…cyrano disse,

13.08

Mudei.

Filed under: micropolítica — cyrano @ 22:22

Migrei de volta.

http://cyranodisse.blogspot.com

“adeus”. :)

5.06

Curioso.

Filed under: micropolítica — cyrano @ 16:22

Nunca tinha reparado que as palavras “poder” e “podre” eram tão próximas.

1.06

Camões, Camões…

Filed under: micropolítica — cyrano @ 18:15

Vestibular da Universidade da Bahia cobrou dos candidatos a
interpretação do seguinte trecho de poema de Camões:

Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói e não se sente,
é um contentamento descontente,
Dor que desatina sem doer.

Uma vestibulanda de 16 anos deu a sua interpretação:

Ah! Camões, se vivesses hoje em dia,
Tomavas uns antipiréticos,
Uns quantos analgésicos
e Prozac para a depressão.
Compravas um computador,
Consultavas a Internet
E descobririas que essas dores que sentias,
Esses calores que te abrasavam,
Essas mudanças de humor repentinas,
Esses desatinos sem nexo,
não eram feridas de amor,
Mas somente falta de sexo!

Ganhou nota dez. Foi a primeira vez que, ao longo de mais de 500 anos, alguém desconfiou que o problema de Camões era falta de mulher…

Roubei do abandonado dicionário do Zé.

Homenagem.

Filed under: micropolítica — cyrano @ 17:51

Foi assim que, em poucos instantes, um suave campo de morangos se prolongou ao redor da vida.

30.05

De novo.

Filed under: micropolítica, zen — cyrano @ 18:03

Postar a mesma coisa de novo não é, necessariamente, postar a mesma coisa de novo. Estou pronto pra outra, venha, vamos repetir: recomecemos.

Escrever a n, n-1, escrever por intermédio de slogans: Faça rizoma e nunca raiz, nunca plante! Não semeie, pique! Não seja nem uno nem múltiplo, seja multiplicidade! Faça a linha e nunca o ponto! A velocidade transforma o ponto em linha! Seja rápido, mesmo parado! Linha de chance, jogo de cintura, linha de fuga. Nunca suscite um General em você! Nunca idéias justas, justo uma idéia (Godard). Tenha idéias curtas. Faça mapas, nunca fotos nem desenhos. Um rizoma não começa nem conclui, ele se encontra sempre no meio, entre as coisas, inter-ser, intermezzo. A árvore é filiação, mas o rizoma é aliança, unicamente aliança. A árvore impõe o verbo “ser”, mas o rizoma tem como tecido a conjunção “e…e…e…” Há nessa conjunção força suficiente para sacudir e desenraizar o verbo ser. Para onde vai você? De onde você vem? Aonde quer chegar? São questões inúteis. Fazer tabula rasa, partir ou repartir de zero, buscar um começo, ou um fundamento, implicam uma falsa concepção da viagem e do movimento (metódico, pedagógico, iniciático, simbólico…). Algumas pessoas têm outra maneira de viajar e também de se mover, partir do meio, pelo meio, entrar e sair, não começar nem terminar. É que o meio não é uma média; ao contrário, é o lugar onde as coisas adquirem velocidade. Entre as coisas não designa uma correlação localizável que vai de uma para outra e reciprocamente, mas uma direção perpendicular, um movimento transversal que as carrega uma e outra, riacho sem inicio nem fim, que rói suas duas margens e adquire velocidade no meio.

– Mil Platôs, de deleuze e guattari.

16.05

Tranquilizante.

Filed under: micropolítica, zen — cyrano @ 16:46

Nunca me pensei dizendo coisas usando palavras bregas desse jeito. Deve ser justamente por isso que as escrevi agora:

Marcot, quando eu disse “marca do Espetáculo: faça o que eu digo, não faça o que eu faço”, não lancei uma sugestão. O que eu disse foi apenas que a marca do Espetáculo é essa. Um slogan. Uma prática discursiva, que dá as voltas em si mesma, não interfere em nada na vida de quem a pratica — a não ser, talvez, por cercar o chão com alguns limites. Você faz um filme sobre movimentos de ocupação, por exemplo, mas é um cineasta e continuará sendo cineasta. Ou trabalha em uma ONG e conhece muita gente de trajetórias de vida quase inacreditáveis, ou de tão inesperadas, ou de tão sofridas, mas continuará sendo uma pessoa que trabalha em uma ONG. Viaja depois que guardou dinheiro, pois lá para onde você vai será preciso ir em restaurantes, lanchonetes, supermercados, lojas de artesania local… Ah, e tem que ir nos pontos turísticos; o óbvio nunca o será o bastante? Todo lugar tem pontos turísticos, e as pessoas que vivem na região nunca os conhecem. Por que será…

A sociedade se apresenta o tempo todo como Espetáculo, e convida você a solicitar e ocupar um papel social, como se diz. Um papel no Espetáculo. É isso que é a sociedade: o senso comum e o olhar que seu colega de trabalho te lança quando você diz “quero trabalhar 4 horas e não 8″, é o pretenso mercado de trabalho com suas pretensas vontades, são as universidades, os jornais, os cineastas, os dançarinos de vanguarda e os movimentos sociais, e é isso, papéis no Espetáculo, o que eles têm a nos oferecer.

Mas não sou anjo do apocalipse: é sempre bom lembrar que, aceitando, continuamos fazendo o que quisermos, qualquer coisa, literalmente. Bom, talvez não tão literalmente, afinal somos incapazes de sair voando por aí. Mas sentimos quando estamos nos fazendo, ou sendo feitos, de estúpidos. E sempre podemos optar, e inclusive optar por coisa alguma: isso é o mais importante.

Não se trata de uma idéia, uma teoria, um saber. É simplesmente uma prática. É o Zen: sentar-se. Sentar-se — e mais nada.

15.05

Aviso antes que tédio.

Filed under: academialivre, micropolítica — cyrano @ 12:59

Marca do Espetáculo: faça como eu digo mas não faça como eu faço.

27.04

Próximos stencils.

Filed under: micropolítica — cyrano @ 21:30

Tem dois. O primeiro, do velhinho, vou fazer. O segundo, peço comentários. Faço ou não faço essa homenagem à unidade que me acolhe há tantos anos?

18.04

Ah…

Filed under: micropolítica — cyrano @ 14:29

O quereres (Caetano Veloso)

Onde queres revólver, sou coqueiro
E onde queres dinheiro, sou paixão
Onde queres descanso, sou desejo
E onde sou só desejo, queres não
E onde não queres nada, nada falta
E onde voas bem alta, eu sou o chão
E onde pisas o chão, minha alma salta
E ganha liberdade na amplidão

Onde queres família, sou maluco
E onde queres romântico, burguês
Onde queres Leblon, sou Pernambuco
E onde queres eunuco, garanhão
Onde queres o sim e o não, talvez
E onde vês, eu não vislumbro razão
Onde queres o lobo, eu sou o irmão
E onde queres cowboy, eu sou chinês

Ah! bruta flor do querer
Ah! bruta flor, bruta flor

Onde queres o ato, eu sou o espírito
E onde queres ternura, eu sou tesão
Onde queres o livre, decassílabo
E onde buscas o anjo, sou mulher
Onde queres prazer, sou o que dói
E onde queres tortura, mansidão
Onde queres um lar, revolução
E onde queres bandido, sou herói

Eu queria querer-te amar o amor
Construir-nos dulcíssima prisão
Encontrar a mais justa adequação
Tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e de viés
E vê só que cilada o amor me armou
Eu te quero (e não queres) como sou
Não te quero (e não queres) como és

Ah! bruta flor do querer
Ah! bruta flor, bruta flor

Onde queres comício, flipper-vídeo
E onde queres romance, rock’n roll
Onde queres a lua, eu sou o sol
E onde a pura natura, o inseticídio
Onde queres mistério, eu sou a luz
E onde queres um canto, o mundo inteiro
Onde queres quaresma, fevereiro
E onde queres coqueiro, eu sou obus

O quereres e o estares sempre a fim
Do que em mim é de mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal
Bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente pessoal
E eu querendo querer-te sem ter fim
E, querendo-te, aprender o total
Do querer que há e do que não há em mim

6.04

Esquizoanálise.

Filed under: aliados, micropolítica — cyrano @ 15:58

Respeitável público,
Foi lamentável o que aconteceu:
Aquele que prometeu era outro
E não eu.
Isso porque sou vários,
Ou no mínimo dois
Aquele que diz antes
E o que nega depois.
Minha cara dama,
Há um grande equívoco:
Quem te amou foi o boneco,
Eu sou o ventríloquo.

Perturbe!

5.04

Que musiquinha bonita.

Filed under: micropolítica — cyrano @ 15:32

E eu na pilha de aprender a fazer pão pra ganhar a vida nos próximos tumultuosos tempos…

Drão (Gilberto Gil)

Drão
O amor da gente é como um grão
Uma semente de ilusão
Tem que morrer pra germinar
Plantar nalgum lugar
Ressuscitar no chão
Nossa semeadura
Quem poderá fazer
Aquele amor morrer!
Nossa caminhadura
Dura caminhada
Pela estrada escura

Drão
Não pense na separação
Não despedace o coração
O verdadeiro amor é vão
Estende-se, infinito
Imenso monolito
Nossa arquitetura
Quem poderá fazer
Aquele amor morrer!
Nossa caminha dura
Cama de tatame
Pela vida afora

Drão
Os meninos são todos sãos
Os pecados são todos meus
Deus sabe a minha confissão
Não há o que perdoar
Por isso mesmo é que há
De haver mais compaixão
Quem poderá fazer
Aquele amor morrer
Se o amor é como um grão!
Morrenasce, trigo
Vivemorre, pão

Drão

3.04

Quem tem boca…

Filed under: micropolítica — cyrano @ 12:04

Vai pra Christiania?!

Faz um tempo, mandei e-mail pra uma galera dessa comunidade porque eles tinham aberto uma espécie de “edital” pra visitantes. Não recebi resposta, e na semana passada eu mandei e-mail de novo xingando eles por não terem nem mandado uma resposta qualquer, tipo “oi, lemos sua carta, achamos legal e você parece uma pessoa bacana. mas não vai rolar”. Carente mesmo, porra, foi uma puta confidência que mandei, contando um mondicoisa da minha vidinha, e num me respondem nada? Pô!

Bom, aí então eu recebi uma resposta:

Dear Daniel (aka. Cyrano)

Thanks for your application to CRIR. We are happy to inform you that your proposal has been accepted and we are looking forward to having you stay in the residency. In relation to this we need to find some dates and probably discuss how and what is possible. You mention working simultaneously and this would be no problem for us, maybe we can be of assistance, but I don’t know of any social-economic systems here in DK maybe Emmerik who is living in Christiania knows. We will also get back to you about the practical details when we have found some dates for your stay.

All the best
Nis Rømer
on behalf of the CRIR group

É isso. Basicamente, disseram que eu fui aprovado pra ir lá visitar eles por uns tempos. Segue o bonde! :D

31.03

Filed under: aforismos, micropolítica — cyrano @ 17:51

Aos que perguntam frequentemente. — Sinto repetidamente a vontade de responder, com o rosto ou com o silêncio, “não tenho opinião formada sobre isto”. É que a opinião, quando toma forma, já não me serve para absolutamente nada.

30.03

Pra fins de registro.

Filed under: micropolítica — cyrano @ 22:45

O Guattari respondeu a um entrevistador, uma vez (e com algum incômodo), que não tinha nada a ver com essa história de “libertação do desejo pelo desejo”… Parece que o João Bosco concorda.

A Nível De (João Bosco & Aldir Blanc)

Vanderley e Odilon
são muito unidos
e vão pro Maracanã
todo domingo
criticando o casamento
e o papo mostra
que o casamento anda uma bosta…
Yolanda e Adelina
são muito unidas
e fazem companhia
todo domingo
que os maridos vão pro jogo.
Yolanda aposta
que assim a nível de Proposta
o casamento anda uma bosta
e a Adelina não discorda.
Estruturou-se um troca-troca
e os quatro: hum-hum… oqué… tá bom… é…
Só que Odilon, não pegando bem a coisa,
agarrou o Vanderley e a Yolanda ó na Adelina.
Vanderley e Odilon
bem mais unidos
empataram capital
e estão montando
restaurante natural
cuja proposta
é cada um come o eu gosta.
Yolanda e Adelina
bem mais unidas
acham viver um barato
e pra provar
tão fazendo artesanato
e pela amostra
Yolanda aposta na resposta.
E Adelina não discorda
que pinta e borda com o que gosta.
É positiva essa proposta
de quatro: hum-hum… oquéi… tá bom… é…
Só que Odilon
ensopapa o Vanderley com ciúme
e Adelina dá na cara de Yoyô…
Vanderley e Odilon
Yolanda e Adelina
cada um faz o que gosta
e o relacionamento… continua a mesma bosta!

27.03

Uma lição simples que química.

Filed under: metacafe, metareciclagem, micropolítica — cyrano @ 12:40

Relendo coisas antigas concordei comigo mesmo e hoje posso dizer melhor uma coisa que nunca pensei, mas digo que pensei assim mesmo.

Estou me referindo, estou me referindo… Digamos…, sei lá, a Tabela Periódica. Temos lá, Tungstênio. Ele é um átomo e não é divizível (a menos que você queira gerar uma explosão atômica, e como você é uma pessoa civilizada você não vai querer fazer isso). Pois bem. Temos também o, sei lá, Mamãolênio, outro átomo indivizível. Os dois podem combinar-se, fazer mil e uma coisas. Mas estão ali na tabela, são indivizíveis. E são, com eles, os outros vários elementos elementares e indivizíveis do nosso mundo, que são capazes de gerar tudo que conhecemos. Muita coisa, não? N possibilidades, talvez?

Pois bem. Imaginem elemento elementar algum. Mamãolênio não existe, as “coisas” que o compõem muito bem mudam, viram outras coisas, combinam-se ainda com mais outras coisas, e podem inclusive tornar-se e desmanchar-se em algo que não sabemos que nome dar e que então resolvemos chamar de… coisa. Pra mudarem no instante seguinte. Uma tabela caótica e instável de átomos, formando ligações caóticas que formam tudo que conhecemos e imaginamos. Uma tabela periódica que deixa de existir a todo momento, se parte, se mistura, se desrecompõe o tempo todo. O que seria isso? Certamente não poderia dizer, apenas, n possibilidades…

Pois é isso. Somos essa tabela. E o mundo somos nós. Somos tabela alguma (e podemos nos transformar em qualquer uma, a qualquer momento).

Criatividade não precisa de limites, precisa é de alimento.

Next Page »

Powered by WordPress

FireStats icon Produzido pelo FireStats