…cyrano disse,

1.06

Lindo. Lindo. Lindo.

Filed under: metacafe — cyrano @ 16:55

Eu já falei deles aqui nesse blogue, nalgum lugar. Vai de novo, que depois de muito tempo eu revisitei o site e tá mais bonito, arrumado, com mais informações. E continua me convencendo de que realmente faz o que diz. Isso é o mais lindo de tudo.

Guaraná Power pras pessoas! :)

Informações

A Fundação Poder é a empresa produzindo o refrigerante Guaraná Power.
Sua equipe atual consiste em:
Bjørnstjerne Christiansen, Rasmus Nielsen and Mikael Schustin.

Metas

Quando produz mercadorias, a economia é basicamente dividida em três campos:

1. Produção de matéria-prima.
2. Manufatura da matéria-prima em mercadorias e venda para lojas.
3. Distribuição e venda da mercadoria ao consumidor.

A maior parte dos ganhos cai em dois campos:

Manufatura e Distribuição.

Já que os produtores de matéria-prima raramente dominam esses campos, eles ficam com a menor parte do ganho econômico.

Os produtores estão frequentemente em países em desenvolvimento e de baixa renda, com opções limitadas para mudar essa divisão devido à falta de fundos e leis restritas de patente e direitos autorais.

A Fundação Power busca mudar essas divisões e formulou algumas ações para atingir essa meta:

- Desenvolver meios de produção onde os produtores de matéria-prima (ex.: frutas, feijão, madeira, etc.) — principalmente de países em desenvolvimento — terão crescente influência na manufatura de matéria-prima e na distribuição.

- Produzir e distribuir produtos Guaraná Power e produtos relacionados ao Guaraná Power.

Que doido. E tem uma entrevista bacana, também.

5.04

Aliados!

Filed under: aliados, ativismo, metacafe, metareciclagem — cyrano @ 15:04

uau! Na comunidade sobre Christiania no Yorgut falaram de uma comunidade autogestionada no Uruguai:

A Comunidad del Sur!

Os caras começaram a experiência deles antes de Christiania, na década de 50. Fino… É óbvio que vou entrar em contato pra visitá-los! :D

Tem uma entrevista muito bacana, e coloco uma pequena parte aqui:

Comunidad del Sur – O projeto foi iniciado na década de 1950 por um grupo pequeno de estudantes da Escola de Belas Artes daqui de Montevidéu, num momento em que o Uruguai vivia uma crise socioeconômica bastante aguda. Nesse contexto de crise, muitas pessoas foram se juntando para sobreviver e mudar os rumos de suas vidas. Começaram a surgir muitas iniciativas autogestionárias, nas artes plásticas, no teatro, nas organizações de bairro, nas cooperativas de trabalho. Nesse momento nós tínhamos um grupo de discussão de escritos anarquistas, em que debatíamos idéias de Pierre-Joseph Proudhon, Mikhail Bakunin, Piotr Kropotkin, Max Stirner, Martin Buber, Gustavo Landauer, Luce Fabbri. Pensamos, então, num modo de transformar nossas vidas pessoais, passando de uma crítica da sociedade capitalista à ação direta. Queríamos acabar com a injustiça, o desequilíbrio, a falsidade das relações e criar uma forma de vida alternativa, tanto no trabalho como na educação, no consumo, um cooperativismo integral. Não podíamos apenas ficar no espírito de consciência crítica, queríamos mudar, transformar as nossas vidas. Queríamos mostrar à humanidade o caminho para uma vida saudável e lúcida. A idealização dessa nova sociedade consumou-se, de certa forma, na fundação da Comunidad del Sur em 1955.

Tivemos que aprender a gerir uma empresa em termos econômicos e a organizar os vários aspectos da vida numa perspectiva libertária, que tinha em conta algumas experiências anteriores: a experiência das coletividades anarquistas da Revolução Espanhola e da Comunidade Cristiana, por exemplo.

4.04

Fantástico!

Filed under: aliados, metacafe — cyrano @ 18:00

O famigerado deus-de-seis-bocas-e-oito-braços Tupi da Taba foi lá no MetaCafé linkar um site muito, muito bacana: o Open Source Food! (isso mesmo, comida de receitas abertas, tudo lá pra experimentar, votar, etc.)

Nó, vou navegar demais nesse site…

27.03

Uma lição simples que química.

Filed under: metacafe, metareciclagem, micropolítica — cyrano @ 12:40

Relendo coisas antigas concordei comigo mesmo e hoje posso dizer melhor uma coisa que nunca pensei, mas digo que pensei assim mesmo.

Estou me referindo, estou me referindo… Digamos…, sei lá, a Tabela Periódica. Temos lá, Tungstênio. Ele é um átomo e não é divizível (a menos que você queira gerar uma explosão atômica, e como você é uma pessoa civilizada você não vai querer fazer isso). Pois bem. Temos também o, sei lá, Mamãolênio, outro átomo indivizível. Os dois podem combinar-se, fazer mil e uma coisas. Mas estão ali na tabela, são indivizíveis. E são, com eles, os outros vários elementos elementares e indivizíveis do nosso mundo, que são capazes de gerar tudo que conhecemos. Muita coisa, não? N possibilidades, talvez?

Pois bem. Imaginem elemento elementar algum. Mamãolênio não existe, as “coisas” que o compõem muito bem mudam, viram outras coisas, combinam-se ainda com mais outras coisas, e podem inclusive tornar-se e desmanchar-se em algo que não sabemos que nome dar e que então resolvemos chamar de… coisa. Pra mudarem no instante seguinte. Uma tabela caótica e instável de átomos, formando ligações caóticas que formam tudo que conhecemos e imaginamos. Uma tabela periódica que deixa de existir a todo momento, se parte, se mistura, se desrecompõe o tempo todo. O que seria isso? Certamente não poderia dizer, apenas, n possibilidades…

Pois é isso. Somos essa tabela. E o mundo somos nós. Somos tabela alguma (e podemos nos transformar em qualquer uma, a qualquer momento).

Criatividade não precisa de limites, precisa é de alimento.

28.02

Arte e realidade.

Seria possível imaginar uma arte que não tivesse nada a ver com pessoas?

Seria possível imaginar uma arte que não tivesse nada a ver com outras pessoas?

Seria possível imaginar uma arte que não tivesse nada a ver com situações concretas?

Seria possível imaginar a existência de situações concretas sem a existência de coisas?

Seria possível imaginar situações concretas com pessoas onde o comportamento das pessoas não tivesse importância?

Não faz sentido falar sobre arte sem imaginar pessoas, seu comportamento, coisas e situações concretas. Quando se quer falar sobre arte, precisa-se portanto falar sobre: pessoas e seu comportamento com outras pessoas e coisas em situações concretas. Com a condição de que essas pessoas estejam realmente praticando esse comportamento literalmente, então tem-se que imaginar que elas estão experimentando isso como algo significante. Daí segue que é preciso falar sobre: pessoas e seu comportamento significante com outras pessoas e coisas em situações concretas. Há razão em presumir que isso sempre ocorra quando alguém fala sobre arte. De outro modo, alguém poderia acabar imaginando:

arte que não tem nada a ver com pessoas

arte que ninguém acha significante e que, portanto, não tem importância nenhuma

arte que não tem nada a ver com o comportamento das pessoas

arte que não tem nada a ver com outras pessoas

arte que não tem nada a ver com coisas

arte que não tem nada a ver com situações concretas

arte que não tem nada a ver com pessoas e seu comportamento, nem com a falta de sentido, nem com outras pessoas, coisas e situações concretas.

Então agora nós sabemos que:

quando alguém fala sobre arte, tem que falar necessariamente sobre:

Pessoas e seu comportamento significante com outras pessoas e coisas em situações concretas

ou sobre fatores correspondentes, com o mesmo significado e necessariamente com as mesmas relações.

Esse conhecimento nos permite falar sobre arte de uma maneira que faz sentido, e sem permitir que concepções habituais, convenções sociais e concentrações de poder possam ter um papel decisivo em nossas experiências.

Notas: (more…)

22.02

Acendendo velas.

Christiania é uma coisa que me deu vontade de chorar. Resumiram sua história em uma experiência, artística, de ocupação de zona militar abandonada em Copenhague. Saiu notícia numa revista alternativa, e a exposição artística virou dia de festa.

Resultado: a comunidade existe há 33 anos, já teve problemas com drogas e muitos mais com os políticos e a mídia. Estão ameaçados de extinção, como sempre, pois o governo está discutindo uma formalização da área em propriedades privadas (que, nesses últimos 33 anos, não existiram ali). Se organizam em conselhos que decidem as coisas por consenso, e abriram uma espécie de seleção para artistas, pesquisadores e acadêmicos irem lá morar um tempo na comunidade. Deve ser um lugar bem interessante!

Como vi que eles assam o próprio pão, resolvi mandar um e-mail autoconvidativo pra ficar lá uns tempos. E tou torcendo muito pra que respondam. A data-limite era 20 de fev…

Acendam velas aí!

19.02

Vixe, rapaz.

Filed under: metacafe, micropolítica — cyrano @ 20:07

Nó, quem não almoçou comigo hoje perdeu.

Fiz isso aqui, ó. Yakisoba divertido do Dani. :)

15.02

Logo do MetaCafé.

Filed under: metacafe, metareciclagem, micropolítica — cyrano @ 13:44

Fizemos. Chega. Num guento mais.

14.02

Linqs super importantes.

Filed under: ativismo, metacafe, metareciclagem, micropolítica — cyrano @ 13:16

Jurídico. MetaCafé. Coisas importantes de se saber sobre OSCIPs, ONGs, etc.

http://www.planejamento.mg.gov.br/governo/choque/oscip/oscip.asp

13.02

Aliados…

Filed under: aliados, ativismo, metacafe, metareciclagem, micropolítica — cyrano @ 18:31

Eu simplesmente AMO essa galera. Não conheço mas amo. :)

Um bar móvel.

Outro bar móvel!

Free Image Hosting at www.ImageShack.us

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Conversa boa.

Filed under: academialivre, metacafe, metareciclagem, micropolítica — cyrano @ 14:08

primeiro o miguel:

Sobre o tag ainda não amadureci a idéia, infelizmente sempre ficamos a mercê das estruturas capitalistas. Esse tag pelo que entendi seria uma marca ou algo parecido. Hoje temos registrado duas marcas, Mundo paralelo ainda está em fase de registro. Consol e Ecos são nossas marcas mais tradicionais. Ambas custaram caro, o registro de uma marca está em torno de 5 mil reais.Na verdade pensamos “Mundo Paralelo” ser muito mais que uma marca e sim um conceito que alie a economia solidária a toda a questão cultural, software livre e demais temas de luta. Com a implantação do sitio na internet (previsto para o mês de abril), vamos poder repassar um pouco do que estamos pensando a médio e longo prazos.

Sobre nossa estrutura, não somos um restaurante, somos um bar, mas que tem uma estrutura maior por conta de organizarmos eventos, discussões e juntar uma tribo bem grande. Estamos organizando para o dia 8 de março um Sarau para o dia de luta das Mulheres. A idéia é reunir mais de 200 pessoas no bar. Estamos também organizando um evento com a galera do Software livre para abril e ainda em março queremos viabilizar um evento com o povo das produções independentes, até já temos o nome (Aguas de março).

Esse povo aqui do sul é meio doido, não liga, mas voltando ao tag. Quero entender melhor a proposta, se puder me passando informações, acho que temos que ver se nossa estrutura se encaixa na proposta de vocês. A aproximação é boa.

Abraços

Miguel Steffen

agora eu:

Oi Miguel,

a idéia da “marca” é a seguinte: utilizar, da mesma forma que os capitalistas, um símbolo que possa ser levado além. Pra várias bandas. Você vai pro TIbet e lá encontra um mcdonald com a mesma arquitetura, sabores, cores e seu símbolo, que vc encontraria em um chópim de porto alegre. Aliás, mais ou menos a mesma coisa acontece com os chópims, né?

Bom, mas usaríamos isso a nosso favor. Uma tag, seja ela “metacafé”, “mundo paralelo”, se for usada repetidamente, torna-se um signo né. Se agente trabalha ela, divulga, faz folder, explica nossas idéias, vai criando esse signo. E os espaços que se identificam, compartilham uma ética, princípios, desejos, usariam esse signo e o controlariam, controlariam seu uso, os métodos de uso, os valores que querem agregar nele, tudo coletivamente. como se fizéssemos um mcdonald copyleft, que ao invés de gerar redundâncias em diversos pontos no mundo, assolapando culinárias e tudo o mais, fizéssemos justamente o contrário. Dizem eles, “somos iguais em qualquer lugar”. Nós dizemos “somos livres para sermos diferentes entre nós, e nos amamos”.

Pegou a idéia?

Visita o wiki do metacafé. A gente poderia usar a marca de vocês, “Mundo paralelo”, como tag. Aí o espaço que criaremos aqui em bh, nosso primeiro, se chamaria “metacafé: mundo paralelo” ou algo do tipo, o restaurante das meninas de arraial dajuda, mesma coisa… o nome do restaurante delas + nossa tag, que decidiremos juntos.

Uai, precisa registrar marca, cara? Eu fiz o wiki do MetaCafé e escolhi uma licença creative commons, e todo o conteúdo gerado no wiki está automaticamente licenciado sob ela. Supus, talvez ingenuamente, que a marca, a logo que criamos, também estivesse protegida. Será que não?!

ai ai ai.

abraços!

5.02

Caraca! Trabalhar com rizoma dá nisso!

Filed under: aliados, metacafe, metareciclagem, micropolítica — cyrano @ 16:24

beleza, tô descarregando as fotos aqui, eh que o acesso a internet ainda é meio punk, eu tenho que ir perto do ajuntamento pra pegar wifi emprestado dos caras, mas beleza, vamos colocar uns repetidores, assim que arrumarmos um jeito reciclado de fazer isso.

enfim, o lance é que oMosaico é meio que pra resumir o modelo todo, tipo, partes diferentes que formam uma parte de uma outra parte.

tipo MetaCafé pode ser uma das atividades do bioCentro.

Tem umas imagens e figuras, é que o lance ainda não tá conectado no 666 (www), tentamos mas muita coisa no físico pra fazer, daí o virtual acaba sendo fator secundário, mas a Teia ajudou a cadastrar no FISL o projeto, vão vê.

A primeira parte do projeto foi a “ocupação” temporária de grutas, divulgação e reconhecimento de biopontos ativos, pois existem muitos biopontos sem um biocentro, talvez seja também a estrutura do seu contexto um bioponto. depois das grutas fomos para a praia, a “playa nueva”, um espaço destruído pela especulação imobiliária, nos últimos 6 meses destruíram 30 casas e 90% das famílias que viviam nessa playa se foi, alegaram o cumprimento da lei de costas, falavam que as casas estavam muito perto do mar, derrubaram e com a proposta de levar para um albergue os moradores derrubaram suas casas, o albergue não estará finalizado antes de 2008, nesse contexto chegamos, viralmente Bioconectores iniciaram a falar e divulgar uma idéia, come-flor e punks em torno de fogueira iniciaram a trabalhar, cozinha comunitária, saunas de lua cheia e outras atividades iniciam a mostrar um novo contexto, bioCentro Playa Nueva, inicia a tomar consciência de si mesmo.

Migramos conectando mais agentes BioConectores até centros urbanos, onde turistas escutaram nossa música, nos deram seu dinheiro e seus ouvidos para o magnetismo do convite, sociedade alternativa no eterno agora, ao final de Angelo Debare a Brecht foi possível levantar uma grana e comprar comida pro BioCentro da comunidade El Pinar, a 1400 metros acima do nivel do mar, mais ou menos, tinhamos um organograma por cumprir.

Atividades anteriormente iniciadas, padaria comunitária, ainda submetida a pequenas oligarquias virtuais, como coágulos de indivudualização no contexto do bioponto, tentam subverter a idéia de produzir comum para uso comum, em um centro de amadurecimento do potencial de consumo individual, idéia totalmente contraditória com a proposta inicial, mas estamos superando e estudando soluções.

Já na casa do Ema, um outro BioCentro em processo de criação, fazemos os jantares comunitários, jam sessions e cineclub.

Através da iniciativa de outros agentes, os “BioDinamizadores”, que não são BioConectores, mas possibilitam os bioPontos de  acessarem atividades junto com a parte simpatizante da sociedade, foi possível fazer uma semana de intercâmbio em bioConstrução agrihorta, um processo que tenho minha visão contrária pessoal, mas que porta consigo muitos pontos positivos.

Agora estou no outro lado da ilha, numa pensão, convidando turistas simpatizantes para algumas atividades, infectando células que reproduzirão em outros focos e contextos esse mesmo movimento. precisamos agora realmente de documentar melhor esse processo, para poder divulgar de uma forma mais concisa.

espero ajuda.

Lucas Teixeira, envolvido n’o Mosaico, numa conversa na lista metarec.

4.02

Mitopoética ativista.

Filed under: academialivre, aliados, metacafe, metareciclagem, micropolítica — cyrano @ 13:07

Somos normais. Isto é: estatisticamente, acabamos escrevendo coisas boas de vez em quando. :)

Stalker na lista do Estilingue, cara que só num tem blogue  por pirraça e charme tecno-bucólico:

Ao Rhatto: Já viu, né… rola de passar as senhas do xéu para a Drica? (replicar no e-mail dela, nos destinatários desta mensagem.)

(Ou tem algum jeito menos geek-codeiro de determinar qual será a página inicial? Como sempre, amamos máquinas que não conseguimos controlar… e elas imprimem em nós motivos no plano da nossa relação uns com os outros…)

AbraÇtalker ao Rhatto e aos Saraveiros!

“Espaço Estilingue” foi, entre 2001 e 2004, abrigo do escritório do prof. Bráulio, do ateliê da Silvia Amélia e, por um ano e meio, do escritório da AIC. De lá, eu e a Drica Montamos o Ação Provos. Amores vieram e foram. Parece que foi há eras geológicas atrás…

Os motivos do Frame e do Cyrano são próximos dos meus, e a lembrança do “Espaço Seculus” foi até cruel. Gostando de civismo e festa, não somos centro cívico ou salão de festas. Abrimos um espaço simbólico sim, mas para além, somos ato, enunciação; não tão-somente lugar de troca mas convite e provocação para trocas (de signos, de coisas, de amores). Dizer apenas da bolha de espaço público não estatal e espaço econômico pós capitalista que queremos criar é bacana, mas não é suficiente ser apenas campo de jogo, tem que ser vontade de ganhar e, principalmente, de jogar.

Novos amores a tod@Çtalker!

Coincidência ou não, “novos amores” foi sugestão dos orixás pruma grande aliada minha. As idéias não são de ninguém…

3.02

Olha, sinceramente…

Filed under: ativismo, humor, metacafe, metareciclagem, micropolítica — cyrano @ 22:24

Seria inevitável que, mais cedo ou mais tarde, eu acabasse me confessando. Não sei quanto aos outros que confessam, mas no meu caso trata-se simplesmente de tentar o padre. Pois bem.

O MetaCafé, como qualquer idéia, está projetado numa linha de fuga. Elas inevitavelmente apontam pro horizonte, pra viagens que a gente se promete um dia fazer. Nesse caso, a viagem é ocupar vários lugares ao mesmo tempo. Vários MetaCafés acontecendo.

Seria algo como “filial”, só que com alguma criatividade. É impressionante como empresários têm medo dela (da criatividade, não da filial)… Enfim, se a proposta do MetaCafé é simplesmente orientar a organização de vendinhas, comércio de comida, sob princípios de uma ética nômade, não-proprietária, rizomática, nada mais natural que desejemos infectar muitos lugares ao mesmo tempo.

Agora.

Por isso: na verdade, metareciclar não apenas uma lanchonete, mas o próprio mercado de trabalho. A preocupação fixa no emprego, a noção de profissão (emprego-fixo), a noção de técnico e de sua autoridade…, e mesmo ter noção das coisas… Que pobreza! Pra que serve essa sua realidade? Porque não poderia, eu, garçom, cozinheiro e pintor, nomadear por metacafés em diversos lugares? Porque não poderia eu viver, usemos suas gírias, desempregado? Não poderia viajar tendo, como porto de chegada, um metacafé numa cidade qualquer, sabendo que partem dele diversas tangentes? Uma cada organização metacafezeira tendo organograma fluido, mobilizante, apto a captar viajantes e a lançá-los lá longe e de volta outra vez. Eternos retornos, nunca os mesmos. Fui compreendido?

Encontrar aliados é tarefa para montar um primeiro espaço aqui, agora. Distinguir no inferno o que não é inferno — e abrir caminho, e dar-lhe espaço. Fôlegos de ar quimicamente alterados (queremos que nossas cozinhas sejam uma droga!). Mas isso não é tanto coisa que se diga, mais que se faça.

Descobriremos os mecanismos secretos da pia nômade, da horta nômade, do bar nômade. Estamos no caminho certo.

19.01

Toda festa tem banquete (um manifesto metacafezeiro).

Filed under: metacafe, micropolítica — cyrano @ 15:42

Nosso desejo é comer junto. Autofagia coletiva.

No dia de festa movimentos de ocupação entram em prédios dominados pelos ratos e fazem o que (de) bem entendem. E banqueteam. No coletivo de mídia independente e no encontro dos assentamentos sem-terra e num bar qualquer e na casa de alguéns, gente cozinha idéias. Os lugares são muitos e poucos e isolados e centrais. Todo fogão aglutina.

Precisamos de mais fogões. De mais cruzamentos entre temperos. De cozinha à nossa moda. Precisamos desaprender que lugar de comer é na mesa – ora, falemos delas como um cão. Não temos compromissos e mais é mais, definitivamente. “Mais lugares”, não “mais dinheiro”, imbecis. Um lugar de comer é sempre nosso lugar. Nós que sabemos quem somos, e nos reconhecemos enquanto tal. Nossa voz se confunde. Podemos abrir cabeças, crânios, computadores e outras verborragias. Podemos brigar entre nós mesmos usando suas armas de luxo – nossas sucatas. Os lugares estão em lugar-nenhum – lanchonetes e restaurantes incluídos. Subir em cadeiras e panfletar contra-indústrias é perfeitamente possível. Mas nós não podemos fazer isso em sua cozinha; não é educado, não é mesmo?

Não nos dão escolha: “vocês não precisam optar por outra sociedade”… Pois bem. MetaCafé vai invadir um bar, destruí-lo, e banquetear sobre suas ruínas.

E sim: nossos limites vão além da sua compreensão.

Eu sei que precisa melhorar. mas preciso digerir como.

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