…cyrano disse,

15.05

Aviso antes que tédio.

Filed under: academialivre, micropolítica — cyrano @ 12:59

Marca do Espetáculo: faça como eu digo mas não faça como eu faço.

14.05

Citando MBraz, da lista metarec:

Filed under: academialivre, ativismo, denuncia — cyrano @ 16:02

eu construo o abismo digital, eu vendo a ponte, eu não entrego a ponte.

Ele tava se referindo à notícia de que um professor da USP desviou verbas de telecentros de uma comunidade, e que a quantia beira 450 mil reais. O nome da USP e de um grande projeto seu, a Cidade do Conhecimento, entrou na roda.

Nos comentários há uma resposta, à la “isso é intriga da oposição”, de um cara do projeto Cidade. O pau tá quebrando.

Mídia independente tem lá seus momentos…

26.04

Pra ler depois.

Filed under: academialivre, aliados, ativismo, metareciclagem — cyrano @ 23:31

Um catado de linqs e homenagem póstuma a um tal de Ricardo Rosas.

20.03

Global voices!

Filed under: academialivre, aliados, ativismo, radiolivre — cyrano @ 13:13

Galera traduzindo posts blogais multidimensionais. Global Voices é trabalho colaborativo pra traduzir pra várias línguas um bando de coisa que foi blogada em outras. Informação correndo solta…

13.03

Hmm…

Filed under: academialivre, aliados, ativismo, denuncia — cyrano @ 16:44

Gostei da indicação, Malebria:

Mas pensem só por um segundo: se quiserem saber quanto sucesso teve o sistema econômico soviético, comparem a Rússia de 1990 com algum lugar que fosse como ela em 1910. Precisa ser brilhante para perceber?

– Texto extraído do Capítulo 5 do livro Para entender o poder, uma coletânea de textos de Noam Chomsky organizados por Peter R. Mitchell e John Schoeffel.

Chomsky.

Filed under: academialivre, aliados, ativismo, denuncia — cyrano @ 16:42

Tirei do Malebria:

De fato, não há dois pontos de vista mais antitéticos do que o liberalismo clássico e o capitalismo — e é por isso que, quando a Universidade de Chicago publica uma edição bicentenária de Smith, tem que distorcer o texto (o que foi feito): porque, como autêntico liberal clássico, Smith opunha-se fortemente a toda essa idiotice que hoje se diz em seu nome.

Então, se vocês lerem a introdução de George Stigler à edição bicentenária de A Riqueza das Nações — é uma grande edição acadêmica, University of Chicago Press, portanto é meio interessante de se ler –, ela é diametralmente oposta ao texto de Smith, ponto a ponto. Smith é famoso pelo que ele escreveu sobre a divisão de trabalho: supõe-se que ele achava que a divisão do trabalho era uma grande coisa. Pois bem, não achava: ele achava a divisão do trabalho uma coisa terrível — na verdade, ele disse que em qualquer sociedade civilizada o governo teria que intervir para evitar que a divisão do trabalho simplesmente destruísse as pessoas. Tudo bem, agora dêem uma espiada no índice da edição da Universidade de Chicago (vocês sabem, um índice detalhado, para estudos acadêmicos) e procurem “divisão do trabalho”: não vai encontrar nenhum verbete para essa expressão — ela simplesmente não está lá.

Bem, isso é o que é estudo acadêmico de verdade: elimine os fatos totalmente, apresente-os como o oposto do que são e calcule: “Provavelmente ninguém vai mesmo ler a página 473, porque eu não li”, isto é, perguntem aos caras que editaram esse trabalho se eles algum dia leram a página 473 — resposta: bem, eles provavelmente leram o primeiro parágrafo então meio que lembraram o que lhes havia sido ensinado em algum curso universitário.

– Texto extraído do Capítulo 6 do livro Para entender o poder, uma coletânea de textos de Noam Chomsky organizados por Peter R. Mitchell e John Schoeffel.

9.03

Filed under: academialivre, aforismos — cyrano @ 17:06

“Humano, demasiado humano” é o monumento de uma crise. Ele se chama um livro para espíritos livres: praticamente cada uma de suas sentenças exprime uma vitória — com o mesmo, eu me livrei daquilo que não-faz-parte-de-mim em minha natureza. Não faz parte de mim o idealismo: o título diz “onde vós vedes coisas ideais, eu vejo — coisas humanas, ah, coisas demasiado humanas!”… Eu conheço melhor o homem… Em nenhum outro sentido a palavra “espírito livre” quer ser entendida: um espírito que se tornou livre, que voltou a tomar posse de si mesmo. O tom, o timbre mudou por completo: as pessoas haverão de achar o livro sagaz, frio e, dadas as circunstâncias, duro e sarcástico. Uma certa espirituosidade de sabor nobre parece se manter de maneira constante à superfície, dominando uma corrente mais passional. Nesse contexto faz sentido o fato de que a publicação do livro no ano de 1878 pareça ser justificada pela celebração dos cem anos da morte de Voltaire… Pois Voltaire é, ao contrário de tudo aquilo que se escreveu depois dele, um grand seigneur do espírito: exatamente aquilo que eu também sou… O nome de Voltaire em um texto meu — isso foi de fato um progresso em direção a mim… Se alguém observar com mais atenção, descobrirá um espírito impiedoso, que conhece todos os esconderijos nos quais o ideal se encontra em casa — nos quais ele tem seus calabouços e ao mesmo tempo seu último lugar seguro. Uma tocha nas mãos, que está longe de fazer a luz vacilante da tocha, mas ilumina com claridade cortante o submundo do ideal… É a guerra, mas uma guerra sem chumbo nem pólvora, sem atitudes guerreiras, sem páthos e membros deslocados — tudo isso ainda seria “idealismo”. Um erro atrás do outro é deitado sobre o gelo com tranquilidade, o ideal não é refutado — ele morre de frio… Ali, por exemplo, “o gênio” morre de frio; num cantinho adiante, “o santo” morre de frio; sob um grosso tampão de gelo, ainda mais adiante, “o herói” morre de frio; no fim morre de frio “a crença”, a assim chamada “convicção”, e também a “piedade” se esfria significativamente — quase em todos os lugares morre de frio “a coisa em si”…

– Nietzsche, Ecce Homo.

8.03

Filed under: academialivre, aforismos, micropolítica — cyrano @ 9:19

Repetidizendo mais uma vez. — Ambiguidade e dualismo não são a mesma coisa.

Antídoto.

Filed under: academialivre, metareciclagem, micropolítica — cyrano @ 9:01

Não sei se vai funcionar como antídoto pras redundâncias, mas não custa nada tentar:

Acho que, a partir do momento que já sabemos como são nossos fantasmas, não precisamos dar tanta atenção a cada notícia que reafirma o quanto eles são sombrios.

Se não a gente começa a achar que eles são realmente assim.

E a gente sabe que a realidade é um monte de coisa, né? Um montão. Mesmo. Muito mais do que a gente consegue imaginar.

Por mais que fume, beba, trepe ou pense. Não necessariamente nessa ordem, não necessariamente ao mesmo tempo. Mas por mais que tente.

Muita, montão de coisa. Mais do que a gente sabe.

…A gente sabe disso, não sabe?

:)

4.03

Publicai-vos e… sei lá, façam o que der na telha.

Filed under: academialivre, ativismo, metareciclagem, micropolítica — cyrano @ 1:14

Uma visitante comentou:

Cyrano,

mesquinharia foi ótimo!
Ai de nós, designers, que não fossemos mesquinhos com os nossos projetos, conceitos e layouts!

Abraço

Ela tava se referindo a isso daqui.

Ao que eu, com minha paciência e pedagogia de costume, respondi:

Oi Daniele!

Ai de vocês mesmo… A gente vive numa sociedade que se convence que precisa de técnicos. Mas técnicos como os designers, ou melhor, quaisquer técnicos, são absolutamente insignificantes e inúteis. Vocês não tem autoridade nenhuma, seu “conhecimento” não vale nada. Ou melhor: não vale nada sozinho. A única coisa que vocês aprendem na universidade é a ter um corporativismo de classe, e a subir no banquinho para dizer “sou um profissional!”, como se isso te fizesse mais inteligente, melhor ou mais competente que outra pessoa qualquer. Não podemos espalhar por aí que qualquer um pode fazer design, por exemplo, que qualquer um pode aprender qualquer coisa, e que não é necessário cobrar pra ensinar. Poderíamos fazer muitas coisas, ser pescador pela manhã, marceneiro de dia, professor de noite… Mas como você acha que cada pessoa tem que trabalhar numa profissão só, ganhar seu dinheiro com um trabalho só, seguir sua vocação e blablabla, você nunca vai entender uma idéia maluca dessas. Eu sou garçom, cozinheiro, designer, professor de yoga, filósofo, técnico de informática e mecânico. Quero ser pedreiro também, e agricultor. Entendeu? Aposto que não. Ninguém precisa de muito dinheiro pra viver. Mas vocês acham que sim. Ninguém precisa de uma tv digital, mas vocês acham que sim. Ninguém precisa ter carro do ano, mas vocês acham que sim. E ninguém precisa pagar técnicos pra criar algo e vender, nem precisa fingir que criou qualquer coisa que seja do nada, por brotação espontânea. Mas vocês, e todos os que acreditam na crença do “direito autoral”, acham que sim. Não me importa. Eu, e os meus, não precisamos de vocês. Produzimos nosso conhecimento, e ele circula. O conhecimento queria ser livre. Nós o libertamos. Em outras palavras: nós vencemos.

Abraço.

28.02

Arte e realidade.

Seria possível imaginar uma arte que não tivesse nada a ver com pessoas?

Seria possível imaginar uma arte que não tivesse nada a ver com outras pessoas?

Seria possível imaginar uma arte que não tivesse nada a ver com situações concretas?

Seria possível imaginar a existência de situações concretas sem a existência de coisas?

Seria possível imaginar situações concretas com pessoas onde o comportamento das pessoas não tivesse importância?

Não faz sentido falar sobre arte sem imaginar pessoas, seu comportamento, coisas e situações concretas. Quando se quer falar sobre arte, precisa-se portanto falar sobre: pessoas e seu comportamento com outras pessoas e coisas em situações concretas. Com a condição de que essas pessoas estejam realmente praticando esse comportamento literalmente, então tem-se que imaginar que elas estão experimentando isso como algo significante. Daí segue que é preciso falar sobre: pessoas e seu comportamento significante com outras pessoas e coisas em situações concretas. Há razão em presumir que isso sempre ocorra quando alguém fala sobre arte. De outro modo, alguém poderia acabar imaginando:

arte que não tem nada a ver com pessoas

arte que ninguém acha significante e que, portanto, não tem importância nenhuma

arte que não tem nada a ver com o comportamento das pessoas

arte que não tem nada a ver com outras pessoas

arte que não tem nada a ver com coisas

arte que não tem nada a ver com situações concretas

arte que não tem nada a ver com pessoas e seu comportamento, nem com a falta de sentido, nem com outras pessoas, coisas e situações concretas.

Então agora nós sabemos que:

quando alguém fala sobre arte, tem que falar necessariamente sobre:

Pessoas e seu comportamento significante com outras pessoas e coisas em situações concretas

ou sobre fatores correspondentes, com o mesmo significado e necessariamente com as mesmas relações.

Esse conhecimento nos permite falar sobre arte de uma maneira que faz sentido, e sem permitir que concepções habituais, convenções sociais e concentrações de poder possam ter um papel decisivo em nossas experiências.

Notas: (more…)

27.02

Sabedoria evangélica.

Filed under: academialivre, micropolítica — cyrano @ 17:12

A pressa quem criou foi o diabo.

Não sei se pra eles “trabalho” e “pressa” são a mesma coisa. Para mim, são. :)

23.02

Minidicionário marciano de bolso.

Filed under: academialivre, metareciclagem, micropolítica — cyrano @ 23:33

Verbete: amor.

Zona de cruzamento entre o “eu” e o “tu”.

Das ciências, meu deus, das ciências!

Filed under: academialivre, micropolítica — cyrano @ 23:19

Ora, cada meio mágico é, aos olhos de quem o emprega, o mais eficaz.

Alguém disse certa vez que três pensadores equivalem a uma aranha. O primeiro gera dentro de si o suco e a semente, o segundo a transforma nos fios e no tecido de uma teia artificial, e o terceiro se embosca nessa teia e observa as vítimas que passam por ali, para viver às custas da filosofia.

Há técnicas que seduzem pela sua eficácia. Outras, pela sua obscuridade. É o caso do zen e do conhecimento científico, por exemplo. Só espero que vocês, leitores, não associem as coisas ao contrário.

Talvez seja melhor uma imagem, então: seria como ficar a falar da xícara, quando no entanto poderíamos tomar um chá. Melhor ainda se for maluco.

13.02

Conversa boa.

Filed under: academialivre, metacafe, metareciclagem, micropolítica — cyrano @ 14:08

primeiro o miguel:

Sobre o tag ainda não amadureci a idéia, infelizmente sempre ficamos a mercê das estruturas capitalistas. Esse tag pelo que entendi seria uma marca ou algo parecido. Hoje temos registrado duas marcas, Mundo paralelo ainda está em fase de registro. Consol e Ecos são nossas marcas mais tradicionais. Ambas custaram caro, o registro de uma marca está em torno de 5 mil reais.Na verdade pensamos “Mundo Paralelo” ser muito mais que uma marca e sim um conceito que alie a economia solidária a toda a questão cultural, software livre e demais temas de luta. Com a implantação do sitio na internet (previsto para o mês de abril), vamos poder repassar um pouco do que estamos pensando a médio e longo prazos.

Sobre nossa estrutura, não somos um restaurante, somos um bar, mas que tem uma estrutura maior por conta de organizarmos eventos, discussões e juntar uma tribo bem grande. Estamos organizando para o dia 8 de março um Sarau para o dia de luta das Mulheres. A idéia é reunir mais de 200 pessoas no bar. Estamos também organizando um evento com a galera do Software livre para abril e ainda em março queremos viabilizar um evento com o povo das produções independentes, até já temos o nome (Aguas de março).

Esse povo aqui do sul é meio doido, não liga, mas voltando ao tag. Quero entender melhor a proposta, se puder me passando informações, acho que temos que ver se nossa estrutura se encaixa na proposta de vocês. A aproximação é boa.

Abraços

Miguel Steffen

agora eu:

Oi Miguel,

a idéia da “marca” é a seguinte: utilizar, da mesma forma que os capitalistas, um símbolo que possa ser levado além. Pra várias bandas. Você vai pro TIbet e lá encontra um mcdonald com a mesma arquitetura, sabores, cores e seu símbolo, que vc encontraria em um chópim de porto alegre. Aliás, mais ou menos a mesma coisa acontece com os chópims, né?

Bom, mas usaríamos isso a nosso favor. Uma tag, seja ela “metacafé”, “mundo paralelo”, se for usada repetidamente, torna-se um signo né. Se agente trabalha ela, divulga, faz folder, explica nossas idéias, vai criando esse signo. E os espaços que se identificam, compartilham uma ética, princípios, desejos, usariam esse signo e o controlariam, controlariam seu uso, os métodos de uso, os valores que querem agregar nele, tudo coletivamente. como se fizéssemos um mcdonald copyleft, que ao invés de gerar redundâncias em diversos pontos no mundo, assolapando culinárias e tudo o mais, fizéssemos justamente o contrário. Dizem eles, “somos iguais em qualquer lugar”. Nós dizemos “somos livres para sermos diferentes entre nós, e nos amamos”.

Pegou a idéia?

Visita o wiki do metacafé. A gente poderia usar a marca de vocês, “Mundo paralelo”, como tag. Aí o espaço que criaremos aqui em bh, nosso primeiro, se chamaria “metacafé: mundo paralelo” ou algo do tipo, o restaurante das meninas de arraial dajuda, mesma coisa… o nome do restaurante delas + nossa tag, que decidiremos juntos.

Uai, precisa registrar marca, cara? Eu fiz o wiki do MetaCafé e escolhi uma licença creative commons, e todo o conteúdo gerado no wiki está automaticamente licenciado sob ela. Supus, talvez ingenuamente, que a marca, a logo que criamos, também estivesse protegida. Será que não?!

ai ai ai.

abraços!

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