Pra ler depois.
Um catado de linqs e homenagem póstuma a um tal de Ricardo Rosas.
uau! Na comunidade sobre Christiania no Yorgut falaram de uma comunidade autogestionada no Uruguai:
Os caras começaram a experiência deles antes de Christiania, na década de 50. Fino… É óbvio que vou entrar em contato pra visitá-los! :D
Tem uma entrevista muito bacana, e coloco uma pequena parte aqui:
Comunidad del Sur – O projeto foi iniciado na década de 1950 por um grupo pequeno de estudantes da Escola de Belas Artes daqui de Montevidéu, num momento em que o Uruguai vivia uma crise socioeconômica bastante aguda. Nesse contexto de crise, muitas pessoas foram se juntando para sobreviver e mudar os rumos de suas vidas. Começaram a surgir muitas iniciativas autogestionárias, nas artes plásticas, no teatro, nas organizações de bairro, nas cooperativas de trabalho. Nesse momento nós tÃnhamos um grupo de discussão de escritos anarquistas, em que debatÃamos idéias de Pierre-Joseph Proudhon, Mikhail Bakunin, Piotr Kropotkin, Max Stirner, Martin Buber, Gustavo Landauer, Luce Fabbri. Pensamos, então, num modo de transformar nossas vidas pessoais, passando de uma crÃtica da sociedade capitalista à ação direta. QuerÃamos acabar com a injustiça, o desequilÃbrio, a falsidade das relações e criar uma forma de vida alternativa, tanto no trabalho como na educação, no consumo, um cooperativismo integral. Não podÃamos apenas ficar no espÃrito de consciência crÃtica, querÃamos mudar, transformar as nossas vidas. QuerÃamos mostrar à humanidade o caminho para uma vida saudável e lúcida. A idealização dessa nova sociedade consumou-se, de certa forma, na fundação da Comunidad del Sur em 1955.
Tivemos que aprender a gerir uma empresa em termos econômicos e a organizar os vários aspectos da vida numa perspectiva libertária, que tinha em conta algumas experiências anteriores: a experiência das coletividades anarquistas da Revolução Espanhola e da Comunidade Cristiana, por exemplo.
Relendo.
O burguês é, pois, segundo sua natureza, uma criatura de impulsos vitais muito débeis e angustiosos, temerosa de qualquer entrega de si mesma, fácil de governar. Por isso colocou em lugar do poder a maioria, em lugar da autoridade a lei, em lugar da responsabilidade as eleições.
– Herman Hesse, O Lobo da Estepe.
Relendo coisas antigas concordei comigo mesmo e hoje posso dizer melhor uma coisa que nunca pensei, mas digo que pensei assim mesmo.
Estou me referindo, estou me referindo… Digamos…, sei lá, a Tabela Periódica. Temos lá, Tungstênio. Ele é um átomo e não é divizÃvel (a menos que você queira gerar uma explosão atômica, e como você é uma pessoa civilizada você não vai querer fazer isso). Pois bem. Temos também o, sei lá, Mamãolênio, outro átomo indivizÃvel. Os dois podem combinar-se, fazer mil e uma coisas. Mas estão ali na tabela, são indivizÃveis. E são, com eles, os outros vários elementos elementares e indivizÃveis do nosso mundo, que são capazes de gerar tudo que conhecemos. Muita coisa, não? N possibilidades, talvez?
Pois bem. Imaginem elemento elementar algum. Mamãolênio não existe, as “coisas” que o compõem muito bem mudam, viram outras coisas, combinam-se ainda com mais outras coisas, e podem inclusive tornar-se e desmanchar-se em algo que não sabemos que nome dar e que então resolvemos chamar de… coisa. Pra mudarem no instante seguinte. Uma tabela caótica e instável de átomos, formando ligações caóticas que formam tudo que conhecemos e imaginamos. Uma tabela periódica que deixa de existir a todo momento, se parte, se mistura, se desrecompõe o tempo todo. O que seria isso? Certamente não poderia dizer, apenas, n possibilidades…
Pois é isso. Somos essa tabela. E o mundo somos nós. Somos tabela alguma (e podemos nos transformar em qualquer uma, a qualquer momento).
Criatividade não precisa de limites, precisa é de alimento.
FF deu o sinal, fiz bem em visitar seu blogue pra passear. Achei esse escrito do Sérgio Rosa sobre metarec, um catado muito bacana. Se até hoje cê num entendeu, taà um bom link pra começar a entender o que é metareciclagem!
Não sei se vai funcionar como antÃdoto pras redundâncias, mas não custa nada tentar:
Acho que, a partir do momento que já sabemos como são nossos fantasmas, não precisamos dar tanta atenção a cada notÃcia que reafirma o quanto eles são sombrios.
Se não a gente começa a achar que eles são realmente assim.
E a gente sabe que a realidade é um monte de coisa, né? Um montão. Mesmo. Muito mais do que a gente consegue imaginar.
Por mais que fume, beba, trepe ou pense. Não necessariamente nessa ordem, não necessariamente ao mesmo tempo. Mas por mais que tente.
Muita, montão de coisa. Mais do que a gente sabe.
…A gente sabe disso, não sabe?
:)
Uma visitante comentou:
Cyrano,
mesquinharia foi ótimo!
Ai de nós, designers, que não fossemos mesquinhos com os nossos projetos, conceitos e layouts!Abraço
Ela tava se referindo a isso daqui.
Ao que eu, com minha paciência e pedagogia de costume, respondi:
Oi Daniele!
Ai de vocês mesmo… A gente vive numa sociedade que se convence que precisa de técnicos. Mas técnicos como os designers, ou melhor, quaisquer técnicos, são absolutamente insignificantes e inúteis. Vocês não tem autoridade nenhuma, seu “conhecimento” não vale nada. Ou melhor: não vale nada sozinho. A única coisa que vocês aprendem na universidade é a ter um corporativismo de classe, e a subir no banquinho para dizer “sou um profissional!”, como se isso te fizesse mais inteligente, melhor ou mais competente que outra pessoa qualquer. Não podemos espalhar por aà que qualquer um pode fazer design, por exemplo, que qualquer um pode aprender qualquer coisa, e que não é necessário cobrar pra ensinar. PoderÃamos fazer muitas coisas, ser pescador pela manhã, marceneiro de dia, professor de noite… Mas como você acha que cada pessoa tem que trabalhar numa profissão só, ganhar seu dinheiro com um trabalho só, seguir sua vocação e blablabla, você nunca vai entender uma idéia maluca dessas. Eu sou garçom, cozinheiro, designer, professor de yoga, filósofo, técnico de informática e mecânico. Quero ser pedreiro também, e agricultor. Entendeu? Aposto que não. Ninguém precisa de muito dinheiro pra viver. Mas vocês acham que sim. Ninguém precisa de uma tv digital, mas vocês acham que sim. Ninguém precisa ter carro do ano, mas vocês acham que sim. E ninguém precisa pagar técnicos pra criar algo e vender, nem precisa fingir que criou qualquer coisa que seja do nada, por brotação espontânea. Mas vocês, e todos os que acreditam na crença do “direito autoral”, acham que sim. Não me importa. Eu, e os meus, não precisamos de vocês. Produzimos nosso conhecimento, e ele circula. O conhecimento queria ser livre. Nós o libertamos. Em outras palavras: nós vencemos.
Abraço.
Seria possÃvel imaginar uma arte que não tivesse nada a ver com pessoas?
Seria possÃvel imaginar uma arte que não tivesse nada a ver com outras pessoas?
Seria possÃvel imaginar uma arte que não tivesse nada a ver com situações concretas?
Seria possÃvel imaginar a existência de situações concretas sem a existência de coisas?
Seria possÃvel imaginar situações concretas com pessoas onde o comportamento das pessoas não tivesse importância?
Não faz sentido falar sobre arte sem imaginar pessoas, seu comportamento, coisas e situações concretas. Quando se quer falar sobre arte, precisa-se portanto falar sobre: pessoas e seu comportamento com outras pessoas e coisas em situações concretas. Com a condição de que essas pessoas estejam realmente praticando esse comportamento literalmente, então tem-se que imaginar que elas estão experimentando isso como algo significante. Daà segue que é preciso falar sobre: pessoas e seu comportamento significante com outras pessoas e coisas em situações concretas. Há razão em presumir que isso sempre ocorra quando alguém fala sobre arte. De outro modo, alguém poderia acabar imaginando:
arte que não tem nada a ver com pessoas
arte que ninguém acha significante e que, portanto, não tem importância nenhuma
arte que não tem nada a ver com o comportamento das pessoas
arte que não tem nada a ver com outras pessoas
arte que não tem nada a ver com coisas
arte que não tem nada a ver com situações concretas
arte que não tem nada a ver com pessoas e seu comportamento, nem com a falta de sentido, nem com outras pessoas, coisas e situações concretas.
Então agora nós sabemos que:
quando alguém fala sobre arte, tem que falar necessariamente sobre:
Pessoas e seu comportamento significante com outras pessoas e coisas em situações concretas
ou sobre fatores correspondentes, com o mesmo significado e necessariamente com as mesmas relações.
Esse conhecimento nos permite falar sobre arte de uma maneira que faz sentido, e sem permitir que concepções habituais, convenções sociais e concentrações de poder possam ter um papel decisivo em nossas experiências.
Notas: (more…)
Vou tentar fazer e se ficar bonito posto as fotos aqui.
- Usando um papel de 75 gr para o miolo
- A capa pode ser um papelão de 1,6 mm
- Imprimir algo em um papel bonito e cola no papelão.
- para segurar tudo, tu fura ele com aqueles furadores simples de 2 furos e passa um barbante de sizal ou alguma coisa bonita para finalizar.
Verbete: amor.
Zona de cruzamento entre o “eu” e o “tu”.
Christiania é uma coisa que me deu vontade de chorar. Resumiram sua história em uma experiência, artÃstica, de ocupação de zona militar abandonada em Copenhague. Saiu notÃcia numa revista alternativa, e a exposição artÃstica virou dia de festa.
Resultado: a comunidade existe há 33 anos, já teve problemas com drogas e muitos mais com os polÃticos e a mÃdia. Estão ameaçados de extinção, como sempre, pois o governo está discutindo uma formalização da área em propriedades privadas (que, nesses últimos 33 anos, não existiram ali). Se organizam em conselhos que decidem as coisas por consenso, e abriram uma espécie de seleção para artistas, pesquisadores e acadêmicos irem lá morar um tempo na comunidade. Deve ser um lugar bem interessante!
Como vi que eles assam o próprio pão, resolvi mandar um e-mail autoconvidativo pra ficar lá uns tempos. E tou torcendo muito pra que respondam. A data-limite era 20 de fev…
Acendam velas aÃ!
JurÃdico. MetaCafé. Coisas importantes de se saber sobre OSCIPs, ONGs, etc.
http://www.planejamento.mg.gov.br/governo/choque/oscip/oscip.asp
primeiro o miguel:
Sobre o tag ainda não amadureci a idéia, infelizmente sempre ficamos a mercê das estruturas capitalistas. Esse tag pelo que entendi seria uma marca ou algo parecido. Hoje temos registrado duas marcas, Mundo paralelo ainda está em fase de registro. Consol e Ecos são nossas marcas mais tradicionais. Ambas custaram caro, o registro de uma marca está em torno de 5 mil reais.Na verdade pensamos “Mundo Paralelo” ser muito mais que uma marca e sim um conceito que alie a economia solidária a toda a questão cultural, software livre e demais temas de luta. Com a implantação do sitio na internet (previsto para o mês de abril), vamos poder repassar um pouco do que estamos pensando a médio e longo prazos.
Sobre nossa estrutura, não somos um restaurante, somos um bar, mas que tem uma estrutura maior por conta de organizarmos eventos, discussões e juntar uma tribo bem grande. Estamos organizando para o dia 8 de março um Sarau para o dia de luta das Mulheres. A idéia é reunir mais de 200 pessoas no bar. Estamos também organizando um evento com a galera do Software livre para abril e ainda em março queremos viabilizar um evento com o povo das produções independentes, até já temos o nome (Aguas de março).
Esse povo aqui do sul é meio doido, não liga, mas voltando ao tag. Quero entender melhor a proposta, se puder me passando informações, acho que temos que ver se nossa estrutura se encaixa na proposta de vocês. A aproximação é boa.
Abraços
Miguel Steffen
agora eu:
Oi Miguel,
a idéia da “marca” é a seguinte: utilizar, da mesma forma que os capitalistas, um sÃmbolo que possa ser levado além. Pra várias bandas. Você vai pro TIbet e lá encontra um mcdonald com a mesma arquitetura, sabores, cores e seu sÃmbolo, que vc encontraria em um chópim de porto alegre. Aliás, mais ou menos a mesma coisa acontece com os chópims, né?
Bom, mas usarÃamos isso a nosso favor. Uma tag, seja ela “metacafé”, “mundo paralelo”, se for usada repetidamente, torna-se um signo né. Se agente trabalha ela, divulga, faz folder, explica nossas idéias, vai criando esse signo. E os espaços que se identificam, compartilham uma ética, princÃpios, desejos, usariam esse signo e o controlariam, controlariam seu uso, os métodos de uso, os valores que querem agregar nele, tudo coletivamente. como se fizéssemos um mcdonald copyleft, que ao invés de gerar redundâncias em diversos pontos no mundo, assolapando culinárias e tudo o mais, fizéssemos justamente o contrário. Dizem eles, “somos iguais em qualquer lugar”. Nós dizemos “somos livres para sermos diferentes entre nós, e nos amamos”.
Pegou a idéia?
Visita o wiki do metacafé. A gente poderia usar a marca de vocês, “Mundo paralelo”, como tag. Aà o espaço que criaremos aqui em bh, nosso primeiro, se chamaria “metacafé: mundo paralelo” ou algo do tipo, o restaurante das meninas de arraial dajuda, mesma coisa… o nome do restaurante delas + nossa tag, que decidiremos juntos.
Uai, precisa registrar marca, cara? Eu fiz o wiki do MetaCafé e escolhi uma licença creative commons, e todo o conteúdo gerado no wiki está automaticamente licenciado sob ela. Supus, talvez ingenuamente, que a marca, a logo que criamos, também estivesse protegida. Será que não?!
ai ai ai.
abraços!
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