da mÃdia
by wanderlynneemail enviado para revista pronews
Olá Ricardo! Olá a tod@s! Olá Anderson Lima!!
Desculpem só responder o email agora, mas estive em Santarém e depois em Porto dos Gaúchos, em Mato Grosso. E desde que me envolvi com esse povo da submidialogoa, não consigo mais ler todos os emails que chegam pra mim! Bem, se ainda der tempo, vou tentar dar uma contribuição do que foi PRA MIM participar do submidialogia. Se servir pra você Anderson, ótimo. Se não, fica como registro para os demais colocarem onde quiserem ok? Eu vou colocar no meu blog, porque ando registrando tudo que envio, como história, como fez o submarcos e como faz o delegado cero. Aliás, meu blog : http://blogs.metareciclagem.org/selva/
Anderson Lima: Acho que o que publiquei aqui dá bem a idéia do que foi pra mim o submidialogia:
http://www.metaong.info/node.php?id=885
Mas se precisa de mais coisas, vamos lá:
“Lá com os Ãndios onde moro, tem dois computadores junto da oca dos mantimentos. Costumava passear pelas máquinas cheias de letras pelo menos 2 vezes por semana, depois do futebol dos Erês. Moro com os Ãndios desde que me conheço por gente, desde que meus pais, uma ex-freira e um ex-policial decidiram fugir pro mato. A aldeia que habito tem freiras da mesma Ordem que minha mãe participava e uma delas, minha melhor amiga e madrinha, Irmã Glenda, sempre se entusiasmou com Internet, onde conseguia pegar receitas de bolos húngaros e tantávamos misturar com macaxeira. O resultado disso era as vezes bom, as vezes ruim, mas acho que estou fugindo do tema.
Um dia encontrei um link para um encontro em Olinda, bem nos dias que estaria com outras duas irmãs visitando o convento das carmelitas, que tem um trabalho ótimo com os Galibi e os Karipuna, no Amapá. Nossa idéia era trocar experiências, depois de mais de 15 anos conhecendo as etnias Palikur e Waiapi. Mas estou fugindo do tema de novo. Me desculpe.
Enfim, cheguei no Centro Luis Freire e encontrei já na entrada um senhor mexendo em uma espécie de máquina com dois monitores. Esse senhor não falava direito minha lingua. Acho que era francês e se chama Etiene. Ele começou a me explicar o que estava fazendo e eu não entendi nada. Estava quase desistindo quando apareceram dois rapazes com canecas penduradas como colares. Um deles me deu um sorriso. O outro não. Eu dei um sorriso para o que não me deu um sorriso. Irmã Glenda queria ir embora. Etiene continuava falando. Uma moça gostou do meu colar com o Muiraquitã. E me puxou pelo braço até uma sala grande no fundo, onde um monte de gente falava sobre uma invasão de um prédio em São Paulo.
Depois eu me lembro de pouca coisa. Mas foi assim que entendi tudo. E com isso consigo responder todas as suas perguntas, porque descobri que sou todo mundo e que de lá pra cá minha vida mudou. Então vamos às perguntas:
> - O que seria a citada Submidialogia?
Um encontro.
>            - É o segundo ano do evento?
É o primeiro que vou. Você irá no próximo?
>Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â - O que foi possÃvel apreender nesses quatro dias de
>            evento? A que conclusões se chegou?
Eu concluà que todo mundo está conectado. Que a revista Pronews está conectada. Que os erês estão conectados. Você com certeza entendeu, Anderson.
>Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â - O que foi discutido, e por quem, durante o evento?
Não havia discussão e sim consensos fraternos. A programação você encontra no site do evento, Anderson. Mas me diga uma coisa, você que esteve lá, achou o quê? Qual a sua opinião sobre submidialogia? E se não foi, o que acha que deve ser? Porque é isso que importa, né?
>            - Como o evento, e as discussões que ele sucinta,
>Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â contribuem para o melhor entendimento da mÃdia digital e
>            sua relação com a vida das pessoas?
Entendimento da midia digital? São pessoas Anderson! Pessoas ! Pra que precisamos entender as máquinas cheias de letras se temos pessoas entre elas? O legal de encotros como esses é que podemos ver vida. Agora quando escrevo para alguém, lembro da cara dessa pessoa, do tom de voz, do cabelo bagunçado. E aprendi também uma coisa: Seja a mÃdia. Você é a midia Anderson?
>Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â - A respeito disso, como a mÃdia digital pode se inserir
>Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â na vida das pessoas?
Assim como estamos fazendo: Conversando.
>Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â - Quantas pessoas participaram o encontro?
Umas 200. Faltou você, Anderson.
>            - O que será feito a partir de agora, com o encerramento
>Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â do evento?
Já foi feito. Fizemos uma baita despedida.
>Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â - Para onde caminhamos (tanto paÃs quanto Nordeste) quando
>            o assunto é mÃdia digital?
Pra periferia, que é o centro. Aliás, conheci um rapaz em Olinda que me falou sobre isso e fui ler. Gostei muito:
http://www.novae.inf.br/mundopop/periferiacentro.html
>            - Em que parâmetro estamos agora?
No ponto 7.
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(hahaha! é uma piada Anderson! Para uma pergunta assim, uma resposta assado!!)
>            - A respeito do Creative Commons, como vocês vêm a
>Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â iniciativa?
Lá na aldeia os erês inventam brincadeiras todo dia. E tem outras brincadeiras que já existem faz 3 gerações no mÃnimo. Nunca parei pra pensar que uma brincadeira teria um dono. Porque arte é brincadeira né? Pra que ter dono?
>            - Que contribuição ele promove para a disseminação da cultura?
Eu acho que a cultura é a coisa mais importante pra disseminação da cultura. E sua maior contribuiição. OU seja, é como aquelas plantas que se enrolam nos galhos, entendeu? Aquilo é a floresta. Toda a floresta é um monte de florestas. Toda a cultura é um monte de culturas. O tal do certificado para provar que é de todos não precisa existir. A floresta é de todos, como a cultura e os galhos. Ix, acho que me enrolei. Entendeu Anderson? Me enrolei ! haha!
>            - Que ações estão sendo realizadas no Estado, e no
>Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Nordeste, que envolvam o CC?
Tudo!
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Anderson, espero que possa aproveitar trechos do que disse. Eu sei que você é um cara ocupado, mas sei também que você entende que todos somos a mÃdia. Então eu espero poder continuar conversando com você. E quando a matéria sair publicada, vou gostar de ver o Anderson dizendo com as palavras do Anderson o que ele acha sobre tudo.
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abraços pra tod@s!!
wan selva
November 9th, 2006 at 02:15
[...] Lindo, Wan. Lindo! [...]