wanselva

+1 dos blogs.metareciclagem.org

26
Dec
2007

das guerrilheiras

by wanderlynne

Nesses tempos de quase libertação de Ingrid Betancourt, precisamos ver o outro lado. Quando conheci Isabel, logo me apaixonei. Mas a decisão cabe a você que assiste:

Esse é o primeiro capítulo de 7 ao total. O resto é aqui.

23
Dec
2007

de consensos

by wanderlynne

meninada,

submarcos e os zapatistas seguem essa linha que a eiabel falou. eu acho.
(e continuo preocupada com betancourt…)

felipe: pensei que não da pra explicar o modelo de reputacao do jeito offline sem ser por metaforas… tentar explicar como é na realidade será dificil porque tem muitos numeros e calculos e ai que entra a vantagem dasmaquinas de letras e numeros. o google é o que é porque os cadas sao bosn de matematica e usam isso em favor do usuario.

eu sugiro que voce mude o modelo. desiste de textos e plaquinhas com numeros. que tal assim:
- pede pra cada um no grupo escrever uma palavra que possa representar o grupo inteiro (sairao coisas como uniao, diferenca, equipe, força…) aí pede pras pessoas falarem pros outros colocarem  as plaquinhas na sua frente,no chao com suas palavras e que cada um repense novamente qual das palavras que cada um escreveu e decida de novo qual das palavras do grupo deve ser representativa.peça que eles se movam até a palavra que mais gostaram e quem se move deixa sua plaquinha no chao. com isso vai acontecer provavelmente coisas como: o cara que escreveu equipe gostou mais agora de uniao, entao vai até uniao. no final, vai ter uns 5 caras em volta de uniao, 2 em volta de equipe, etc…todas as palavrassao “verdades do grupo”, algumas sao mais verdades coletivas e a reputacao de quem escreveu nao se destaca pelo cara mas sim pela palavra. aí voce escreve na lousa aspalavras em ordem de preferencia, maqs destaca que todas sao verdades. e explica que as maquinas deletras enumeros fazem calculos como esse deum jeitoautomatico, inclusive calculando progressivamente as reputacoes dos caras que escolhem palavrasmais coletivas. que tal?

eu me inspirei nos consensos que dazemos nas reunioes dos caracóis:
http://www.jornada.unam.mx/2003/09/26/per-texto.html

alias, aproveito pra explicar meu sumiço esse ano todo, com uma pontinha de incomodo: voces foram minha abertura ao mundo naquele sub de olinda.voces me ensinaram que as maquinas de letras podem ajudar a gente a ser ainda mais humanos. de lá eu fui conhecer o que submarcos dizia. e conheci gentes fantasticas que nem conhecem as teconologias. confesso que gostei tanto dessas gentes que passei a usar as tecnologias mais pra pesquisar do que pra me comunicar. mas eu ainda acredito nessas meninadas que escrevem tecnologias pras pessoas se juntarem.

eu achei estranho que nao tenham comentado nada sobre betancourt… mas tudo bem.
eu acho estranho muita coisa mesmo.
eu acho estranho por exemplo que nao se fale de amor.
mas eu falo.
e sugerir e trocar ideias éum ato de amor.
bom… daqui uma semana estou no mexico de novo. passarei o ano novo na periferia do mundo.
mas mando a tod@s meu abraço:
“Abajo y a la izquierda está el corazón”

23
Dec
2007

de subs

by wanderlynne

sub3, subcero, sub2008

saltemos, levemos os homens, que eles nos sigam!
(irmã glenda que não nos ouça, porque homem pra ela é coisa ruim, tirando jesus cristinho)

e falando em montanhas, como disse a vocês em lençóis, a situação com betancourt está cada vez pior.
querid@s todos, e digo isso doída, eu acho que ela está pra morrer. e com ela morrerão pássaros e flores.
as farc estão assustadas. se ela morre, morre junto uma resistência.
http://brasil.indymedia.org/es/green/2007/11/404395.shtml
querem liberá-la logo pra que não morra com eles.

subzero nem comenta, acho estranho.
devo perguntar a ele, se conseguir falar com ele em la garrucha. meu último encontro latino. estou um pouco cansada dessas viagens pelas selvas del sur. espero que a Everilda e as demais zapatistas me aconcheguem. alguem de vocês vai ao encontro?
http://www.cimacnoticias.com/site/07111505-Realizaran-Encuentr.31079.0.html

subzero está calladito, escreveu um monte de textos mais ainda não li. ele me parece triste. li só o primeiro:
http://enlacezapatista.ezln.org.mx/comision-sexta/851/ e como é enorme, não sei se consigo ler os outros ainda este ano.
mas ele não comenta nada de ingrid. estranho.

eu to achando que aos poucos vamos ficando mais locais. isso que me está dando vontade de voltar pra cá. mas tenho um problema: onde é meu cá? com os erês? ou na selva do pará? no sul onde está minha vó ligia que morre de medo de mim? eu começo a querer meu canto. e decidi que 2008 é brasil. depois vejo onde.

um beijo para todas as mulheres que saltam no infinito!
e pra todos os homens que nos admiram!
em 2008 nos veremos mais a menudo em brasil.
(ai, meu portunhol tá horrivel!)

wan selva
http://blogs.metareciclagem.org/selva/

ps; estava relendo o primeiro texto que escrevi pra vocês na web, faz mais de um ano né?
http://www.metaong.info/node.php?id=885
esse 2007 foi latino. quero em 2008 mais brasilidade e maravilhamento.

20
Dec
2007

de lençóis

by wanderlynne

carta social sobre o sub3 (email enviado ao metarec e ao submidialogia)

ufa! finalmente cheguei em casa… como o encontro submidiático foi
muito bom, resolvi fazer um caminho mais longo, para refletir, e só
nessa manhã cheguei por aqui. Instigada para escrever. Depois de
tantos dias entre ônibus e barcos, a reflexão na minha cabeça se
confunde com os fatos acontecidos. Então, me perdoem se a emoção
entrelaçar os fatos, mas é que estava precisando há muito tempo de um
encontro como que foi o submidialogia #3.

vou dizer para vocês que logo que peguei o primeiro barco aqui, ruma à
chapada diamantina, não sabia na minha cabeça o que esperar do sub>3.
Entre os seios, carregava uma expectativa mista de festejar, de fazer
turismo, de festejar com nov@s velh@s amig@s. Mesmo escrevendo pouco,
acompanhei a lista com fervor, rabo de olho em cada detalhe de cada
email. Primeiro, pessoas buscando alternativas comuns para chegar ao
local do encontro. Que lindo! Pela primeira vez, tod@s se mobilizavam
para criar alternativas em grupo ou individuais para conseguirem
chegar ao encontro. (a gente quer se encontrar?). Ai, um abraço todo
especial para nós do g2g, que conseguimos ganhar algum dinheiro via
edital de passagens do ministério da cultura (que possibilitou
inclusive minha ida), assim como ricardo brazileiro e marcelo
terça-nada (no canto do meu pensamento eu sabia que se mais pessoas
tivessem concorrido ao edital, mais pessoas ganhavam, mas enfim).
Senti tambem uma falta tremenda de mais participação na construção dos
debates via lista. Mas como estava sem tempo de opinar também, resolvi
ver no que iria dar.

depois do fabuloso encontro do g2g em salvador (sobre esse eu escrevo
depois), tod@s se preparavam para a partida à lençóis. Cedo de manhã,
Leitinho de Pêra (que nome lindo!), Alê, Balbino e Ruiz partiram de
kombi lotada para deixar tudo prontinho para quando a maioria de nós
chegássemos, às 5 da manha do outro dia (aliás, queria dar um parabéns
especial para essa turminha e mais algun que ficaram na pré-produção
do encontro: forçaram o máximo possível o cumprimento dos horários e
sempre tiveram a estrutura pronta em tempo. Só achei que outrxs
pessoas poderiam ter se tocado e também ajudado na produção das
coisas. eu mesma só reparei nisso no terceiro dia, mas logo que
percebi que também poderia ajudar, carreguei caixas, saí cedo pra
organizar as coisas e, pasmem, até dirigí a kombi uma vez, com aquela
lamúria de só possuir a terceira e a quarta marcha desde a Paraíba!).
A primeira manhã foi tranquila. Enquanto nem todos os mantimentos
chegavam, alguém fritou ovos na água e aos poucos tudo foi se
acertando para um café da manhã tranquilo e feliz.

Às 15h00, uma hora depois do horário marcado para a mesa de abertura,
compareci à Avante! para entender melhor o que tod@s queriam, conhecer
@s outr@s e acompanhar a breve conversa sobre a-própria-ação dos
conceitos (magistralmente guiada pela Tai). Mas a abertura foi
surpreendente! depois de um bom tempo de atraso e muita gente falando
ao microfone sem saber direito o que falavam (e transmitiam FM), uma
boa conversa se deu sobre o que tod@s estavam fazendo lá. Enquanto
alguns acreditavam que foram se encontrar com amig@s para se divertir,
outr@s tinham certeza de uma hipocrisia e apatia geral, o que resultou
em um debate caloroso sobre o papel de cada um. A certa altura, a
questão racial foi levantada sobre qual o ponto de vista daquela turma
branca de classe média sobre a interação com a população negra e por
quê aquele festival era formado por tantos branquinhos e branquinhas e
tão poucos negros. Tenho que confessar que adorei Robson (sabe como é,
tenho pais negros e indígenas, acabei tomando partido… hehehe): “Eu
não sou a favor de cotas. Porque cotas é para minorias. E eu não sou
minoria, eu sou maioria. Estou aqui para tomar o que é meu!”. Pôxa,
Robson, você é lindo! Um grande beijo para você! (Sem ciúmes Lú! que
você é muito mais linda que ele!) Senti depois o pessoal reclamando a
ausência de Ruiz e Balbino e Jean na abertura. Mas jean e ruiz foram
consertar um pedaço da embreagem da kombi e Balbino foi tirar Akim
daquela maresia, precisava mesmo. Ah, enquanto isso o Asa dormia na
poça d’água, no meio do maior temporal! Durante a noite, na casa,
várias conversas paralelas e conjuntas foram acertando ponteiros e
idéias. Quem discutiu antes, reviu seus conceitos, conversou mais um
pouco com seus opositores em argumentos e durante a noite um sono
profundo e relaxante preparou todo mundo para os dias que viriam.
(tenho que admitir que, apesar da falta de intimidade dos 4
quartos-alojamento com beliches de três andares, eu dormi muito bem
todos os dias. Foi uma ótima experiência de convívio. Eu me lembrava
de quando era criança e com meus tios dormia na maloca com tod@s
aquel@s parentes…)

Pela manhã do dia subsequente, tod@s nos encontramos no mercado
central, para a discussão sobre produção musical. Puxa, eu fiquei
muito feliz com que ví! como disse a Lelex, pela primeira vez vejo
músicos conversando sobre suas obras e formas de licenciamento. O
Fernando Catatau apresentou seus argumentos e opinios sobre liberar
músicas, sobre seu amor às suas composições (”por esse motivo não
poderia liberar as faixas de minha música separadamente: pois o
harmônico que se forma a partir de duas trilhas também faz parte da
minha composição”). Além disso Tião e outro componente da banda Entre
um Gole e Outro (meu deus, eles param o show no palco para tomar
uminha! e tem um garçom na banda!) mostram que não só de sonho com
gravadoras vivem os músicos. Vivem, sim, muito mais de sonhos.
Possíveis! E eles não vendem nem trocam: eles dão! Alguém que
participou melhor pode contar mais, a certa altura apareceu uma
garrafa de uísque com 1/3 de líquido (parece que foi a sobra do que o
Volker trouxe para o brasil para passar as semanas) e uma garrafa de
cachaça vinda de algum lugar entre caetité e lençóis: viva Tião!

Pela tarde, sons variados na rádio Laúza FM, algumas atividades com PD
no mercado central (atividades mesmo aconteceram no sistema digestivo
do Glerm, lá de curitiba. Entre um arduíno e outro, ele comeu um
Acarajé feito por um pastor e não deu outra: seus nós nas tripas o
fizeram viajar duas vezes para salvador e rodar boa parte dos
hospidais desse eixo baiano! Nem a lavagem estomacal valeu! depois, já
em curitiba, descobriu que tinha eram pedras de sal nos rins! viva o
araki). Na noite do segundo dia muitos foram à uma pizzaria baratinha
e gostosa, mas eu mesma fui dormir, estava exausta da viagem até ali e
dos acontecimentos dos dois primeiros dias.

No terceiro dia, confesso que as coisas já se confundiam mais e mais
na minha cabeça. Um pequeno grupo partiu para diversas cachoeiras,
outro partiu para mesas, outro saiu para preparar as gravações do
semuSSum (gravaram dois raps e duas capoeiras). Eu mesma participei
mais ou menos de todas as atividades, circulava entre um espaço e
outro, subia o morro sob o sol escaldante até a Avante, voltava ao
mercado, dava uma passada na casa para almoçar (ah, os almoços foram
um caso a parte… enquanto as meninas da cooperativa de rango vegan
faziam nossos lábios deliciarem-se com vatapás, beringelas e
feijoadas, nos dias em que elas não mais estavam Holmes, Owen, Mark
entre muit@s outr@s se revesaram na cozinha, alimentando a tod@s com
delícias e amores! um abraço todo especial para todo mundo que ajudou
na cozinha, cortando, fritando ovo, fazendo suco de tamarindo ou
cozinhando para um batalhão! vocês são demais e eu mesma teria tido
uma relação diferente com o evento se não fosse por vocês! valeu!).
Puxa, no final do dia só piscava na minha cabeça como aquele espaço,
chamado de Avante!, era agradável, como as pessoas eram amigas, como a
consciência e a educação eram trabalhadas… puxa, eu virei fã
incondicional da Avante! Valeu mesmo por tudo Nelma, Valnei, Kojack,
Tony Black, Carol e mais todo mundo que eu conheci na Avante! esses
dias. Nossa, eu não tenho palavras! Se esse relato do festival está
tão grande, se eu pegar para falar bem da Avante! não cabe nessa vida!
Um beijo Nelma! Um beijo, Avante!

No outro dia de manhã Nelma e Valnei conversaram sobre o formato
empírico da educação na avante, foi lindo! outras pessoas que
participaram de projetos governamentais educativos deram suas opiniões
e sanaram suas dúvidas nas realidades das palavras de Nelma e Val. Por
algum tempo, a conversa foi tomando um rumo político, mas Etienne
chamou todo mundo de volta para o Objetivo principal: as metodologias
e seus estudos. Foi lindo! Aliás, Etienne e Karla mostraram que têm
razão: trabalharam com dezenas de crianças, tanto para o mapeamento da
cidade no projeto da Karla em lencois.art.br como na Maquina em cruz
do Etienne. Bem, as crianças (principalmente Adalberto) também tomaram
o microfone sempre que podiam, tiveram mostra de vídeos e ainda
batucaram lá do lado da Avante com todo o pessoal do circo (nossa,
quase me esquecí do pessoal do circo! da colômbia e da argentina,
haviam chegado em lençóis de bicicleta, embora estivessem loucos para
vendê-las! Se inscreveram na programação e apresentaram um espetáculo
muito bom! depois se juntaram a nós no almoço e alguns deles até
dormiram na casa com a gente por alguns dias. El@s eram lind@s! Tinha
também uma outra moça, Carmelita, que cantou e perguntou como a gente
poderia ajudar ela a trabalhar com tecnologia. sua música: “fui numa
reuniao que só tinha, melao, mamao, melancia e muito banana!”)

Agora, a mesa que eu mais gostei mesmo foi a que discutiu a tal da
Arte. Tod@s se encontraram em uma cachoeira maravilhosa, com um grande
Poço para mergulhos de diferentes alturas e um Toboágua natural de dar
inveja! Owen, Letícia e Lixeira mostrarm que são mestres na arte dos
mergulhos! Lind@s! A conversa também foi muito boa, aquele monte de
artista se encontrando pra conversar sua plasticidade viva (como diria
Djahjah, “você é artista plástico? eu também, eu trabalho com Sacos
plásticos!). Marcelo tERca-Nada e Giseli deram opiniões lindas sobre a
artesania nossa de cada dia, e muitos outros deram opiniões sobre o
suicídio coletivo da arte ou seu aproveitamento como tática…
chiquinho, thais e morgana levaram uma conversa paralela no alto de
outra pedra, que incrivelmente chegou às mesmas conclusões que a mesa
oficial…. esse sub… No final, todo mundo pro tobogã, batendo o
recorde mundial de trenzinho de artistas em cachoeiras! Adorei,
adorei!

Teve também a mesa que aconteceu sentad@s num bar na frente do
mercado, todo mundo, uma delícia, essa tem o áudio gravado, não vou
nem relatar (também, depois de tanta cerveja!). Gostei mesmo foi da
intervenção do Capi, do Mark e da Andi, cada um em sua língua natal
(portugês, inglês e austríaco) reclamando sobre o monopólio do
gravador de áudio naquela mesa, e que como haviam criado um outro
grupo de discussão que não teve visibilidade durante a conversa no
gravador, o próximo encontro deveria se chamar submidialogias!

Na noite de segunda feira também a Rádio Cidadão Comum tocou
Dub-doidera até meia noite, quando a polícia veio pedir para parar….
hahaha :) Só mesmo a oficina de direitos humanos no outro dia no
batalhão da Polícia Militar poderia acalmar os ânimos… E acalmou,
embora todo mundo tenha descoberto novos humanos dentro de cada um.

No último dia, depois de tanta conversa proveitosa, atividades
diversas e coletividade festiva, a festa de encerramento não poderia
ter sido diferente: Muita alegria no Carnaval Satã! Músicas do
carnaval da década de 70 misturadas com experimentalismo carioca e
eltro-alternativo estadunidense botou todo mundo pra sambar! Só
faltaram os confetes e a serpentina. Teve também o menino que
improvisou Rap sobre Dub e no final a Titi mandou ver num som pra
fechar a noite, baixinho, em uma caixa só, Novos Baianos, Mãe é
Mar…. Antes da última caixa desligar, os palhaços do circo
retornaram, dessa vez com tambores e cuspidores de fogo para finalizar
a noite em grande estilo! Todo mundo muito feliz, a alegria
preenchendo tantos corações e aquela certeza de que finalmete tod@s
haviam entendido o espírito do Submidialogia 3: A gente quer se
encontrar! Queríamos! E nos encontramos, a nós mesmos e aos outros,
numa sintonia de alegria e positividade que foi maravilhada pela paz,
serenidade e injustiças sociais dos Lencóis da Bahia!

Lógico que deixei muita coisa de fora dessa missiva, como a
performance da Fabi, as fotos do Carlos, as 15 mulheres na kombi rumo
à cachoeira do mucujezinho ou as deliciosas caminhadas que sucederam o
encontro. Mas não faz mal. Novos relatos e vídeos e fotos virão.
Estamos reconstruindo a nossa história. E estamos buscando cada vez
mais atores para fazer parte dela. Longa vida aos sub>midiáticos! Para
o alto, e Avante, Lencóis!

beijos da wan

10
Nov
2006

da rede

by wanderlynne

enviado pra lista metarec:

meninada,

Estou lendo muito sobre submarcos e redes. mas tem algo que gostei muito e queria compartilhar com vocês. aqui o trecho que achei principal:

A expressão ‘nova burocracia associacionista das ONGs’, aliás, não é nem originalmente minha, porquanto se inspira em um escrito de David de Ugarte: “11M. Redes para ganar uma guerra” (Barcelona: Icaria, 2006). No Post Scriptum dessa excelente publicação, Ugarte observa, citando o programa de uma iniciativa de ambiente interativo, denominada ‘LaMatriz.org’, que trata-se de “un nodo de red impulsado por los ciberpunks españoles cuyo primer objetivo asegura ser “quitarle la cantera” ao fanatismo, abriendo “ventanas” al mundo rede em los barrios, los colégios, los bares… Impulsando cibercafés, redes ciudadanas wifi, comunidades sobre teléfonos móviles, internet, tertúlias… Pero no reproduciendo uma estructura profesionalizada y jerárquica como las de las ONG al uso, ya que según dicen: ‘el camino hacia la vertebración social em el nuevo mundo no pasa por engordar a la burocracia del “asociacionismo”. Su necesidade como “representantes” se basava em carências de los sistemas de comunicación que la tecnología há superado hace tiempo. Nos hace falta sociedade civil de todo tipo, no “liberados” ni profesionales del asociacionismo. Las redes no sirven para “encuadrar” y si encuadran no son redes válidas para construir uma sociedad abierta y em rede‘.”

e aqui o texto todo:
http://www.augustodefranco.com.br/
(Ainda não foi publicada a Carta 124. Mas deve ser nas próximas horas. É que recebi por email)

Em breve conto mais sobre minhas andanças na web.

beijos da wan

08
Nov
2006

da mídia

by wanderlynne

email enviado para revista pronews
Olá Ricardo! Olá a tod@s! Olá Anderson Lima!!

Desculpem só responder o email agora, mas estive em Santarém e depois em Porto dos Gaúchos, em Mato Grosso. E desde que me envolvi com esse povo da submidialogoa, não consigo mais ler todos os emails que chegam pra mim! Bem, se ainda der tempo, vou tentar dar uma contribuição do que foi PRA MIM participar do submidialogia. Se servir pra você Anderson, ótimo. Se não, fica como registro para os demais colocarem onde quiserem ok? Eu vou colocar no meu blog, porque ando registrando tudo que envio, como história, como fez o submarcos e como faz o delegado cero. Aliás, meu blog : http://blogs.metareciclagem.org/selva/

Anderson Lima: Acho que o que publiquei aqui dá bem a idéia do que foi pra mim o submidialogia:
http://www.metaong.info/node.php?id=885

Mas se precisa de mais coisas, vamos lá:

“Lá com os índios onde moro, tem dois computadores junto da oca dos mantimentos. Costumava passear pelas máquinas cheias de letras pelo menos 2 vezes por semana, depois do futebol dos Erês. Moro com os índios desde que me conheço por gente, desde que meus pais, uma ex-freira e um ex-policial decidiram fugir pro mato. A aldeia que habito tem freiras da mesma Ordem que minha mãe participava e uma delas, minha melhor amiga e madrinha, Irmã Glenda, sempre se entusiasmou com Internet, onde conseguia pegar receitas de bolos húngaros e tantávamos misturar com macaxeira. O resultado disso era as vezes bom, as vezes ruim, mas acho que estou fugindo do tema.

Um dia encontrei um link para um encontro em Olinda, bem nos dias que estaria com outras duas irmãs visitando o convento das carmelitas, que tem um trabalho ótimo com os Galibi e os Karipuna, no Amapá. Nossa idéia era trocar experiências, depois de mais de 15 anos conhecendo as etnias Palikur e Waiapi. Mas estou fugindo do tema de novo. Me desculpe.

Enfim, cheguei no Centro Luis Freire e encontrei já na entrada um senhor mexendo em uma espécie de máquina com dois monitores. Esse senhor não falava direito minha lingua. Acho que era francês e se chama Etiene. Ele começou a me explicar o que estava fazendo e eu não entendi nada. Estava quase desistindo quando apareceram dois rapazes com canecas penduradas como colares. Um deles me deu um sorriso. O outro não. Eu dei um sorriso para o que não me deu um sorriso. Irmã Glenda queria ir embora. Etiene continuava falando. Uma moça gostou do meu colar com o Muiraquitã. E me puxou pelo braço até uma sala grande no fundo, onde um monte de gente falava sobre uma invasão de um prédio em São Paulo.

Depois eu me lembro de pouca coisa. Mas foi assim que entendi tudo. E com isso consigo responder todas as suas perguntas, porque descobri que sou todo mundo e que de lá pra cá minha vida mudou. Então vamos às perguntas:

> - O que seria a citada Submidialogia?

Um encontro.

>             - É o segundo ano do evento?

É o primeiro que vou. Você irá no próximo?

>             - O que foi possível apreender nesses quatro dias de
>             evento? A que conclusões se chegou?

Eu concluí que todo mundo está conectado. Que a revista Pronews está conectada. Que os erês estão conectados. Você com certeza entendeu, Anderson.

>             - O que foi discutido, e por quem, durante o evento?

Não havia discussão e sim consensos fraternos. A programação você encontra no site do evento, Anderson. Mas me diga uma coisa, você que esteve lá, achou o quê? Qual a sua opinião sobre submidialogia? E se não foi, o que acha que deve ser? Porque é isso que importa, né? :)

>             - Como o evento, e as discussões que ele sucinta,
>             contribuem para o melhor entendimento da mídia digital e
>             sua relação com a vida das pessoas?

Entendimento da midia digital? São pessoas Anderson! Pessoas ! Pra que precisamos entender as máquinas cheias de letras se temos pessoas entre elas? O legal de encotros como esses é que podemos ver vida. Agora quando escrevo para alguém, lembro da cara dessa pessoa, do tom de voz, do cabelo bagunçado. E aprendi também uma coisa: Seja a mídia. Você é a midia Anderson?

>             - A respeito disso, como a mídia digital pode se inserir
>             na vida das pessoas?

Assim como estamos fazendo: Conversando.

>             - Quantas pessoas participaram o encontro?

Umas 200. Faltou você, Anderson.

>             - O que será feito a partir de agora, com o encerramento
>             do evento?

Já foi feito. Fizemos uma baita despedida.

>             - Para onde caminhamos (tanto país quanto Nordeste) quando
>             o assunto é mídia digital?

Pra periferia, que é o centro. Aliás, conheci um rapaz em Olinda que me falou sobre isso e fui ler. Gostei muito:
http://www.novae.inf.br/mundopop/periferiacentro.html

>             - Em que parâmetro estamos agora?

No ponto 7.

.
.
.
.

(hahaha! é uma piada Anderson! Para uma pergunta assim, uma resposta assado!!)

>             - A respeito do Creative Commons, como vocês vêm a
>             iniciativa?

Lá na aldeia os erês inventam brincadeiras todo dia. E tem outras brincadeiras que já existem faz 3 gerações no mínimo. Nunca parei pra pensar que uma brincadeira teria um dono. Porque arte é brincadeira né? Pra que ter dono?

>             - Que contribuição ele promove para a disseminação da cultura?

Eu acho que a cultura é a coisa mais importante pra disseminação da cultura. E sua maior contribuiição. OU seja, é como aquelas plantas que se enrolam nos galhos, entendeu? Aquilo é a floresta. Toda a floresta é um monte de florestas. Toda a cultura é um monte de culturas. O tal do certificado para provar que é de todos não precisa existir. A floresta é de todos, como a cultura e os galhos. Ix, acho que me enrolei. Entendeu Anderson? Me enrolei ! haha!

>             - Que ações estão sendo realizadas no Estado, e no
>             Nordeste, que envolvam o CC?

Tudo!

******

Anderson, espero que possa aproveitar trechos do que disse. Eu sei que você é um cara ocupado, mas sei também que você entende que todos somos a mídia. Então eu espero poder continuar conversando com você. E quando a matéria sair publicada, vou gostar de ver o Anderson dizendo com as palavras do Anderson o que ele acha sobre tudo.

***

abraços pra tod@s!!

wan selva

23
Oct
2006

da tribo

by wanderlynne

segundo email para a lista metarec:

querid@s metarecicleiros, (aprendi a usar arroba pra falar com todo mundo!)

É muita informação né? Desculpem a demora, fiquei de escrever logo depois, mas aqui na tribo a gente acaba se distraindo nas brincadeiras e quando voltava pra cá (uma espécie de oca onde guardamos mantimentos e também estão os 2 computadores) eu tentava ler tudo (não consegui entender tudo) e buscar mais coisas de chiapas.

Eu vou tentar me apresentar mellhor, mas antes queria agradecer o carinho recebido por vocês e também queria pedir qu me dissessem outros lugares bacanas e listas que acham interssantes. Como eu contei antes, cheguei até aqui pelo Felipe, que conheci em Olinda, junto com outras pessoas incríveis. Adorei ver as fotos do submidialogia! Pena que só sai de costas ou no fundão. Mas espero que nas procimas que publiquem eu apareça.

Antes de mais nada, algue’m pode me ajudar a escolher um tipo de blog pra usar? O pessoal do submidialogia me prometeu mas não me escreveram mais. Alias Felipe, você manda esta mensagem pra eles na lista ou eu mesma posso mandar? Como é que faço?

Bom, sobre mim, moro na floresta, aqui na amazonia. Já morei fora daqui, do outro lado da fronteira, como dizem. Uma fronteira que nunca vi na verdade… É só arvores e mais arvores. Elas falam todas a mesma lingua. Nós os humanos é que falamos várias. Falo bastente em espanhol e portugues. Ainda nao aprendi muito as linguas indigenas porque a cada ano é um lugar diferente né?

Eu tenho 31 anos, nasci por aqui mesmo mas meus pais sao de sao paulo (e acreditam que só fui pra sampa 3 vezes na vida?). Quando nasci meus pais já moravam por aqui mas já tinha viajado por muitos lugares. A historia deles daria um livro, mas nao posso contar muito aqui. É uma promessa que fiz pra minha mae, que só escreveria algo depois da morte deles. Eu acho uma pena, mas minha mae é muito religiosa e eu respeito né? Meu pai faleceu faz 2 anos e sinto muita falta dele. Continuo escrevendo cartas pra ele quase todo dia, porque gosto de escrever e porque assim já registro melhor pro livro (ou livros) que escreverei sobre os dois, sobre a ditadura que nao conheci, sobre a linda historia de amor entre uma ex-freira e um ex-policial (mas nem sei se minha mae gostaria que eu contasse isso… Acho que o unico que posso contar (que me deixam) é que meu nome vem dos meus pais, Wander e Aline. O Ipsilon e os dois enes era só pra complicar minha vida… Por isso podem me chamar de Wan, que é como todo mundo me chama mesmo.

Falando mais de mim, morei sempre na selva (tirando a faculdade na bolivia), daí o sobrenome que eu mesma me dei. Os outros eu nem sei direito… É que meus pais tiveram que mudar de nome e entre eles, até a morte do meu pai, continuavam se chamando pelos nomes falsos, ou melhor, os atuais. Foi sempre tanta confusao que hoje prefiro Selva mesmo. Já que eles escolheram os nomes deles, eu escolhi o meu: Wan Selva. Muito prazer!

Meu trabalho é com os indios, mas nao poderia chamar de trabalho… só brinco com eles! As irmãs religiosas que vivem comigo dizem que deveria educá-los, mas sao os erês que me educam. Irmã Glenda é minha madrinha e talvez a unica que sabe que sou atéia… Minha mãe, apesar de ex-freira, me falou sempre da religiao como opio do povo (e hoje em dia vai na missa mais do que o padre!) e meu pai me dizia que Jesus era um revolucionário, mas falava disso com desprezo. Eu fui criando minha teoria, que um dia conto. Nem sei se aqui né, que aqui tá cheio de tecnologias e devo estar cansando vocês com meu blablabla.

beijos a tod@s,

wan

ps: quem puder me ajudar com o blog, eu agradeço! ah, e também como colocar fotos! quero colocar umas fotos da tribo no blog!

23
Oct
2006

da selva

by wanderlynne

primeiro email para a lista metarec:

oi, meu nome é wanderlynne selva.
o felipe me passou o endereço dessa lista mas ainda não sei direito como isto funciona. estou até esta hora maravilhada com tanta tecnologia e gente do bem mas preciso ir dormir pra amanhã cedo brincar com os erês. eu quero escrever mais, mas faço isso amanhã depois do almoço. e pra não escrever tudo de novo, coloco aqui o que acabo de escrever no metaong:
http://www.metaong.info/node.php?id=885

está sendo um prazer conhecer tanta gente bacana!

wan


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