O Mito de Origem
O mito é muitas vezes compreendido em oposição ao racional, ao lógico, mas tem função de lei e ordem dentro de uma certa tradição. Foram os antropólogos, no começo do século passado, os primeiros a mostrarem como os mitos não só nada tinham de irracional, mas funcionavam enquanto organizadores das sociedades onde eram cultuados. Diferentemente de um plano imanente, o mito de origem tem valor de verdade, e traz por isso significado e normas de conduta para as mais diferentes atividades humanas.
Não se está tomando aqui o mito em sua vertente religiosa, transcendental, como apontam estudos e publicações inspirados em Mircea Eliade ou Joseph Campbell, dois importantes estudiosos dos mitos. Importa aqui estabelecer as relações entre a função do mito de origem, e sua busca, junto ao funcionamento social de grupos e indivÃduos que partilham do mesmo espaço, seja fÃsico ou virtual. Assim como para Mauss, entende-se aqui a extensão do indivÃduo nos mitos que partilha, onde ele e seu tótem são uma coisa só, indistinta. Essa contribuição ao entendimento nada atomizado do indÃviduo participa de uma visão polÃtica que combate não só a falsa meritocracia liberal, bem como chama atenção para a relação entre seres viventes e não viventes, ou sobre o que é lixo nas coisas que detêm projetos humanos depositados.
Esse complexo conjunto composto de indivÃduo (pessoa, persona), necessariamente social, meio onde vive e ação que efetua foram entendidos, tanto em filosofia como psicanálise, como individuação. Buscando entender as motivações dessa individuação, sugerimos aqui a leitura de clássicos da antropologia, como Malinowski, que, na visão de Marcos Lanna, é autor de uma teoria individualista da cultura, bem como de Simondon, que publicou em 1969 a segunda parte de sua tese de doutorado: L’individuation psychique et collective, tendo acessÃveis em inglês as traduções de IndivÃduo e sua Gênese Psico-Biológica part1 e part2.
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April 2, 2008 @ 12:34 am
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