…cyrano disse,

31.10

Pequena grande lição.

Filed under: academialivre — cyrano @ 21:09

Há ainda muito que ler no TAZ, do Hakim Bey.

Como meu livro, literal demais (aquele maldito), desapareceu, vai aí uma cereja que o Zé blogou.

Mas de onde nós desaparecemos? E algum dia seremos vistos ou ouvirão falar de nós outra vez? Iremos para Croatã: qual é o nosso destino? Toda a nossa arte consiste em uma mensagem de adeus para a história - “Fomos para Croatã” - mas onde é isso, e o que faremos lá?

Linkania.

Filed under: academialivre, aliados — cyrano @ 20:51

Fazia tempo que não lia coisa tão linda.

Brigado de coração, Estraviz.

Pretensamente, acho que ninguém obteve até agora ao menos uma turva noção do que a modernidade e a tecnologia representam para o que chamo de mundo novo. E humildemente percebo que não serei eu que terei essa noção. Quero aqui contribuir para o caldo sináptico de teorias. E fazer convites. Um convite para a ação e outro para a conexão.

O rádio-espectro da mito-interferência.

Filed under: academialivre, denuncia, metareciclagem — cyrano @ 1:12

Hein?

Há uma razão para nossas televisões terem mais poder de fogo que nós, borrifando seus trilhões de bites enquanto respondemos debilmente, com cômicos cliques em nossos controles remotos. Para permitir que os sinais cheguem intactos, o governo tem que dividir o espectro de freqüências em faixas que depois licencia a particulares. A (rede de notícias americana) NBC tem uma licença e você não.

Assim, a NBC pode mergulhá-lo em “Friends” seguido por um “Scrubs” muito especial e você consegue se sentar passivamente em seu sofá. É uma troca assimétrica que domina nossa cultura, economia e política — só o rico e famoso pode divulgar suas mensagens — e tudo baseado no fato de que as ondas de rádio, em seu indomado habitat, interferem umas nas outras.

Mas elas não fazem isso.

30.10

Jardin de volts.

Filed under: academialivre, aliados, metareciclagem — cyrano @ 18:00

Que coisa linda.

Às vezes dá coceira de continuar repensando o óbvio. Qualquer hora acabo tendo que trabalhar com teleatendimento…

Mas encontrar aliados assim bem que vale a pena.

No processo de construção de nossos rituais de cozinhas de dados surgiu a idéia de trabalhar a metáfora de cultivar nossos ingredientes num grande pomar espalhado em diferentes sítios conectados pelo planeta.
Uma poética para conexão de nossos rizomas de redes de “seivas” em expansão: trocaremos sementes, plantaremos manifestos, colheremos frutos de simulacros.

Estamos cultivando simulacros, cozidos a partir de nossos registros e idéias estocadas. plantando sementes dos osciladores de voltagem, relógios de microprocessadores que vão potencializar essa presença de ramos conectados pela mesma seiva de realidades em construção.

Nesta colheita e cozinha de dados, estaremos acompanhando todo o desenvolvimento desta pajelança.

Senzala industrial.

Filed under: denuncia, humor — cyrano @ 17:35

Quem repete as frases mais alto, naturalmente, é sempre Fagner. No último dia de curso, ele tinha feito amizade com todos os colegas. Também aprendera os fundamentos e macetes da profissão, como trocar o headset de hora em hora. “Desse jeito, em vez de ficar surdo de um ouvido só, você fica dos dois”, explica. Assim como Estefânia, Fagner está pronto para ser insultado pelas pessoas para as quais telefona. Pronto para perder parte da personalidade, ou da voz, ou da sanidade, em troca de um salário anual médio de R$10 mil e de um vale coxinha de R$3.

Reportagem divertida e séria da revista piauí, que parece ser bacana. Quer dizer, tirando o fato de que custa quase 10 reais… (não, pra ler essa você não paga! :D)

Uai.

Filed under: academialivre, metareciclagem, micropolítica, radiolivre — cyrano @ 15:13

enviei pros rizomas de rádio livre e metareciclagem:

Ô gente.

E se a gente pesquisasse, tentasse, imaginasse, inventasse brinquedos pra que as rádios não precisem usar UMA antena, UM transmissor, criando ao invés disso frequências de bate-papo solto onde inúmeros equipamentos podem interferir?

Alguém aí conhece os radialistas amadores, que ficavam conversando fiado em frequências desocupadas?

Eu sei que transmissão FM, pelo que parece, se anula. Tipo, dois transmissores na mesma frequência, um do lado do outro, não se complementam, só interferem e o mais forte ganha.

Tem como mudar isso? Bora pesquisar? Isso seria um projeto, novo nome a ser inventado dentro do rizoma?

Alou. Alguém? Câmbio.

29.10

Eu fico com a pureza da resposta das crianças…

Filed under: denuncia, micropolítica — cyrano @ 23:43

…e meu filho, que tinha 3 anos de idade, me dizia que não queria ser negro.

professora dando depoimento pessoal sobre a questão racial, em uma das fitas que estou transcrevendo.

ah, ela deu esse depoimento na sala de aula, depois de ouvir alunos contando coisas parecidas durante as discussões.

28.10

Nota umbigal.

Filed under: metareciclagem, radiolivre — cyrano @ 16:57

Para cortar a antena do minitransmissor, usa-se a seguinte fórmula:

(300 / mhz ) * 25  = comprimento em cm.

26.10

Pra quê jornalismo?

Filed under: ativismo, micropolítica, radiolivre — cyrano @ 13:53

É, nunca tinha parado pra pensar. Aliás, se não estivesse sem o que fazer no momento, nem iria.

Um blogueiro que não vou linqar por pura preguiça tava chamando de stalinismo a decisão do dono de uma banca de jornal, de nunca mais vender veja e outras drogas lícitas do gênero. E queria convencer seus clientes a comprar cartacapital, carosamigos.

Stalinismo porque o cara pretende saber o que é melhor pros outros. E o próprio blogueiro pretende o que, publicando seus comentários? Tá publicando não é pra ser lido, bacanão? Pra convencer as pessoas de que o “livre arbítrio” é melhor que “escolher arbitrariamente o que vender”? Santa ingenuidade… Será que o “máximo de livre arbítrio” que podemos realizaer é vender revistinhas da esquerda e da direita? Não seria possível — ir além?

Não é a toa que estudante de comunicação empolgou tanto com blogue: agora cê pode trabalhar com jornalismo sem patrão, ê! fura a fila do puxasaquismo e seja seu próprio editor! urrú, viva a democracia! Não precisa nem ser jornalista mais!

Claro que não. Basta se comportar direitinho como um.

Em todos os cantos dos escritórios de edição, debaixo do chão onde colunistas e blogueiros se engalfinham pra ver quem profetiza mais alto, nos espaços de comentários onde essas pequenas multidões escrevem direitinho o endereço de seus sites pra não perder a chance de ser, quem sabe, descoberto, e em toda a modinha da mídia democrática, tão gritada aos 4 ventos por esses burgueses esclarecidos… No fundo, como dizia, passando por baixo, pela fresta da porta, pelo cofrinho, pela dobra da orelha, um sussurro uníssono e insistente percorre o ar da mídia de massa, tanto da grande quanto da pequena:

vocês não precisam optar por outra sociedade,… vocês não precisam optar por outra…

Muito bem, senhores, muito bem. Mas isso não significa que não possamos brincar! Faça rádio livre. E não me segue que eu não sou novela.

Nomes aos bois.

Filed under: ativismo, denuncia — cyrano @ 13:27

Aquele governo misterioso do mais antigo e misterioso império do planeta, está elaborando uma (sei lá se misteriosa) lei de proteção trabalhista. Coisa de comunista.
E as multanacionais, principalmente americanas, tão contra. Coisa de neoliberal.

A proposta de lei começou a ser debatida depois que o Wal-Mart, a maior rede varejista do mundo, foi forçado a aceitar membros de organizações trabalhistas entre os funcionários de suas lojas chinesas. Em entrevista ao NYT, o diretor de questões legais da Goodyear em Hong Kong e consultor de questões legais da Câmera Americana de Comércio na China, Kenneth Tung, também criticou a medida: “São dois passos para trás depois de três para frente.”

Dell, Ford, General Electric, Microsoft e Nike, dentre outras.

A notícia inteira, com algumas informações históricas, taqui.

Mas o melhor mesmo é acompanhar o trabalho da jornalista Naomi Klein, especialmente o livro “Sem Logo”, que é o único panfleto que conheço com informações consistentes. Aliás, é justamente por isso que ele vale a pena.

25.10

Sugestão de leitura.

Filed under: academialivre, micropolítica — cyrano @ 12:00

“Humano, demasiado humano” é o monumento de uma crise. Ele se chama um livro para espíritos livres: praticamente cada uma de suas sentenças exprime uma vitória — com o mesmo, eu me livrei daquilo que não-faz-parte-de-mim em minha natureza. Não faz parte de mim o idealismo: o título diz “onde vós vedes coisas ideais, eu vejo — coisas humanas, ah, coisas demasiado humanas!”… Eu conheço melhor o homem… Em nenhum outro sentido a palavra “espírito livre” quer ser entendida: um espírito que se tornou livre, que voltou a tomar posse de si mesmo. O tom, o timbre mudou por completo: as pessoas haverão de achar o livro sagaz, frio e, dadas as circunstâncias, duro e sarcástico. Uma certa espirituosidade de sabor nobre parece se manter de maneira constante à superfície, dominando uma corrente mais passional. Nesse contexto faz sentido o fato de que a publicação do livro no ano de 1878 pareça ser justificada pela celebração dos cem anos da morte de Voltaire… Pois Voltaire é, ao contrário de tudo aquilo que se escreveu depois dele, um grand seigneur do espírito: exatamente aquilo que eu também sou… O nome de Voltaire em um texto meu — isso foi de fato um progresso em direção a mim… Se alguém observar com mais atenção, descobrirá um espírito impiedoso, que conhece todos os esconderijos nos quais o ideal se encontra em casa — nos quais ele tem seus calabouços e ao mesmo tempo seu último lugar seguro. Uma tocha nas mãos, que está longe de fazer a luz vacilante da tocha, mas ilumina com claridade cortante o submundo do ideal… É a guerra, mas uma guerra sem chumbo nem pólvora, sem atitudes guerreiras, sem pathos e membros deslocados — tudo isso ainda seria “idealismo”. Um erro atrás do outro é deitado sobre o gelo com tranquilidade, o ideal não é refutado — ele morre de frio… Ali, por exemplo, “o gênio” morre de frio; num cantinho adiante, “o santo” morre de frio; sob um grosso tampão de gelo, ainda mais adiante, “o herói” morre de frio; no fim morre de frio “a crença”, a assim chamada “convicção”, e também a “piedade” se esfria significativamente — quase em todos os lugares morre de frio “a coisa em si”…

– Nietzsche, Ecce Homo.

Sorte do dia. (?)

Filed under: micropolítica — cyrano @ 11:57

Tava no orkut. “Se seus sonhos não forem extravagantes, serão realizados.”

Droga.

24.10

Desisto. Morram de frio.

Filed under: aliados, ativismo, micropolítica — cyrano @ 12:35

Tirei os linqs dos jornalistas.

Jornalista num serve pra nada. É só um disse-me-disse hipertrofiado. Ninguém concorda, ninguém se entende, muito embora vários se esforcem pra isso. E, como os acadêmicos, têm opiniões demais.

Só agora fui me tocar que, afinal de contas, pretender dar notícias importantes “pra nação” é ridículo. Seria muito mais interessante para mim saber a respeito de meus aliados, o que andam fazendo e o que podemos fazer juntos, que saber de onde veio o dinheiro. Centralização de cu…

Eu lavo meus pés.

Comentários.

Filed under: micropolítica — cyrano @ 0:39

Um amigo meu tava me pergutando se eu não acho que a Carta Capital faz as mesmas coisas que as outras (revistas), só que reclama delas. E também se eu não acho um saco essa história da esquerda reclamar o tempo todo que a imprensa tá contra ela.

Bom, a esquerda sempre foi e sempre será um saco. Assim como a direita e todo tipo de teórico megalô. Tudo que fazem é só pra inflar esse característico ego messiânico.

Mas, no caso dessas eleições, até o Marcos Coimbra, entrevistado pelo Paulo Henrique Amorim (tá no blogue dele, num linq aí pra direita…), ele é dono da Vox Populi, né. Falou que nunca viu atividade tão intensa na imprensa em época eleitoral antes. Nem em 89. E nem crítica, negativa mesmo, foi assim que ele definiu toda essa… ahn… cobertura(?).

Um cara reclamou do Paulo Henrique Amorim, que tá descendo o farrapo em muita coisa que apareceu na imprensa nessas eleições, e citou montesquiê. “O povo tem o governo (e os jornalistas) que merece”. Engraçado é que ele tava querendo dizer, justamente, que a imprensa não está denunciando o governo o suficiente.

O cara falou muito mais verdade do que imagina. Inclusive a respeito de si mesmo.

E o Paulo Henrique Amorim deu uma dentro: falou que a saída pro governo é usar a internet como meio de comunicação, mídia. Como ele próprio tem feito, com seu jornalismo caseiro. Zé Dirceu tem blogue, pá e tal, só falta o resto do PT aprender a usar. E, claro, trabalhar duro pra ampliar o acesso à mãe das redes.

Tô dentro. Façam isso. Vai ser tão bonito ver a rede virando casa da mãe joana, quero demais ver isso acontecendo… :D

A propósito: amplie seu umbigo para algo em torno de 30 metros de raio.

Pergunte-me como.

22.10

O aviso tá dado.

Filed under: ativismo, denuncia — cyrano @ 22:42

Pra quem não tá de olho, que fique.

Paulo Henrique Amorim cozinhou a última reportagem especial da CartaCapital, do Mino Carta, a respeito das mutretas que levaram as eleições para um segundo turno.

Um golpe de Estado levou a eleição para o segundo turno.

***********atualizando:

Fiquei muito feliz em saber. São dois aliados pra notícia correr solta, sem hipocrisias. Jornalismo neutro el caray, mas manipular que nem esse povim faz também já é demais…

Paulo Henrique Amorim publicou o áudio do policial que vazou as fotos, dizendo aos jornalistas, claramente, a que veio.

Descobri que o Mino Carta também tem um blogue.

*********** atualizando de novo:

Observatório da Imprensa tá show de bola.

Tem um bom comentário do Luis Weis a respeito dos comentários do ombudsman da Folha sobre a imprensa nas eleições…

Tem uma (boa!) resposta do Ali Kamel, diretor de jornalismo da TV Bobo, à reportagem feita pela Carta Capital…

E mais um comentário do Luis a respeito da resposta do Ali Kamel…

Enfim, realmente bom navegar por lá e espairecer os ares. “Ufa, os jornalistas também não se entendem!” :)

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