Submidialogia - síntese October 23, 2006
Posted by felipefonseca in : Egonet , trackbackOs pontos principais da submidialogia2, pra mim:
Conversas orgânicas
Ao fim do último dia, depois de agradecer a todos os apoios, patrocínios e ajudas, falei ainda uma última coisa: que tinha sido o evento mais brasileiro do qual eu participei nos últimos anos. Muito dessa impressão rolou por causa da organicidade das conversas: o programa serviu menos como guia do que inspiração para os debates, que começavam entre duas ou três pessoas e iam crescendo. Os melhores debates, pelo menos, começaram assim. Algumas vezes, nem chegávamos a entrar para alguma sala - boas conversas rolaram no quintal e na escada.
Se por um lado esse formato inibiu um pouco as apresentações objetivas, por outro possibilitou conversas realmente profundas, como eu não via há tempos. Roupa suja foi lavada, idéias novas surgiram, a necessidade de maior integração operacional entre projetos de governo foi levantada. Questionaram-se fronteiras, democracia representativa, papel do governo, organização formal de projetos, política em sentido amplo e mais um monte de coisas.
Quando a mediação das conversas se fazia necessária, adotamos uma moderação dinâmica, quase tribal. Alguém proclamava-se moderador e ocupava o papel até ser ignorado e outra pessoa assumi-lo. A mínima hierarquia que surgiu era totalmente mutante. A desvantagem clara desse formato - modera quem grita mais alto - é que dificulta que uma mulher modere. Mas acho que a coerência surge coletivamente, de qualquer forma. Gostei do nível de envolvimento das pessoas nos debates, e acho que na medida do possível abriu-se espaço para diferentes perspectivas sobre tudo. Talvez tenhamos chegado perto, intuitivamente, do modelo de desconferência, ou talvez estivéssemos propondo outra coisa.
O fato foi que não fomos muito objetivos. Há um tempo, eu tinha sugerido na lista que tentássemos focar a submidialogia2 em ser uma instância mais propositiva, que saíssemos de lá com respostas. Longe disso. O momento não era esse. Precisamos de rituais de celebração, de convivência, de aprofundamento de laços sociais. Precisamos de momentos em que estamos aprendendo juntos, não só replicando para outrxs. Precisamos criar nossos mitos.
Tradução zero
O fato de só ter um gringo que não falava português não desculpa o fato de que não preparamos nenhuma estrutura organizada de tradução simultânea dos debates. A apresentação do Volker foi traduzida de improviso pela brava Drica Veloso, convocada de supetão em cima da hora. Mas ele deixou de contribuir com todas as outras conversas. Temos que pensar direito nisso.
Nenhum respeito por horário mesmo
Talvez pros próximos eventos a gente possa ser realista e só propor atividades para a tarde. Talvez
começar com aquecimento pelas 11, mas nada antes disso.
Paralelismos
Aqui uma opinião pessoal: a oficina GESAC no cais do parto, que rolou em paralelo, atravessou um pouco o samba. Sei que foram importantes, mas acabava que a galera colava no centro Luiz Freire no meio da tarde, já cansados e dispersando.
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