Gostei mais do relato do Lucas!! Quero fazer radiolivre tb PORRA!!!
A oficina
Para o primeiro dia era necessário conhecer e aproximar os participantes.
A faixa etária variou entre 12 e 23 anos. Isso foi um fator de
dificuldade, pois as atividades eram voltadas para duas faixas muito
distintas e, como fomos pegos de surpresa, a primeira hora de aula foi
confusa. Mas a montagem dos equipamentos da rádio nos fez ganhar os
rádio-atores. Atingimos os objetivos do primeiro encontro: conhecer os
participantes oficineiros e os equipamentos.
A partir do segundo dia, fizemos exercÃcios de impro, os participantes
contavam casos e improvisamos vocalmente algumas histórias.
O terceiro dia foi marcado pela estréia da rádio no ar. Fizemos a
transmissão ao vivo da oficina. Trabalhamos com a ambientação através dos
sons.
O plano era exercitar os recursos da rádio-novela para aplicá-los nas
histórias que já tinham um enredo certo. Infelizmente não foi possÃvel,
tivemos que trocar a aula de sexta-feira sobre comunicação livre pela de
quinta que seria a montagem de um programa com jornal, música e
rádio-teatro.
O que nos fez trocar foi um acontecimento tenebroso. Fomos denunciados por
um dono da Rádio Comunitária. O homem chegou na maior falta de educação,
no meio de um ensaio do jornal ACasa fala. As crianças ficaram sem
entender, mas em nenhum momento pedimos que saÃssem. Era importante que
ouvissem os absurdos que aquele senhor da comunicação dizia.
Era dono da rádio comunitária, a mesma que procuramos no domingo, mas que
estava fechada. Perguntamos aos moradores como era o presidente e todos
falavam coisas estranhas. Não querÃamos ser preconceituosos e não demos
ouvidos, esperando que o contato fosse feito com cordialidade.
Ele avançou com um gravador, perguntando quem era o responsável. Todos
aqui são responsáveis, respondi. O que está acontecendo aqui? Estamos
realizando uma oficina de rádio livre. Vocês estão fazendo um trabalho
ilegal. Ele não ouviu mais nada. Ligou para o 190 e disse que ia mandar
que recolhessem os equipamentos.
Era uma aula prática de rádio livre, de como se defender, de novos meios
de rebelião para os novos meios de repressão. Continuamos discutindo até a
polÃcia chegar. A tensão aumentou, mas todos ficaram na frente da rádio
para defendê-la, não existia mais o EU. Existia um coletivo. Defendemo-nos
com a idéia de que a rádio era experimental de baixa freqüência e depois
nos apoiamos na Constituição. O Homem Comunitário alegou que estávamos
interferindo em sua rádio (mentira), não utilizamos nem de perto a mesma
freqüência.
Como muitas crianças estavam presentes, os soldados apenas nos deram uma
ocorrência. Ficou acordado que a rádio ficaria no ar apenas uma semana.
O Comunitário saiu esbravejando e nós comemoramos e xingamos de muitos
nomes aquele boçal. Ele já não estava lá.
Sentimos que era a hora mais certa para falar de legislação sobre
comunicação e fizemos um debate entre os rádio-atores. Foi o dia mais
intenso da oficina.
Na sexta-feira foi o encerramento. Começamos mais cedo e terminamos mais
tarde. Com tudo acertado, gravamos o jornal e a rádio-novela. Transmitimos
3 dias de oficina.
Os participantes ficaram eufóricos ao se ouvirem na gravação. A forma
horizontal de nos relacionar na oficina possibilitou que o resultado fosse
suficiente para todos. O ar estava aberto para o aprendizado e todos
trocaram conhecimentos e expuseram intuições. O ponto forte da oficina foi
excluir o professor e criar um ambiente para a experimentação, a
espontaneidade e a criatividade.
O Coletivo Radiola Livre foi para ACasa de Diamantina para aprender e
ensinar. Objetivo cumprido sem choradeira.
Abrazos do Irmão.