wanselva

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20
Dec
2007

de lençóis

by wanderlynne

carta social sobre o sub3 (email enviado ao metarec e ao submidialogia)

ufa! finalmente cheguei em casa… como o encontro submidiático foi
muito bom, resolvi fazer um caminho mais longo, para refletir, e só
nessa manhã cheguei por aqui. Instigada para escrever. Depois de
tantos dias entre ônibus e barcos, a reflexão na minha cabeça se
confunde com os fatos acontecidos. Então, me perdoem se a emoção
entrelaçar os fatos, mas é que estava precisando há muito tempo de um
encontro como que foi o submidialogia #3.

vou dizer para vocês que logo que peguei o primeiro barco aqui, ruma à
chapada diamantina, não sabia na minha cabeça o que esperar do sub>3.
Entre os seios, carregava uma expectativa mista de festejar, de fazer
turismo, de festejar com nov@s velh@s amig@s. Mesmo escrevendo pouco,
acompanhei a lista com fervor, rabo de olho em cada detalhe de cada
email. Primeiro, pessoas buscando alternativas comuns para chegar ao
local do encontro. Que lindo! Pela primeira vez, tod@s se mobilizavam
para criar alternativas em grupo ou individuais para conseguirem
chegar ao encontro. (a gente quer se encontrar?). Ai, um abraço todo
especial para nós do g2g, que conseguimos ganhar algum dinheiro via
edital de passagens do ministério da cultura (que possibilitou
inclusive minha ida), assim como ricardo brazileiro e marcelo
terça-nada (no canto do meu pensamento eu sabia que se mais pessoas
tivessem concorrido ao edital, mais pessoas ganhavam, mas enfim).
Senti tambem uma falta tremenda de mais participação na construção dos
debates via lista. Mas como estava sem tempo de opinar também, resolvi
ver no que iria dar.

depois do fabuloso encontro do g2g em salvador (sobre esse eu escrevo
depois), tod@s se preparavam para a partida à lençóis. Cedo de manhã,
Leitinho de Pêra (que nome lindo!), Alê, Balbino e Ruiz partiram de
kombi lotada para deixar tudo prontinho para quando a maioria de nós
chegássemos, às 5 da manha do outro dia (aliás, queria dar um parabéns
especial para essa turminha e mais algun que ficaram na pré-produção
do encontro: forçaram o máximo possível o cumprimento dos horários e
sempre tiveram a estrutura pronta em tempo. Só achei que outrxs
pessoas poderiam ter se tocado e também ajudado na produção das
coisas. eu mesma só reparei nisso no terceiro dia, mas logo que
percebi que também poderia ajudar, carreguei caixas, saí cedo pra
organizar as coisas e, pasmem, até dirigí a kombi uma vez, com aquela
lamúria de só possuir a terceira e a quarta marcha desde a Paraíba!).
A primeira manhã foi tranquila. Enquanto nem todos os mantimentos
chegavam, alguém fritou ovos na água e aos poucos tudo foi se
acertando para um café da manhã tranquilo e feliz.

Às 15h00, uma hora depois do horário marcado para a mesa de abertura,
compareci à Avante! para entender melhor o que tod@s queriam, conhecer
@s outr@s e acompanhar a breve conversa sobre a-própria-ação dos
conceitos (magistralmente guiada pela Tai). Mas a abertura foi
surpreendente! depois de um bom tempo de atraso e muita gente falando
ao microfone sem saber direito o que falavam (e transmitiam FM), uma
boa conversa se deu sobre o que tod@s estavam fazendo lá. Enquanto
alguns acreditavam que foram se encontrar com amig@s para se divertir,
outr@s tinham certeza de uma hipocrisia e apatia geral, o que resultou
em um debate caloroso sobre o papel de cada um. A certa altura, a
questão racial foi levantada sobre qual o ponto de vista daquela turma
branca de classe média sobre a interação com a população negra e por
quê aquele festival era formado por tantos branquinhos e branquinhas e
tão poucos negros. Tenho que confessar que adorei Robson (sabe como é,
tenho pais negros e indígenas, acabei tomando partido… hehehe): “Eu
não sou a favor de cotas. Porque cotas é para minorias. E eu não sou
minoria, eu sou maioria. Estou aqui para tomar o que é meu!”. Pôxa,
Robson, você é lindo! Um grande beijo para você! (Sem ciúmes Lú! que
você é muito mais linda que ele!) Senti depois o pessoal reclamando a
ausência de Ruiz e Balbino e Jean na abertura. Mas jean e ruiz foram
consertar um pedaço da embreagem da kombi e Balbino foi tirar Akim
daquela maresia, precisava mesmo. Ah, enquanto isso o Asa dormia na
poça d’água, no meio do maior temporal! Durante a noite, na casa,
várias conversas paralelas e conjuntas foram acertando ponteiros e
idéias. Quem discutiu antes, reviu seus conceitos, conversou mais um
pouco com seus opositores em argumentos e durante a noite um sono
profundo e relaxante preparou todo mundo para os dias que viriam.
(tenho que admitir que, apesar da falta de intimidade dos 4
quartos-alojamento com beliches de três andares, eu dormi muito bem
todos os dias. Foi uma ótima experiência de convívio. Eu me lembrava
de quando era criança e com meus tios dormia na maloca com tod@s
aquel@s parentes…)

Pela manhã do dia subsequente, tod@s nos encontramos no mercado
central, para a discussão sobre produção musical. Puxa, eu fiquei
muito feliz com que ví! como disse a Lelex, pela primeira vez vejo
músicos conversando sobre suas obras e formas de licenciamento. O
Fernando Catatau apresentou seus argumentos e opinios sobre liberar
músicas, sobre seu amor às suas composições (”por esse motivo não
poderia liberar as faixas de minha música separadamente: pois o
harmônico que se forma a partir de duas trilhas também faz parte da
minha composição”). Além disso Tião e outro componente da banda Entre
um Gole e Outro (meu deus, eles param o show no palco para tomar
uminha! e tem um garçom na banda!) mostram que não só de sonho com
gravadoras vivem os músicos. Vivem, sim, muito mais de sonhos.
Possíveis! E eles não vendem nem trocam: eles dão! Alguém que
participou melhor pode contar mais, a certa altura apareceu uma
garrafa de uísque com 1/3 de líquido (parece que foi a sobra do que o
Volker trouxe para o brasil para passar as semanas) e uma garrafa de
cachaça vinda de algum lugar entre caetité e lençóis: viva Tião!

Pela tarde, sons variados na rádio Laúza FM, algumas atividades com PD
no mercado central (atividades mesmo aconteceram no sistema digestivo
do Glerm, lá de curitiba. Entre um arduíno e outro, ele comeu um
Acarajé feito por um pastor e não deu outra: seus nós nas tripas o
fizeram viajar duas vezes para salvador e rodar boa parte dos
hospidais desse eixo baiano! Nem a lavagem estomacal valeu! depois, já
em curitiba, descobriu que tinha eram pedras de sal nos rins! viva o
araki). Na noite do segundo dia muitos foram à uma pizzaria baratinha
e gostosa, mas eu mesma fui dormir, estava exausta da viagem até ali e
dos acontecimentos dos dois primeiros dias.

No terceiro dia, confesso que as coisas já se confundiam mais e mais
na minha cabeça. Um pequeno grupo partiu para diversas cachoeiras,
outro partiu para mesas, outro saiu para preparar as gravações do
semuSSum (gravaram dois raps e duas capoeiras). Eu mesma participei
mais ou menos de todas as atividades, circulava entre um espaço e
outro, subia o morro sob o sol escaldante até a Avante, voltava ao
mercado, dava uma passada na casa para almoçar (ah, os almoços foram
um caso a parte… enquanto as meninas da cooperativa de rango vegan
faziam nossos lábios deliciarem-se com vatapás, beringelas e
feijoadas, nos dias em que elas não mais estavam Holmes, Owen, Mark
entre muit@s outr@s se revesaram na cozinha, alimentando a tod@s com
delícias e amores! um abraço todo especial para todo mundo que ajudou
na cozinha, cortando, fritando ovo, fazendo suco de tamarindo ou
cozinhando para um batalhão! vocês são demais e eu mesma teria tido
uma relação diferente com o evento se não fosse por vocês! valeu!).
Puxa, no final do dia só piscava na minha cabeça como aquele espaço,
chamado de Avante!, era agradável, como as pessoas eram amigas, como a
consciência e a educação eram trabalhadas… puxa, eu virei fã
incondicional da Avante! Valeu mesmo por tudo Nelma, Valnei, Kojack,
Tony Black, Carol e mais todo mundo que eu conheci na Avante! esses
dias. Nossa, eu não tenho palavras! Se esse relato do festival está
tão grande, se eu pegar para falar bem da Avante! não cabe nessa vida!
Um beijo Nelma! Um beijo, Avante!

No outro dia de manhã Nelma e Valnei conversaram sobre o formato
empírico da educação na avante, foi lindo! outras pessoas que
participaram de projetos governamentais educativos deram suas opiniões
e sanaram suas dúvidas nas realidades das palavras de Nelma e Val. Por
algum tempo, a conversa foi tomando um rumo político, mas Etienne
chamou todo mundo de volta para o Objetivo principal: as metodologias
e seus estudos. Foi lindo! Aliás, Etienne e Karla mostraram que têm
razão: trabalharam com dezenas de crianças, tanto para o mapeamento da
cidade no projeto da Karla em lencois.art.br como na Maquina em cruz
do Etienne. Bem, as crianças (principalmente Adalberto) também tomaram
o microfone sempre que podiam, tiveram mostra de vídeos e ainda
batucaram lá do lado da Avante com todo o pessoal do circo (nossa,
quase me esquecí do pessoal do circo! da colômbia e da argentina,
haviam chegado em lençóis de bicicleta, embora estivessem loucos para
vendê-las! Se inscreveram na programação e apresentaram um espetáculo
muito bom! depois se juntaram a nós no almoço e alguns deles até
dormiram na casa com a gente por alguns dias. El@s eram lind@s! Tinha
também uma outra moça, Carmelita, que cantou e perguntou como a gente
poderia ajudar ela a trabalhar com tecnologia. sua música: “fui numa
reuniao que só tinha, melao, mamao, melancia e muito banana!”)

Agora, a mesa que eu mais gostei mesmo foi a que discutiu a tal da
Arte. Tod@s se encontraram em uma cachoeira maravilhosa, com um grande
Poço para mergulhos de diferentes alturas e um Toboágua natural de dar
inveja! Owen, Letícia e Lixeira mostrarm que são mestres na arte dos
mergulhos! Lind@s! A conversa também foi muito boa, aquele monte de
artista se encontrando pra conversar sua plasticidade viva (como diria
Djahjah, “você é artista plástico? eu também, eu trabalho com Sacos
plásticos!). Marcelo tERca-Nada e Giseli deram opiniões lindas sobre a
artesania nossa de cada dia, e muitos outros deram opiniões sobre o
suicídio coletivo da arte ou seu aproveitamento como tática…
chiquinho, thais e morgana levaram uma conversa paralela no alto de
outra pedra, que incrivelmente chegou às mesmas conclusões que a mesa
oficial…. esse sub… No final, todo mundo pro tobogã, batendo o
recorde mundial de trenzinho de artistas em cachoeiras! Adorei,
adorei!

Teve também a mesa que aconteceu sentad@s num bar na frente do
mercado, todo mundo, uma delícia, essa tem o áudio gravado, não vou
nem relatar (também, depois de tanta cerveja!). Gostei mesmo foi da
intervenção do Capi, do Mark e da Andi, cada um em sua língua natal
(portugês, inglês e austríaco) reclamando sobre o monopólio do
gravador de áudio naquela mesa, e que como haviam criado um outro
grupo de discussão que não teve visibilidade durante a conversa no
gravador, o próximo encontro deveria se chamar submidialogias!

Na noite de segunda feira também a Rádio Cidadão Comum tocou
Dub-doidera até meia noite, quando a polícia veio pedir para parar….
hahaha :) Só mesmo a oficina de direitos humanos no outro dia no
batalhão da Polícia Militar poderia acalmar os ânimos… E acalmou,
embora todo mundo tenha descoberto novos humanos dentro de cada um.

No último dia, depois de tanta conversa proveitosa, atividades
diversas e coletividade festiva, a festa de encerramento não poderia
ter sido diferente: Muita alegria no Carnaval Satã! Músicas do
carnaval da década de 70 misturadas com experimentalismo carioca e
eltro-alternativo estadunidense botou todo mundo pra sambar! Só
faltaram os confetes e a serpentina. Teve também o menino que
improvisou Rap sobre Dub e no final a Titi mandou ver num som pra
fechar a noite, baixinho, em uma caixa só, Novos Baianos, Mãe é
Mar…. Antes da última caixa desligar, os palhaços do circo
retornaram, dessa vez com tambores e cuspidores de fogo para finalizar
a noite em grande estilo! Todo mundo muito feliz, a alegria
preenchendo tantos corações e aquela certeza de que finalmete tod@s
haviam entendido o espírito do Submidialogia 3: A gente quer se
encontrar! Queríamos! E nos encontramos, a nós mesmos e aos outros,
numa sintonia de alegria e positividade que foi maravilhada pela paz,
serenidade e injustiças sociais dos Lencóis da Bahia!

Lógico que deixei muita coisa de fora dessa missiva, como a
performance da Fabi, as fotos do Carlos, as 15 mulheres na kombi rumo
à cachoeira do mucujezinho ou as deliciosas caminhadas que sucederam o
encontro. Mas não faz mal. Novos relatos e vídeos e fotos virão.
Estamos reconstruindo a nossa história. E estamos buscando cada vez
mais atores para fazer parte dela. Longa vida aos sub>midiáticos! Para
o alto, e Avante, Lencóis!

beijos da wan

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