Um importante movimento social no perÃodo varguista foi o Caldeirão. De forma semelhante a Canudos, ele reuniu cerca de 3 mil pessoas sob a liderança do Beato Zé Lourenço, paraibano que chegara a Juazeiro por volta de 1890 e era seguidor de Padre CÃcero. Aconselhado por Padre CÃcero a se estabelecer na região e trabalhar com algumas das famÃlias de romeiros, arrendou um lote de terra no sÃtio Baixa Danta, em Juazeiro do Norte. O sÃtio prosperou e começou a desagradar a parte da elite, sendo difamado pelos adversários polÃticos de Padre CÃcero. Isso culminou na exigência do dono do sÃtio Baixa Danta de que os camponeses e o beato deixassem a terra. Instalando-se no sÃtio Caldeirão, no Crato, propriedade de Padre CÃcero, os camponeses formaram uma pequena sociedade coletiva e igualitária, prosperando tanto que chegaram a vender os excedentes nas cidades vizinhas. O sÃtio tornou-se, portanto, um “mau exemplo” para os sertanejos e desagradou fortemente à Igreja e aos latifundiários que perdiam a mão-de-obra barata. As difamações culminaram com a acusação de que o beato Zé Lourenço era agente bolchevique! Quando Padre CÃcero morreu, em 1934, as terras foram herdadas pelos padres salesianos, e os camponeses do Caldeirão ficaram desamparados. Em setembro de 1936, a comunidade é dispersa e o sÃtio é incendiado e bombardeado. Zé Lourenço e seus seguidores rumaram, então, para uma nova comunidade. Alguns dos moradores, no entanto, resolveu se vingar e realizaram uma emboscada, matando alguns policiais, o que foi respondido com um verdadeiro massacre de camponeses pelos contingentes policiais (estima-se entre 300 e 1000 mortos).
fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Cear%C3%A1
Um dos seguidores de Padre CÃcero, beato José Lourenço, fundou a comunidade do Caldeirão, em uma terra doada por padre CÃcero quando ainda vivo. Essa Comunidade organizada em modelos socialistas atraiu o ódio das forças conservadoras. Os grandes proprietários de terra reclamavam da falta de mão-de-obra no Cariri, pois muitos trabalhadores rurais foram viver na Comunidade do Caldeirão.
Nessa época o Brasil vivia o Estado Novo, e Getúlio era o ditador. A Comunidade do Caldeirão passou a ser vista pelos grupos conservadores como um embrião do comunismo, logo era necessário destruÃ-la.Quando os militares invadem a comunidade, os seguidores do beato não reagem, pois não estavam armados. Caldeirão é destruÃda e os camponeses expulsos.
O beato José Lourenço, que conseguiu fugir de Caldeirão, fundou mais tarde nova comunidade na serra do Araripe. Embora fosse pacÃfica, alguns seguidores, como o beato Severino Tavares, pregavam a luta armada de resistência. A nova comunidade foi destruÃda e mais de mil camponeses foram mortos.
fonte: http://www.espacoacademico.com.br/038/38cgareis.htm
A fama do Padre CÃcero atraiu para o Cariri muitos agricultores sem terra. José Lourenço Gomes da Silva – o Beato Zé Lourenço – chegou em Juazeiro em 1890. Aconselhado pelo Padre CÃcero, arrenda um pedaço de terra no SÃtio Baixa Dantas, localizado no municÃpio de Crato, propriedade do Coronel João de Brito. Em pouco tempo, com ajuda de seus primeiros seguidores, Zé Lourenço transformou o lugar, outrora estéril, em um pomar. Em 1914, durante o episódio que passou à história como a Sedição de Juazeiro, forças policiais passaram pela Baixa Dantas, destruindo muito do que fora edificado pelo Beato e sua gente. Zé Lourenço recomeçou tudo de novo.
No entanto, em 1922, o sÃtio foi vendido e o novo proprietário o requereu de volta sem indenizar o Beato e seus seguidores.
Em 1926, Padre CÃcero entregou ao Beato um novo sÃtio, inóspito e seco, conhecido como Caldeirão dos JesuÃtas, localizado no municÃpio de Crato. Ali, o Beato e seus seguidores, a cada dia mais numeroso, desenvolveram a mais importante experiência coletivista, de natureza religiosa e popular, do século XX. ConstruÃram um arraial, dotado de capela, engenho de rapadura, casa de farinha, reservatórios de água e oficina de fabricação de utensÃlios e instrumentos. Plantaram cana-de-açúcar, mandioca, feijão, milho, legumes e frutas. Criaram gado, aves e peixes. Dividiam a produção segundo as necessidades de cada um. Viviam ordeiramente, regidos pela fé e pelo trabalho.
1932 foi um ano de terrÃvel seca. O Governo Federal criou um campo de concentração no Muriti, periferia de Crato, para abrigar as vÃtimas do flagelo. Ali, os camponeses deveriam receber alimentação e assistência médica evitando o êxodo para a capital do Estado. Na verdade, registraram-se no campo de concentração revoltas dos flagelados e surtos de epidemia. Enquanto isso, no SÃtio Caldeirão os camponeses produziam as ferramentas de trabalho, roupas e calçados. Não faltou comida e muitas pessoas, das localidades vizinhas, tiveram a fome saciada com os alimentos produzidos pelo Beato Zé Lourenço e seus seguidores.
Os fazendeiros alardeavam que o Caldeirão seria um futuro Arraial de Canudos. Isso causava preocupação até ao clero católico. PolÃticos, fazendeiros e autoridades fizeram parceria para destruir a experiência comunitária do Caldeirão. No dia 11 de setembro de 1946 veio a primeira expedição policial: 400 casas, roçados e engenho foram destruÃdos. A segunda expedição concluiu a destruição. Segundo o historiador João Mauro de Araújo: “Em 11 de maio de 1937, um ruÃdo no céu da Chapada do Araripe assustou os camponeses ligados ao Beato. Com medo, eles tentavam se esconder entre as árvores enquanto máquinas voadoras deslizavam pelos ares daquela região do Cariri. Homens, mulheres e crianças fugiam de algo que, com certeza, viam pela primeira vez. O desespero foi ainda maior quando os aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) começaram a metralhar. Muitos ali devem ter sussurrado o derradeiro Pai-Nosso. Outros nem tiveram tempo para tantoâ€. Terminava aà a experiência comunitária do Beato Zé Lourenço…
fonte: Urca.