Salada Rebelde

July 9, 2007

Pichação na unidade

Filed under: Diário, Prosa — philipe @ 7:50 pm

Depois de seis meses aberta, nossa unidade foi pichada na última quinta à noite.

Na sexta pela manhã, detectamos que as pichações eram de meninos e que “dedicaram” a outros meninos.

Solução: pintar? Não!

Reuni a comunidade e falei que de segunda em diante nenhum menino iria acessar o telecentro (acesso livre) até que o pichador não fosse pintar o muro.

Na sexta à noite me disseram o nome do menino. Falei que não queria nome, mas o muro pintado.

Hoje, meio dia, cheguei na unidade e o muro estava pintado. Os meninos fizeram uma cota e compraram tinta, pincel e foram na casa do menino pichador para que ele fosse, também, pintar o muro.

Fizeram um multirão e o muro está branquinho.

De tarde, o menino que pichou veio falar comigo. Os outros meninos queriam que ele fosse “expulso” do projeto. Acordamos o seguinte: Ele continua frequentando a Casa e vai entrar na próxima oficina que vamos desenvolver: grafite. :)

Esta foi a aula que participei e contribui de autonomia.

logo Casa Brasil

May 23, 2007

Mundo de penas

Filed under: Prosa — philipe @ 7:44 am

Um dia pensei que era um carcará. Talvez tenha sido. Talvez fui ou sou. O carcará é temido, faz o que bem entende e anda - muitas vezes - na contramão. As andorinhas são lindas. Todo mundo quer ser, ou é. Tem tanta ave por aí. Ter uma andorinha numa floresta é alegria na certa. As andorinhas voam. O carcará também. Ah, mas as andorinhas não deveriam voar. Elas são belas na terra, pra quê voar? Quando uma andorinha voa é tristeza na certa. Uma floresta não é mais a mesma sem andorinhas. Muitas aves são formosas, mas nenhuma tem o charme e o jeito da andorinha. Hoje me sinto como a ave fenix. A fenix renascia das próprias cinzas. Tinha a capacidade de voar levando cargas muito pesadas. Uns dizem que vivia exatamente 500 anos. Outros, 97.200 anos. Símbolo da imortalidade. Não viverei 500 anos, tampouco 97 mil. Nem verei andorinhas, muito menos seus vôos. E o carcará? No sertão é seca e sangue: um mundo de penas, carniça!

Carcará

May 22, 2007

Baderna

Filed under: Prosa — philipe @ 4:06 pm

Bagunça, confusão, bando, corja. A palavra tem origem no nome da bailarina clássica italiana Marietta Baderna. Em 1849, ela emigrou para o Brasil, fugindo de lutas políticas na Itália. Quando começou a se apresentar em teatros do Rio fez um grande sucesso, por ser muito talentosa. Marietta não gostava de injustiças. Chegava a brigar com empresários teatrais para defender colegas seus que eram menos famosos. Sempre que podia, ia para o centro do Rio, onde dançava junto com os escravos a dança preferida deles, que era chamada de umbigada. Com essas atitudes, começou a ser perseguida pelos donos de teatros, que não renovavam seu contrato. Os jovens do Rio, apaixonados por ela, iam às peças e começavam a vaiar e bater os pés no chão para protestar contra as perseguições a Marietta. Chegavam a interromper os espetáculos no meio. Foi por essa razão que seu nome acabou virando sinônimo de bagunça, confusão.

[www]

Marietta Baderna

May 18, 2007

Personagens e lugares folclóricos de Fortaleza

Filed under: Prosa — philipe @ 11:41 am

Zé Bedeu, o vulgo “guarda roupa” - era um maluco que andava com 5 a 6 roupas de uma só vez (só trocava a ordem) e perambulava pelo bairro Pan Americano. Popular era o Zé Tatá, um homossexual que andava a cavalo pela periferia da Parangaba e tinha fama de valente. Na praça do Ferreira reinava o Burra Preta, desfilando com o balanço exagerado de sua bunda desproporcional. Ainda temos a Vassoura, que era o apelido de uma doida que perambulava pelo centro da cidade e ficava possessa ao gritar seu apelido. Ainda temos Bode Ioiô, claro! Tem gente que fala de outros personagens: Barba Azul, Senadorzão, 90, Zé do Mangue, As Panteras, Nadir Ai-ai, Eliomar Dodói e Maria-sem-fundo, mas não conheci - nem ouvi falar. Talvez porque não cheguei a frequentar o bar “Cabaré da Pirrita”, na Praia de Iracema, ou o forró do “Viva Maria”… mas se eu conhecesse os malandros do “jogo da pretinha” (pra pegar otário) nas ruas de acesso a Praça José de Alencar, ah – com certeza – eu saberia de mais gente folclórica. Otacílio Colares contribuiu, através do poema “Descante à cidade amada”, quando apresentou mais tipos populares: Chagas dos Carneiros, Jararaca, Zé Levi, Cheira-Dedos, Mimosa, Zé Lapada, Cabeção e a Siri. Batista de Lima acrescentou, certa vez, mais gente: Canoa Doida, Manezinho do Bispo e Roberto Carlos. Aqui só tem figura…

Fortaleza antiga

May 17, 2007

A metade da farmácia

Filed under: Diário, Prosa — philipe @ 9:28 am

Hoje eu não queria levantar da cama. Cheguei na ONG 9:09, mais de uma hora atrasado. Cansado. De saco cheio das coisas que imobilizam a ONG e o trampo ponto-gov. Preciso de uns dias na praia, sem oficinas nem discussões. Só a praia e meus pés, descalços. Acorda! Tem um concurso pra estudar, tema pro mestrado à definir e fazer vários contatos porque a grana dos trampos está acabando e a tia do aluguel precisa do meu dinheiro pra comprar a metade da farmácia.

farmácia

March 25, 2007

Liberdade neste mundo

Filed under: Prosa — philipe @ 9:07 am

Eu posso até pagar com a eternidade no inferno por alguns anos de busca pela liberdade aqui neste mundo.

February 7, 2007

Caldeirão

Filed under: Prosa — philipe @ 12:22 am

Um importante movimento social no período varguista foi o Caldeirão. De forma semelhante a Canudos, ele reuniu cerca de 3 mil pessoas sob a liderança do Beato Zé Lourenço, paraibano que chegara a Juazeiro por volta de 1890 e era seguidor de Padre Cícero. Aconselhado por Padre Cícero a se estabelecer na região e trabalhar com algumas das famílias de romeiros, arrendou um lote de terra no sítio Baixa Danta, em Juazeiro do Norte. O sítio prosperou e começou a desagradar a parte da elite, sendo difamado pelos adversários políticos de Padre Cícero. Isso culminou na exigência do dono do sítio Baixa Danta de que os camponeses e o beato deixassem a terra. Instalando-se no sítio Caldeirão, no Crato, propriedade de Padre Cícero, os camponeses formaram uma pequena sociedade coletiva e igualitária, prosperando tanto que chegaram a vender os excedentes nas cidades vizinhas. O sítio tornou-se, portanto, um “mau exemplo” para os sertanejos e desagradou fortemente à Igreja e aos latifundiários que perdiam a mão-de-obra barata. As difamações culminaram com a acusação de que o beato Zé Lourenço era agente bolchevique! Quando Padre Cícero morreu, em 1934, as terras foram herdadas pelos padres salesianos, e os camponeses do Caldeirão ficaram desamparados. Em setembro de 1936, a comunidade é dispersa e o sítio é incendiado e bombardeado. Zé Lourenço e seus seguidores rumaram, então, para uma nova comunidade. Alguns dos moradores, no entanto, resolveu se vingar e realizaram uma emboscada, matando alguns policiais, o que foi respondido com um verdadeiro massacre de camponeses pelos contingentes policiais (estima-se entre 300 e 1000 mortos).

fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Cear%C3%A1

Um dos seguidores de Padre Cícero, beato José Lourenço, fundou a comunidade do Caldeirão, em uma terra doada por padre Cícero quando ainda vivo. Essa Comunidade organizada em modelos socialistas atraiu o ódio das forças conservadoras. Os grandes proprietários de terra reclamavam da falta de mão-de-obra no Cariri, pois muitos trabalhadores rurais foram viver na Comunidade do Caldeirão.

Nessa época o Brasil vivia o Estado Novo, e Getúlio era o ditador. A Comunidade do Caldeirão passou a ser vista pelos grupos conservadores como um embrião do comunismo, logo era necessário destruí-la.Quando os militares invadem a comunidade, os seguidores do beato não reagem, pois não estavam armados. Caldeirão é destruída e os camponeses expulsos.

O beato José Lourenço, que conseguiu fugir de Caldeirão, fundou mais tarde nova comunidade na serra do Araripe. Embora fosse pacífica, alguns seguidores, como o beato Severino Tavares, pregavam a luta armada de resistência. A nova comunidade foi destruída e mais de mil camponeses foram mortos.

fonte: http://www.espacoacademico.com.br/038/38cgareis.htm

A fama do Padre Cícero atraiu para o Cariri muitos agricultores sem terra. José Lourenço Gomes da Silva – o Beato Zé Lourenço – chegou em Juazeiro em 1890. Aconselhado pelo Padre Cícero, arrenda um pedaço de terra no Sítio Baixa Dantas, localizado no município de Crato, propriedade do Coronel João de Brito. Em pouco tempo, com ajuda de seus primeiros seguidores, Zé Lourenço transformou o lugar, outrora estéril, em um pomar. Em 1914, durante o episódio que passou à história como a Sedição de Juazeiro, forças policiais passaram pela Baixa Dantas, destruindo muito do que fora edificado pelo Beato e sua gente. Zé Lourenço recomeçou tudo de novo.

No entanto, em 1922, o sítio foi vendido e o novo proprietário o requereu de volta sem indenizar o Beato e seus seguidores.

Em 1926, Padre Cícero entregou ao Beato um novo sítio, inóspito e seco, conhecido como Caldeirão dos Jesuítas, localizado no município de Crato. Ali, o Beato e seus seguidores, a cada dia mais numeroso, desenvolveram a mais importante experiência coletivista, de natureza religiosa e popular, do século XX. Construíram um arraial, dotado de capela, engenho de rapadura, casa de farinha, reservatórios de água e oficina de fabricação de utensílios e instrumentos. Plantaram cana-de-açúcar, mandioca, feijão, milho, legumes e frutas. Criaram gado, aves e peixes. Dividiam a produção segundo as necessidades de cada um. Viviam ordeiramente, regidos pela fé e pelo trabalho.

1932 foi um ano de terrível seca. O Governo Federal criou um campo de concentração no Muriti, periferia de Crato, para abrigar as vítimas do flagelo. Ali, os camponeses deveriam receber alimentação e assistência médica evitando o êxodo para a capital do Estado. Na verdade, registraram-se no campo de concentração revoltas dos flagelados e surtos de epidemia. Enquanto isso, no Sítio Caldeirão os camponeses produziam as ferramentas de trabalho, roupas e calçados. Não faltou comida e muitas pessoas, das localidades vizinhas, tiveram a fome saciada com os alimentos produzidos pelo Beato Zé Lourenço e seus seguidores.

Os fazendeiros alardeavam que o Caldeirão seria um futuro Arraial de Canudos. Isso causava preocupação até ao clero católico. Políticos, fazendeiros e autoridades fizeram parceria para destruir a experiência comunitária do Caldeirão. No dia 11 de setembro de 1946 veio a primeira expedição policial: 400 casas, roçados e engenho foram destruídos. A segunda expedição concluiu a destruição. Segundo o historiador João Mauro de Araújo: “Em 11 de maio de 1937, um ruído no céu da Chapada do Araripe assustou os camponeses ligados ao Beato. Com medo, eles tentavam se esconder entre as árvores enquanto máquinas voadoras deslizavam pelos ares daquela região do Cariri. Homens, mulheres e crianças fugiam de algo que, com certeza, viam pela primeira vez. O desespero foi ainda maior quando os aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) começaram a metralhar. Muitos ali devem ter sussurrado o derradeiro Pai-Nosso. Outros nem tiveram tempo para tanto”. Terminava aí a experiência comunitária do Beato Zé Lourenço…

fonte: Urca.

December 6, 2006

Blefando o estuprador

Filed under: Diário, Prosa — philipe @ 6:33 am

Ontem ouvi uma história de muita coragem e fôlego. Uma garota, tarde da noite, andava pela Universidade Estadual sozinha. Ao passar por um trecho mais escuro, foi agarrada por um homem bêbado e fedorento. Ao invés de gritar, espernear e lutar com todas as suas forças, virou pro estuprador e disse:

- Ainda bem que você me agarrou, cara, eu tô seca e agora é a melhor hora da gente dar uma…

O estuprador jogou-a no chão e foi embora…

Sangue frio “on”.

Imagem do sítio http://www.drooker.com/
Baladeira

November 23, 2006

Pacaré

Filed under: Prosa — philipe @ 6:42 am

É um pequeno paquete (jangada pequena), confeccionado improvisadamente, sem muitos cuidados? Geralmente, alguns troncos de madeira, que facilmente flutuam, são amarrados ou presos aos outros: está pronto o pacaré.

*** Retirado do Almanaque Pescando Cultura, 2006.

Pacaré é um bom nome pra um projeto, não acha? Um dia escreverei o Projeto Pacaré, hehe… talvez “pacaré” seja o nome do meu projeto de vida… :)

November 8, 2006

Mensagem de celular

Filed under: Prosa — philipe @ 8:06 am

Telefone antigo Virou pro lado, nada. Pro outro, também. Eram quatro da matina e faltavam mais quatro para iniciar o “chicote”. Tinha alguma coisa perto do pé, esquerdo. Pequeno, retangular, sem vida: um celular. Um chute, hum… não, preferiu dar vida à ferramenta. Menu, mensagens, escrever mensagem:

No meio da noite, caracteres viajam em ondas eletromagnéticas. Pego carona em alguma “letra” pra te ver dormindo…

Enviar, número, enviar - mensagem enviada!

Dormiu.

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