. Nem aceitamos uma desaparição no silêncio de uma ironia hiper-conformista. Não pretendo provocar discussões com os Rimbauds que fogem da Arte para qualquer AbissÃnia que logram encontrar. Mas não podemos construir uma estética, nem mesmo uma estética do desaparecimento, com a simples ação de nunca mais voltar. Ao dizer que não fazemos parte da vanguarda e que não há vanguarda, nós escrevemos nosso “Fomos para Croatãâ€. E então a questão passa a ser: como conceber “a vida cotidiana†em Croatã? Especialmente se não podemos dizer que Croatã existe no Tempo ou no Espaço, seja na forma de uma utopia ou em algum vilarejo esquecido no meio-oeste ou na AbissÃnia. Onde e quando existe o mundo da criatividade não-mediada? Se ele pode existir, ele existe, mas talvez apenas como algum tipo de realidade paralela que até agora não pudemos perceber. Onde poderÃamos encontrar as sementes - ervas daninhas brotando entre as rachaduras das nossas calçadas - desse outro mundo para nosso mundo? As pistas, a direção correia? Um dedo apontando para a lua?
A mediação é difÃcil de ser superada, mas a remoção de todas as barreiras entre artistas e “usuários†da arte tenderá a uma condição na qual o artista não é um tipo especial de pessoa, mas toda pessoa é um tipo especial de artista.
Em suma: o desaparecimento não é necessariamente uma “catástrofeâ€, exceto no sentido matemático de “uma repentina mudança topológicaâ€.