…cyrano disse,

30.06

Viva a ladainha livre!

Filed under: aliados, ativismo, metareciclagem, radiolivre — cyrano @ 17:54

ff postou, eu não vi, Wille insistiu. Direto da lista-caos metareciclagem:

Há algumas semanas, alguém (acho q foi o ff) postou nessa lista o link para www.broadcastyourpodcast.com. Fui ver do que tratava e gostei da idéia da Lotte Meijer, a holandesa que decidiu montar pequenos transmissores de rádio e distribuir pro mundo. Mandei um e-mail pra Lotte e recebi um transmissor em casa gratuitamente.

Em breve, começarei as transmissões aqui em aracaju. Eu e uma galera que participa comigo do pré-coletivo do CMI pretendemos realizar umas oficinas de “seja a mídia”, mostrando como se pode fazer uma rádio, postar no site do CMI, grafitagem… Tô pensando também numas intervenções urbanas com o transmissor - alguns ônibus aqui andam com o rádio ligado numa única frequência! hehehe

Aqui tem um manual feito pela Lotte de como montar seu próprio transmissor. Será que dá pra montar um com uma potência maior? 1km tava bom…

abçs,
Wille

Chega de ladainha.

Filed under: academialivre, ativismo, denuncia — cyrano @ 17:32

Pra assinar o manifesto, envie um pedido pra
contato@alexandrenascimento.com.

MANIFESTO EM FAVOR DA LEI DE COTAS E DO ESTATUTO DA IGUALDADE RACIAL

AOS DEPUTADOS E SENADORES DO CONGRESSO BRASILEIRO

A desigualdade racial vigente hoje no Brasil tem fortes raízes históricas e esta realidade não será alterada significativamente sem a aplicação de políticas públicas dirigidas a este objetivo. A Constituição de 1889 facilitou a reprodução do racismo ao decretar uma igualdade puramente formal entre todos os cidadãos. A população negra acabava de ser colocada em uma situação de completa exclusão em termos de acesso à terra, à renda, ao conjunto de direitos sociais definidos como “direitos de todos”, e é instrução para competir com os brancos diante de uma nova realidade de mercado de trabalho que se instalava no país. Enquanto se dizia que todos eram iguais na letra da lei, várias polêticas de incentivo e apoio diferenciado, que hoje podem ser lidas como ações afirmativas, foram aplicadas para estimular a imigração de europeus para o Brasil. Esse mesmo racismo estatal foi reproduzido e intensificado na sociedade brasileira ao longo de todo o século vinte. Uma série de dados oficiais sistematizados pelo IPEA no ano 2001 resume o padrão brasileiro de desigualdade racial: por 4 gerações ininterruptas, pretos e pardos têm contado com menos escolaridade, menos salário, menos acesso à saúde, menor índice de emprego, piores condições de moradia, quando contrastados com os brancos e asiáticos. Estudos desenvolvidos nos últimos anos por outros organismos estatais, como o MEC, o INEP e a CAPES, demonstram claramente que a ascensão social e econômica no nosso país passa necessariamente pelo acesso ao ensino superior.

Foi a constatação da extrema exclusão dos jovens negros e indígenas das universidades públicas que impulsionou a atual luta nacional pelas cotas, cujo marco foi a Marcha Zumbi dos Palmares pela Vida, em 20 de novembro de 1995, encampada por uma ampla frente de solidariedade entre acadêmicos negros e brancos, coletivos de estudantes negros, cursinhos pré-vestibulares para afrodescendentes e pobres e movimentos negros da sociedade civil, estudantes e líderes indígenas, além de outros setores solidários, como jornalistas, líderes religiosos e figuras polêticas — boa parte dos quais subscreve o presente documento. A justiça e o imperativo moral dessa causa encontraram ressonância nos últimos governos, o que resultou em políticas públicas concretas, tais como: a criação do Grupo de Trabalho Interministerial para a Valorização da População Negra, de 1995, ainda no governo FHC; as primeiras ações afirmativas no âmbito dos Ministérios, em 2001; a criação da Secretaria Especial para Promoção de Políticas da Igualdade Racial (SEPPIR), em 2003, no governo Lula; e, finalmente, a proposta dos atuais Projetos de Lei que estabelecem cotas para estudantes negros oriundos da escola pública em todas as universidades federais brasileiras, e o Estatuto da Igualdade Racial.

O PL 73/99 (ou Lei de Cotas) deve ser compreendido como uma resposta coerente e responsável do Estado brasileiro aos vários instrumentos jurídicos internacionais a que aderiu, tais como a Convenção da ONU para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial (CERD), de 1969, e, mais recentemente, ao Plano de Ação de Durban, resultante da III Conferência Mundial de Combate ao Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerância Correlata, ocorrida em Durban, na África do Sul, em 2001. O Plano de Ação de Durban corrobora a ênfase, já colocada pela CERD, de adoção de ações afirmativas como um mecanismo importante na construção da igualdade racial. Lembremos aqui que as ações afirmativas para minorias étnicas e raciais já são realidade em inúmeros países multi-étnicos e multi-raciais como o Brasil. Foram incluídas na Constituição da Índia, em 1949; adotadas pelo Estado da Malásia desde 1968; implementadas nos Estados Unidos desde 1972; na África do Sul, após a queda do regime de apartheid, em 1994; e desde então no Canadá, na Austrália, na Nova Zelândia, na Colômbia e no México. Existe uma forte expectativa internacional de que o Estado brasileiro finalmente implemente políticas consistentes de ações afirmativas, inclusive porque o país conta com a segunda maior população negra do planeta e deve reparar as assimetrias promovidas pela intervenção do Estado da Primeira República com leis que outorgaram benefícios especiais aos europeus recém-chegados, negando explicitamente os mesmos benefícios à população afro-brasileira. Vale ressaltar também que, somente nos últimos 4 anos, mais de 35 universidades e Instituições de Ensino Superior públicas, entre federais e estaduais, já implementaram cotas para estudantes negros, indígenas e alunos da rede pública nos seus vestibulares e a maioria adotou essa medida após debates no interior dos espaços acadêmicos de cada universidade. Outras 15 instituições públicas estão prestes a adotar políticas semelhantes para promover maior inclusão. Todos os estudos de que dispomos já nos permitem afirmar com segurança que o rendimento acadêmico dos cotistas é, em geral, igual ou superior ao rendimento dos alunos que entraram pelo sistema universal. Esse dado é importante porque desmonta um preconceito muito difundido de que as cotas conduziriam a um rebaixamento da qualidade acadêmica das universidades. Isso simplesmente não se confirmou! Uma vez tida a oportunidade de acesso diferenciado (e insistimos que se trata de cotas de entrada, apenas, e não de saída), os estudantes negros se esforçam e conseguem o mesmo rendimento que os estudantes brancos. Outro argumento muito comum usado por aqueles que são contra as políticas de inclusão de estudantes negros através de cotas é que haveria um acirramento dos conflitos raciais nas universidades. Muito distante desse panorama alarmista, os casos de racismo que têm surgido após a implementação das cotas têm sido enfrentados e resolvidos no interior das comunidades acadêmicas, em geral com transparência e eficácia maiores do que havia antes das cotas. Nesse sentido, a prática das cotas tem contribuído para combater o clima de impunidade diante da discriminação racial no meio universitário. Mais ainda, as múltiplas experiências de cotas em andamento nos últimos 4 anos contribuíram para a formação de uma rede de especialistas e de uma base de dados acumulada que facilitará a implementação, a nível nacional, da Lei de Cotas.

Colocando o sistema acadêmico brasileiro em uma perspectiva internacional, concluímos que nosso quadro de exclusão racial no ensino superior é um dos mais extremos do mundo. Para se ter uma idéia da desigualdade racial brasileira, lembremos que, mesmo nos dias do apartheid, os negros da África do Sul contavam com uma escolaridade média maior que a dos brancos no Brasil no ano 2000; a porcentagem de professores negros nas universidades sul-africanas, ainda na época do apartheid, era muito maior que a porcentagem dos professores negros nas nossas universidades públicas nos dias de hoje. A porcentagem média de docentes nas universidades públicas brasileiras não chega a 1%, em um país onde os negros conformam 45,6 % do total da população. Se os Deputados e Senadores, no seu papel de traduzir as demandas da sociedade brasileira em políticas de Estado não intervirem aprovando o PL 73/99 e o Estatuto, os mecanismos de exclusão racial embutidos no suposto universalismo do estado republicano provavelmente nos levarão a atravessar todo o século XXI como um dos sistemas universitários mais segregados étnica e racialmente do planeta! E, pior ainda, estaremos condenando mais uma geração inteira de secundaristas negros a ficar fora das universidades, pois, segundo estudos do IPEA, serão necessários 30 anos para que a população negra alcance a escolaridade média dos brancos de hoje, caso nenhuma política específica de promoção da igualdade racial na educação seja adotada.

Não devemos esquecer que as universidades públicas são as mais qualificadas academicamente e com as melhores condições para a pesquisa; contudo, oferecem apenas 20% do total de vagas abertas anualmente no ensino superior brasileiro. 90% dessas vagas têm sido utilizadas apenas para a formação de uma elite branca. Para que nossas universidades públicas cumpram verdadeiramente sua função republicana e social em uma sociedade multi-étnica e multi-racial, deverão algum dia refletir as porcentagens de brancos, negros e indígenas do país em todos os graus da hierarquia acadêmica: na graduação, no mestrado, no doutorado, na carreira de docente e na carreira de pesquisador.

Nesse longo caminho em direção à igualdade étnica e racial plena, o PL 73/99, que reserva vagas na graduação, é uma medida ainda tímida: garantirá uma média nacional mínima de 22,5% de vagas nas universidades públicas para um grupo humano que representa 45,6% da população nacional. É preciso, porém, ter clareza do que significam esses 22,5% de cotas no contexto total do ensino de graduação no Brasil. Tomando como base os dados oficiais do INEP, o número de ingressos nas universidades federais em 2004 foi de 123.000 estudantes, enquanto o total de ingressos em todas as universidades (federais, estaduais, municipais e privadas) foi de 1.304.000 estudantes. Se já tivessem existido cotas em todas as universidades federais para esse ano, os estudantes negros contariam com uma reserva de 27.675 vagas (22,5% de 123.000 vagas). Em suma, a Lei de Cotas incidiria em apenas 2% do total de ingressos no ensino superior brasileiro. Devemos ter igualmente claro que essa Lei visa garantir o ingresso de aproximadamente 27.675 estudantes negros em um universo de 575.000 estudantes atualmente matriculados nas universidades federais. Portanto, estes representarão um acréscimo anual de 4,8% de estudantes negros em um contingente majoritariamente branco. Lembremos, finalmente, que o número total de matrículas na graduação em 2004 foi de 4.165.000. A Lei de Cotas assegurará, portanto, que apenas 0,7% do número total de estudantes cursando o terceiro grau no Brasil sejam negros. Devemos concluir que a desigualdade racial continuará sendo a marca do nosso universo acadêmico durante décadas, mesmo com a implementação do PL 73/99. Sem as cotas, porém, já teremos que começaar a calcular em séculos a perspectiva de combate ao nosso racismo universitário. Temos esperança de que nossos congressistas aumentem esses índices tão baixos de inclusão! Se a Lei de Cotas visa nivelar o acesso às vagas de ingresso nas universidades públicas entre brancos e negros, o Estatuto da Igualdade Racial complementa esse movimento por justiça. Garante o acesso mínimo dos negros aos cargos públicos e assegura um mínimo de igualdade racial no mercado de trabalho e no usufruto dos serviços públicos de saúde e moradia, entre outros. Urge votar o Estatuto, pois se trata de recuperar uma medida de igualdade que deveria ter sido incluída na Constituição de 1889, no momento inicial da construção da República no Brasil. Foi sua ausência que aprofundou o fosso da desigualdade racial e da impunidade do racismo contra a população negra ao longo de todo o século XX. Por outro lado, o Estatuto transforma em ação concreta os valores de igualdade plasmados na Constituição de 1988, claramente pró-ativa na sua afirmação de que é necessário adotar mecanismos capazes de viabilizar a igualdade almejada. Enquanto o Estatuto não for aprovado, continuaremos reproduzindo o ciclo de desigualdade racial profunda que tem sido a marca de toda a nossa história republicana até os dias de hoje. Finalmente, gostaríamos de fazer uma breve menção ao documento contrário à Lei de Cotas e ao Estatuto da Igualdade Racial, enviado recentemente aos nobres parlamentares por um grupo de acadêmicos pertencentes a várias instituições de elite do país. Ao mesmo tempo em que rejeitam frontalmente as duas Leis em discussão, os assinantes do documento não apresentam nenhuma proposta alternativa concreta de inclusão racial no Brasil, reiterando apenas que somos todos iguais perante a lei e que é preciso melhorar os serviços públicos até atenderem por igual a todos os segmentos da sociedade. Essa declaração de princípios universalistas, feita por membros da elite de uma sociedade multi-étnica e multi-racial com uma história recente de escravismo e genocídio sistemático, parece uma reedição, no século XXI, do imobilismo subjacente à Constituição da República de 1889: zerou, num toque de mágica, as desigualdades causadas pelos três séculos de escravidão e genocídio, e jogou para um futuro incerto o dia em que negros e índios pudessem ter acesso equitativo à educação, às riquezas, aos bens e aos serviços acumulados pelo Estado brasileiro.

Acreditamos que a igualdade universal dentro da República não é um princípio vazio e sim uma meta a ser alcançada. As ações afirmativas, baseadas na discriminação positiva daqueles lesados por processos históricos, são a figura jurídica criada pelas Nações Unidas para alcançar essa meta. Rejeitar simultaneamente a Lei de Cotas e o Estatuto da Igualdade Racial significa aceitar a continuidade do quadro atual de desigualdade racial e de genocídio e adiar sine die o momento em que o Estado brasileiro consiga nivelar as oportunidades entre negros, brancos e indígenas. Por outro lado, são os dados oficiais do governo que expressam, sem sombra de dúvida, a necessidade urgente de ações afirmativas: ou adotamos cotas e implementemos o Estatuto, ou seremos coniventes com a perpetuação do nosso racismo e do nosso genocídio.

Instamos, portanto, os nossos ilustres congressistas a que aprovem, com a
máxima urgência, a Lei de Cotas (PL73/1999) e o Estatuto da Igualdade
Racial (PL 3.198/2000).

Brasília, 29 de junho de 2006

27.06

Recortes.

Filed under: academialivre, aliados, metareciclagem — cyrano @ 12:21

*PLP é Promotoras Legais Populares.

Com a palavra, Eiabel:

Dalton,
ontem à noite eu estava falando, exatamente, sobre isso com alguns amigos. tá certo que a maioria deles é um bando de “caretas”, pois são pessoas que atuam no poder judiciário, a maioria tem mais de 40 anos, mas são pessoas que mantém vivo dentro delas essa magia da ousadia. Eu dizia a elas que era algo semelhante ao que tentavamos fazer, e fazíamos, com o direito, seja sob o termo alternativo(direito alternativo), seja pelo avesso (direito & avesso), enfim, a ousadia de romper com a lógica de estender sem permitir apropriar, traduzindo, acabar com os intermediários, com a condição de refém. Contei a elas da “palestra” na 5ª oficina, da mesa naquele palco do imenso teatro, onde cinco pessoas apresentavam sua fala para outras cinco pessoas que estavam na platéia; da moça de terno preto e blusa vermelha na porta de acesso ao auditório explicando o porquê da modificação do tema, da alteração do lugar, tentando me convencer a entrar devido sua importância… Da minha ousada cara de mosca tonta ao descobrir que estou no lugar errado, ao tempo que intimamente me senti enganada, pensei que no programa dizia que a “palestra” com metareciclagem e um projeto social dos maristas fossem rolar ali, no auditório do salão de atos, dei uma força pra guria que estava na porta e espiei, o tema importante que estava sendo apresentado, vi aquelas dez pessoas ali dentro e pensei: se aqui tem dez, lá deve ter três, o HD, o FF e o cara dos maristas… É melhor ir pra lá, dar um apoio moral pros guris. A “palestra” era em outro prédio. Chegando lá, a sala onde estava informado lá na porta do auditório, rolava uma ofocina de vídeo, acho… puts, fui enganada, mesmo! nessa sala a informação que metareciclagem estava noutra sala, doutro lado do corredor. Cheguei, espiei pela janelinha, a sala cheia. Um cara e de terno azul e blusa branca apresentava em data show a missão marista de inclusão social, estavam recolhendo lixo tecnológico, mas pelo que entendi não sabem ainda muito bem o que fazer com isso… tinha uma mulher. acho que estava coordenando a mesa. Bem, FF falou, HD avisou… hehehe. Abriram para perguntas, e a mulher pergunta: porque anarco-terrorista? É que o FF havia falado que metareciclagem era uma organização descentralizada, em qualquer ponto que vc nem imagine pode existir metareciclagem, pois são ações, atitudes, comportamentos, também. a única condição é a lista. tem que ser da lista. Mas o que me chamou atenção mesmo, foi o visual. o cara dos maristas, de terno, institucional na aparência, vendendo um produto. os guris, nas deles, do jeito deles. balzac falou: a elegância está em ser o que se é. a ética da elegância. e os guris não estavam vendendo nada, estavam contando para aquela gurizada, sim uma gurizada, o que eles faziam, o que eles pensavam. mas a gurizada precisa trabalhar, precisa comer, vestir, enfim. a gurizada da periferia precisa ganhar uma grana pra ajudar a sustentar a si e sua família. Acho que estão cansados, também, de terem preço de saco de farinha que as politícas sociais compensatórias lhes oferecem. E isso é muito bacana no metareciclagem, vcs não estão oferecendo dinheiro, trabalho, carteira assinada. isso me lembra as PLP’s no seu primeiro dia de aula quando uma perguntou o que ela ganharia com o curso. respondi que não fazia a menor idéia. que eu sabia que estava lá compartilhando meu conhecimento jurídico básico para que ela soubesse que também tinha direitos. o que ela iria fazer com isso, não tinha menor idéia. No dia da formatura, a oradora repetiu esse momento em sua fala acrescentando a resposta que eu desconhecia. Disse que o que ela ganhou com o curso, nunca ninguém iria tirar dela, que ela ganhou com o curso auto-estima, autonomia, confiança, segurança, enfim… a formatura foi um barato. elas queriam um ritual semelhante aos dos cursos da faculdade, rejeitaram a toga, mas tinham o problema dos trajes. os familiares e convidados não tinham grana pra comprar fatiotas, hehehe, e as mulheres precisavam de saias longas. solução: pediram para os evangélicos das vilas suas roupas de irem aos cultos, hehehe.
besos

Pois é, mas é possível e viável, hehehe.
a gente se inspirou em Lyra Filha e seu “Direito achado na rua” ou no seu “Direito e avesso” e também na turma dos juízes do Direito Alternativo que julgam contra a lei, os juízes até pararam pois se deram conta que sua prática estava servindo pra turma do mal também, hehehe. Mas a nossa iniciativa foi levar o direito para dentro das vilas, alguns amigos que são procuradores da republica, desembargadores, advogados, promotores, botaram o pé no barro e foram dar explicações básicas e necessárias paras as mulheres na periferia.

a gente se deu conta de que não dá pra manter o direito dentro de quatro paredes e seus códigos nas móos de quem se diz entendido. depois que eu mandei a msg eu até fiquei pensando nas comparações. SL é código aberto livre, fontes. O Direito também são códigos, também tem fontes. a gente abriu os códigos e as fontes na vila, hehehe, por isso que viajeia na via lactea e pensei que “metareciclamos” o direito. hehehe. Fomos processadas, inclusive, pelo Ministério Público, por um promotor público que se ofendeu com a formação de Promotoras Legais Populares. Como assim? disse ele. Estudou anos e anos para se formar promotor e agora vinha uma turma de gurias subeversivas formando mulheres sem escolaridade em Promotoras… hehehe. ganhamos fácil, pois o promotor que rebeu a denuncia era um dos que havia ido na vila dar aula e tinha saído de lá dizendo que mais aprendeu do que ensinou, e que se a Avon tinha promotoras de belza, porque não poderia existir promotoras da justiça. as PLP’s na verdade dão é trabalho praquele bando de promotores que não cumprem seu dever, sua terefa, hehehe. acho que foi isso que enlouqueceu o promotor.

Mas, acho sim, que é uma Metareciclagem do direito, abrir seus códigos e revelar suas fontes… hehehe.
e vamoquevamo assistir a enGANA BRASIL…
besos

o nosso grande problema, aparente, é o direito, que muitos acham que apenas alguns dominam seu vocabulário. mas é um “instinto” hehehe, natural de todos e qualquer um.

na sexta, fui à posse de um amigo no TRT - tribunal regional do trabalho. sabe o que o maluco fez? um discurso baseado na física quântica, em Borges e no fim da Toga nas sessões do tribunal. Eu rolava de rir, os velho(a)s juízes se olhavam, se cutucavam e, depois, no coquetel, perguntavam o que era mesmo que ele queria dizer, pois não acreditavam que ele tivesse coragem de criticar as estruturas e funcionamento da instituição nesse momento em que ele estava sendo aceito em sua hierarquia… Varguinhas recomendou a leitura do Manifesto da Transdiciplinariedade e sugeriu que se fizesse a reflexão sobre o mundo em que nos encontramos e o mundo que o poder judiciário vive, que era preciso se atualizar, conectar, hehehe. a justiça do trabalho não precisa de advogado, por exemplo.

vai começar o enGana Brasil.

fui

Gilberto Gil falando bonito.

Filed under: academialivre, aliados, metareciclagem — cyrano @ 11:14

Ingenuidade minha? Sei muito bem do outro lado da moeda, das terríveis relações de poder que fazem desaparecer originalidades culturais todos os dias e impõem padrões de consumo em escala planetária visando apenas o lucro fácil. Mas quero encarar de frente o desafio que a indústria cultural global nos propõe, tanto que até hoje também trabalhei dentro dessa indústria, tentando usar seu poder para meus objetivos artísticos. Não sei se consegui criar o meu espaço dentro de suas leis. Mesmo assim continuo cultivando esse estranho e provocador gosto de juntar conceitos que pareciam estar destinados ficarem eternamente separados. Como parabólica e camará. Gosto de ver o mundo ecoando como uma cabaça de berimbau. Gosto de juntar diferenças.

No iSummit, encontro mundial do CrieitiveComos. Preguiça de linqar, então vai o post do Bica no seu alfarrábio.

************** atualizando:
linq pro arquivo, em formato word e sob licença crieietcetcetc, da fala do Gil. Inda num li então não sei se é bom. E provavelmente vou esquecer de ler…

24.06

(bocejo)

Filed under: ativismo, denuncia, humor, micropolítica — cyrano @ 13:34

Colocaram um bando de vacas aqui nas ruas da cidade, com direito a reclamação disso e daquilo, manifesto, vandalismo mas o que me chamou a atenção mesmo foi o mapa de distribuição das vaquinhas na área central da cidade:

Pra quem não conhece Belo Horizonte, a Praça da Liberdade é onde fica o Palácio do Governo do Estado, e a Praça da Savassi é um dos pontos mais nobres da economia de luxo e comidas-rápidas de grãfino. A praça 7 é a mais famosa e mais movimentada da cidade. E o resto é o resto.

Depois ainda me perguntam porque tenho preguiça de “artista” tanto quanto de outro técnico qualquer.

***************** atualizando:

Marcelo me avisou que esse mapa é parcial, tem vacas na rodoviária e na estação do Barreiro também. Mas concordamos que se trata muito mais de um mega evento de marquetíngue do que qualquer outra coisa. E concordamos sem saber quando ele me sugeriu que me divertisse com o que há de descontraído nessa exposição (vi fotos das vacas, umas 2 ou 3 me tiraram algum riso, o resto é aquela coisa incompreensível de sempre). Adorei algumas pixações que vi, tipo “Me coma” ou “Sou vegan”. Interação é bem mais divertido que exposição.

Sobre o que que eu ia escrever mesmo? (saiu: primeira transmissão)

Filed under: ativismo, micropolítica, radiolivre — cyrano @ 11:23

(sirene) Radiofonia! Radiofonia! Que porra é essa? Ouça o que eu digo, minha cara, meu caro pequeno ouvinte, não ouça ninguém! Ligue o rádio, mas não ouça ninguém! Tendeu? Não? Ah, então deixa eu começar pelo começo…

(toca R.A.M., Yuka e Rappa)

Entendeu agora? Em? Nunca te disseram que você ouve de mais, e fala de menos? Não, né? A gente repete muito é que “não se sabe ouvir os outros”. Mentira. Nós sabemos ouvir até demais, mas a gente gasta o ouvido só com o patrão, com a tv, com o rádio, com o telejornal… E aí não sobra nada pras pessoas próximas da gente. Pô, aí não ouvimos é nada mesmo, mas porque já estamos surdos de tanto ouvir merda! Repete aí a ladainha, ó: liga o som e desliga os olhos. Porque é isso que a gente se acostuma a fazer: vai trabalhar, desliga os olhos. Vai ver tv? Desliga os olhos. Vai ler um jornal? Desliga os olhos! Sorte minha, essa, de ter a mão perto do controle de volume: censura é ter mão perto do volume, sabia? Você já fez isso, já teve esse poder? Ahn? Já falou sozinho em um microfone, de frente pra uma mesa de som, sabendo que sua voz tá sendo transmitida por quilômetros?? Já berrou pro ar espalhar seu grito e rebater em sabe-lá-deus quantas cabeças? Já usou a tecnologia a seu favor, PRA você, pra fazer o que quer? Pois vem, eu recomendo. É pra isso que a Radiola Livre existe. Olá Várzea, Muda, Ralacoco, Tomate, olá a todas as nossas aliadas na prática da voz livre! Salve salve nossos aliados, que a gente tá na luta e tá no caminho. Num bom caminho.
(rola abacateiro, do Gil)
Audiência! Público! Ibope! Quer saber? Você não passa é de um braço de poltrona. Um braço de uma empresa, pé de uma família, orelha de polícia, nariz de uma escola. Você é submisso. Pedaço submisso de um corpo maior. Você não é Ninguém, não é inviÅ›ivel, você não é um órgão! Você é alguém!, não me pergunte quem você é, não pergunta pra você mesmo, pra que ficar se perguntando o que já sabe?!  Pare de se convencer que é burro. Fala sério, você acha que eu estudei pra ficar aqui falando asneira? Você acha que esse monte de rádio comercial de bosta faz rádio bem? É? Se isso fosse verdade eu não estava aqui, pô. E você não estava aí me ouvindo! Te peguei! Ei, Receptor, anteninha ligada no telelornal de verdades, você mesmo, ouvinte. Receptor! Você não acha chato ouvir calado? E pensar que a gente nasce morre e cresce calado, e acha que só Deus nos ouve. Se você orasse aqui na Radiola, e não na sua cama de noite, calado, te garanto que mais gente ia te ouvir, mané! Tagarelando pra deus ouvir… Uma ova, musquita! O único defeito do rádio, da tv, do jornal, é que ninguém interrompe a fala deles. Quem tá me ouvindo agora não pode me interromper. Pode ter 30 mil pessoas gritando juntas — e na verdade é silêncio puro, se comparado ao que diz um único imbecil no jornal nacional. Me interrompe, mané! Vai fazer rádio livre, vai se expressar, vai tomar o poder, vai te catar, vai trabalhar!
(até quando, do gabriel pensador)

Rádio zapote, pulga, ralacôco, na várzea e no morro, radiola e tróia muda… muda! Que quando a gente muda o mundo muda com a gente, a gente muda o mundo na mudança da mente, e quando a gente muda o mundo muda com a gente, e quando a gente manda ninguém manda na gente… Mas então, que queres que eu te faça? Que vá ver um patrono em voga, um protetor, e — como hera servil que em busca de um tutor lambe a casca do tronco em roda ao qual se torça — eu cresça por manha, em vez de me elevar por força? Não!, obrigado. Nosso objetivo é outro. É grama, matinho se espalhando. Quem diz que é rádio livre, é e pronto. Aqui só fala quem ouve. Ninguém manda, ninguém obedece. Ninguém sabe nada, aqui. E todo mundo faz como quer. Somos tão frágeis como um formigueiro (rerere… vai lá, tente destruir um formigueiro). Rizoma é isso. Promessa?, Nada de promessa, já é, rádio livre livre de marré marré. Montamos, transmitimos. E você também pode. Estou aqui pra provar que qualquer um pode estar aqui, no meu lugar. Comigo, conversando, inclusive! Bobeou levou, entra pra roda que o samba não pode parar. Nós somos outros, outros de outros ainda, e todo mundo tenta mas ninguém entende rádio livre, sabe porque? Porque não se entende, aqui se participa, não me segue que não sou novela! Não é pra entender, é pra fazer! Fazer! Mas então estamos aqui e aí, eu falando no seu ouvido e você, ah, e você ainda só ouvindo… Não entendeu nada. Nada! E já não disse que é pra fazer, caramba, não se preocupe em entender! Odeia a mídia? Pois odeie! Tem que odiar mesmo! Seja a mídia, porra!

(Haiti, caetano e gil)

“Ah, calma, vamos, não seja indelicado, não, não se desvie, nós não precisamos optar por outra sociedade…” Eu não estou optando por outra sociedade, imbecil. Eu a estou fazendo! Por conta própria! “Pssh, fale mais baixo, pare de querer ser esquisito, pára de querer ser diferente.” Ah, é? E porque eu não deveria ser diferente? Só posso ser igual? “Seu aparecido! Aparecido! Admita, isso é pura vaidade, carência, um trauma que você carrega desdeainfância, desdeainfância! Confessa, confessa pecador, criança, louco, marginal: confessa!” Rá! Podemos avacalhar por aqui mesmo! Rá! Rádio livre no ataque! Nós não estamos aqui pra fazer bem feito, não estamos aqui pra fazer pior! Nós vamos fazer muito pior, muito pior, ouviram! Não cheguem a conclusões, que a única conclusão é morrer! Se querem concluir, MORRAM! E deixem as rádios livres vivendo em paz. Rádio livre não é crime! E agora uma boa notícia: nossas inscrições estão abertas. Na verdade nossas inscrições SÃO abertas, e isso tá na constituição da república federativa do brasil! Livre expressão aqui é lei, aqui só fala quem ouve, e só ouve quem fala, então aprenda a ouvir e de repente já vai ser outro o seu jeito de falar. Ouvindo e falando a gente enobrece a vida a vida a vida. Viva a conversa! Venha participar, a radiola é sua também, você que me ouve é meu cúmplice, você já é também um criminoso, criminoso! Você tá pensando? Pensando livremente? Criminoso! Sua ficha tá suja, então venha cá transmitir seus pensamentos livres, não custa nada! Seu desviante, anormal, minoria, você é um mosquito, um sapo ou uma rã. Você não é apenas um ser humano! Enlouqueça, antes que seja tarde demais. Enlouqueça, pelo amor de Deus! Aleluia, aleluiai, salvem-se do jornal que mente, da revista Veja que mente, da Globo que ensina a mentir, chega de intermediários, venha mentir você também, você é livre pra isso!, mentira por mentira eu prefiro com a minha! Não gostou? Então venha fazer a sua!, a Radiola é pra isso, voz humana no ataque! Participe, antes que a polícia chegue em botinas ilegais pra defender o cidadão de bem! Centenas de rádios são fechadas todo ano, rádios comunitárias, rádios livres, e dizem que é pra defender o cidadão de bem. Eu tenho medo do cidadão de bem, e você?

(toca classe média)

Nós não somos público ou usuários finais ou consumidores. Nós somos seres humanos — e nosso alcance vai muito além da sua compreensão. Encare isso!

(palmas) Obrigado! Obrigado! Obrigado!… Porém
Cantar, sonhar, passar, ter liberdade e fibra,
Ter a vista segura, e ter a voz que vibra,
Pôr o meu feltro à banda, e — espanto dos perversos –
Por um sim por um não bater-me, ou fazer versos;
Trabalhar, sem ter fito em lucros e honrarias.
Numa excursão à lua e noutras fantasias!
Nada escrever jamais que eu mesmo não produza,
E, modesto, dizer à minha altiva musa:
“Seja do teu pomar — teu próprio — o que tu colhas
Embora fruto, flor ou simplesmente folhas”.
Depois, se acaso a glória entrar pela janela,
A César não dever a mínima parcela,
Guardar para mim mesmo a gratidão mais pura;
Enfim, sem ser a hera — a parasita obscura –
Nem o carvalho e o til — gigantes do caminho –
Subir, não muito, sim, porém subir sozinho.

(Instinto Coletivo, Marcelo Yuka)

Ninguém - ninguém - ninguém é cidadão.

Filed under: academialivre, micropolítica — cyrano @ 11:14

Haiti (Caetano Veloso / Gilberto Gil)

Quando você for convidado pra subir no adro
Da Fundação Casa de Jorge Amado
Pra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos
Dando porrada na nuca de malandros pretos
De ladrões mulatos
E outros quase brancos
Tratados como pretos
Só pra mostrar aos outros quase pretos
(E são quase todos pretos)
E aos quase brancos, pobres como pretos
Como é que pretos, pobres e mulatos
E quase brancos quase pretos de tão pobres são tratados
E não importa se olhos do mundo inteiro
Possam estar por um momento voltados para o largo
Onde os escravos eram castigados
E hoje um batuque, um batuque
Com a pureza de meninos uniformizados
De escola secundária em dia de parada
E a grandeza épica de um povo em formação
Nos atrai, nos deslumbra e estimula
Não importa nada
Nem o traço do sobrado, nem a lente do Fantástico
Nem o disco de Paul Simon
Ninguém, ninguém é cidadão
Se você for ver a festa do Pelé
E se você não for
Pense no Haiti
Reze pelo Haiti

O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui

E na TV se você vir um deputado
Em pânico mal dissimulado
Diante de qualquer, mas qualquer mesmo
Qualquer qualquer
Plano de educação que pareça fácil
Que pareça fácil e rápido
E vá representar uma ameaça de democratização
Do ensino de primeiro grau
E se esse mesmo deputado defender a adoção da pena capital
E o venerável cardeal disser que vê tanto espírito no feto
E nenhum no marginal
E se, ao furar o sinal, o velho sinal vermelho habitual
Notar um homem mijando na esquina da rua
Sobre um saco brilhante de lixo do Leblon
E quando ouvir o silêncio sorridente de São Paulo
Diante da chacina: 111 presos indefesos
Mas presos são quase todos pretos
Ou quase pretos, ou quase brancos quase pretos de tão pobres
E pobres são como podres
E todos sabem como se tratam os pretos
E quando você for dar uma volta no Caribe
E quando for trepar sem camisinha
E apresentar sua participação inteligente no bloqueio a Cuba
Pense no Haiti
Reze pelo Haiti

O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui

Aracruz Celulose 2: o resgate

Filed under: ativismo, denuncia — cyrano @ 10:40

Aquela propaganda deles com Pelé e um bando de esportistas famosos foi suspeito, a menos que o zelo pela imagem da Aracruz, mesmo com todo o esforço para fazê-la de vítima, não tenha dado lá muito certo…

Campanha esconde agressões da Aracruz:

Quilombolas, indígenas e pequenos agricultores do Espírito Santo, vítimas da Aracruz Celulose no Estado, estão redigindo uma nota de repúdio à peça publicitária que a transnacional do “eucalipto” tem veiculado entre os jogos da Copa do Mundo. O texto será mandado às sete personalidades que participam da propaganda e ao ministro da Cultura, Gilberto Gil, que cedeu os direitos de sua música “Balé de Berlim” à agência W/Brasil, responsável pela criação.
(…)
O manifesto, redigido em conjunto pelos quilombolas, indígenas e camponeses, virá acompanhado de fotos que mostram indígenas capixabas feridos, expulsos de sua terra, em ação de despejo efetuada pela Polícia Federal e tratores da Aracruz, no início do ano. O documento, que deve ter como porta-vozes artistas e esportistas de renome, conta com o apoio da Rede Alerta Contra o Deserto Verde é grupo formado por cerca de 100 entidades com o objetivo de frear a expansão da monocultura do eucalipto no Espírito Santo, Bahia, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

A íntegra da notícia, pelo Marcelo Netto Rodrigues da redação do Brasil de Fato.

19.06

Perguntar ofende?

Filed under: ativismo, denuncia, radiolivre — cyrano @ 1:15

O atual governador de Minas Gerais, Aécio Neves, publicou um livro chamado “choque de gestão” a respeito do governo dele, daquele jeito. Como o cara arrumou tempo pra governar e escrever um livro ao mesmo tempo?

Ele publicou esse livro pela editora da UFMG, que geralmente publica produções acadêmicas. Como ele conseguiu entrar em tão seleto meio?

A Rádio Educativa da UFMG só foi liberada pra funcionar depois de contato político com o vice-presidente. Como… Ah, deixa pra lá.

Liguem os pontos com o post de baixo, esse aí com reportagem da Folha sobre os procedimentos tomados pelo Estado pra liberar concessões de rádio e tv desde a época do lançamento da Bíblia.

Radiola neles.

Filed under: ativismo, denuncia, radiolivre — cyrano @ 1:11

É muita treta.

Governo Lula distribui TVs e rádios educativas a políticos:

ELVIRA LOBATO
da Folha de S.Paulo, no Rio

O governo Lula reproduziu uma prática dos que o antecederam e distribuiu pelo menos sete concessões de TV e 27 rádios educativas a fundações ligadas a políticos. Também foi generoso com igrejas: destinou pelo menos uma emissora de TV e dez rádios educativas a fundações ligadas a organizações religiosas. Esse fenômeno confirma a afirmação de funcionários graduados do Ministério das Comunicações de que, no Brasil, a radiodifusão “ou é altar ou é palanque”.

Entre políticos contemplados estão os senadores Magno Malta (PL-ES) e Leonel Pavan (PSDB-SC). A lista inclui ainda os deputados federais João Caldas (PL-AL), Wladimir Costa (PMDB-PA) e Silas Câmara (PTB-AM), além de deputados estaduais, ex-deputados, prefeitos e ex-prefeitos.

Em três anos e meio de governo, Lula aprovou 110 emissoras educativas, sendo 29 televisões e 81 rádios. Levando em conta somente as concessões a políticos, significa que ao menos uma em cada três rádios foi parar, diretamente ou indiretamente, nas mãos deles. Fernando Henrique Cardoso autorizou 239 rádios FM e 118 TVs educativas em oito anos. No final de seu segundo mandato, a Folha, em levantamento semelhante, comprovou que pelo menos 13 fundações ligadas a deputados federais receberam TVs, desmentindo a promessa que ele havia feito de que colocaria um ponto final no uso político das concessões de radiodifusão.

FHC acabou com a distribuição gratuita de concessões para rádios e TVs comerciais -passaram a ser vendidas em licitações públicas-, mas as educativas continuam sendo distribuídas gratuitamente a escolhidos pelo Executivo. Antes de FHC, os políticos recebiam emissoras comerciais. No governo do general João Baptista Figueiredo (1978 a 1985), foram distribuídas 634 concessões, entre rádios e televisões, mas não se sabe quantas foram para políticos. No governo Sarney (1985-90), houve recorde de 958 concessões de rádio e TV distribuídas. Muitos políticos construíram patrimônios de radiodifusão naquele período em nome de “laranjas”.

Fachadas

A Folha pesquisou em cartórios e promotorias de Justiça a origem de cerca de metade das fundações atendidas no governo Lula. O número de emissoras dadas a políticos pode ser maior porque parte das fundações existe apenas no papel.

A Fundação Dona Dadá, presidida pela mulher de Magno Malta, por exemplo, tem como endereço o escritório do senador, em Vila Velha. A rádio foi aprovada pelo ministro Hélio Costa em abril.

A Fundação Rodesindo Pavan, que recebeu uma rádio em Balneário Camboriú (SC), em 2004, é presidida pela mulher do senador Leonel Pavan, segundo a documentação existente no Senado.

Malta e Pavan não comentaram o assunto. A identificação dos políticos é difícil porque eles não aparecem diretamente como responsáveis pelas fundações, mas se fazem representar por parentes, assessores e cabos eleitorais.

O deputado federal João Caldas (PL-AL) é um desses casos. Ele criou a Fundação Quilombo, em Alagoas, e recebeu licença para uma rádio FM educativa em Maceió, em dezembro do ano passado. No governo FHC, a fundação recebeu uma TV educativa em Maceió e cinco emissoras de rádio no interior do Estado.

Oficialmente, as rádios não pertencem a João Caldas, mas à Fundação Quilombo. No site do ministério, consta o nome de uma ex-assessora dele, Maria Betania Botelho Alves, como presidente. Caldas diz que não tem rádios e que a ex-assessora já deixou a entidade. No entanto, empresários alagoanos afirmam que ele é dono da rede de rádios educativas Farol Sat.

Funcionários da Farol Sat, em Maceió, também o apontam como proprietário. Caldas admite que é um dos instituidores da fundação. Ele disse à Folha que o envolvimento de polêticos com a radiodifusão acontece em todo o país. “Não acredito que isso mude. As pessoas mais influentes são as que têm meios de comunicação, como ACM na Bahia, Orestes Quércia em São Paulo e a família Sarney no Maranhão. Comunicação dá voto.”

Ministros

Os três ministros que chefiaram a pasta das Comunicações no governo Lula -Miro Teixeira (PDT), Eunício de Oliveira (PMDB) e Hélio Costa (PMDB)- aprovaram quantidades parecidas de rádios. Foram 23 autorizadas por Teixeira, 25 por Costa e 31 por Oliveira.

Os três sustentam que não sabiam do elo das fundações com políticos, mas, curiosamente, todos reclamam da pressão constante dos parlamentares reivindicando novas outorgas.

As concessões de TV são dadas por decreto do presidente, enquanto as de rádio são aprovadas pelo ministro, por portaria. As concessões de TV são por 15 anos, renováveis, e as de rádio, por 10 anos, também renováveis.

Colaboraram PAULO PEIXOTO, da Agência Folha em Belo Horizonte, KAMILA FERNANDES, da Agência Folha em Fortaleza, e LILIAN CHRISTOFOLETTI, da Reportagem Local.

16.06

A lenda do leite longa vida.

Filed under: denuncia, humor — cyrano @ 16:59

Bom, leiam isso aqui. É de um site interessante, o Quatro Cantos, que vive pesquisando lendas que surgem misteriosamente na internet. Nesse caso, é aquela história estranha e mal contada do leite longa-vida ser repasteurizado e revendido várias vezes, sendo que um número na embalagem indicaria quantas vezes ele já passou pelo processo de “reciclagem”.

Essa é pros que ficaram mal-humorados comigo por ter duvidado dessa história. Mais uma vez, e como sempre, eu estava certo. :P

Últimas denúncias notícias…

Filed under: ativismo, denuncia — cyrano @ 15:06

Que moda é essa?, tirado do Instituto Observatório Social:

C&A vende roupas produzidas em malharias clandestinas, mediante exploração de mão-de-obra de imigrantes irregulares.

Reportagem do Observatório Social revela que a multinacional de origem holandesa C&A, com 113 unidades instaladas no Brasil, se beneficia do trabalho degradante de imigrantes na cidade de São Paulo.

Os trabalhadores são trazidos ao Brasil por intermediários conhecidos como “coiotes”, que ganham dinheiro contrabandeando gente de um país para outro. Pelo menos 100 mil bolivianos estão nesta situação na capital paulista.

Segundo o Ministério Público do Trabalho, podem chegar a 80 os fornecedores suspeitos de usarem as malharias clandestinas para costurar as roupas. Centenas de etiquetas com marcas da C&A foram encontradas nesses locais pelas autoridades.

A denúncia está na edição 10 de Observatório Social Em Revista, que traz um dossiê sobre trabalho precário.

Clique aqui para ler a reportagem (em formato pdf).

8.06

Cyrano….

Filed under: micropolítica — cyrano @ 1:08

Muito bem, quem  que tá com meu Cyrano de Bergerac mesmo? Devolve aí, porfa, que a Sra. Klaxon de Tal tá querendo lê-lo.

Gradicido.

6.06

O show tem que continuar (putz…)

Filed under: micropolítica — cyrano @ 23:27

Ando meio sem palavras na cabeça e com um comichão frequente nas mãos, de vontade de fazer alguma coisa, mas já que é para o bem de todos e alegria geral da nação digam ao povo que eu publico (essas e outras imagens tão aqui. fiz um linq “meus stencils” ali no canto):






************** atualizando:

Só avisando que alguns desses stencils tão disponíveis pra fazer estampas, A partir de $8 reais… :) Es nosotros en la fita, rapá!

3.06

Linda.

Filed under: micropolítica — cyrano @ 0:43

Circuladô de fulô (Caetano Veloso/Haroldo de Campos)

circuladô de fulô ao deus ao demodará que deus te guie
porque eu não posso guiá eviva quem já me deu circuladô de
fulô e ainda quem falta me dá
soando como um shamisen e feito apenas com um arame
tenso um cabo e uma lata velha num fim de festafeira no
pino do sol a pino mas para outros não existia aquela música
não podia porque não podia popular aquela música se não
canta não é popular se não afina não tintina não tarantina e
no entanto puxada na tripa da miséria na tripa tensa da mais
megera miséria física e doendo doendo como um prego
na palma da mão um ferrugem prego cego na
palma espalma da mão coração exposto como um nervo
tenso retenso um renegro prego cego durando na palma
polpa da mão ao sol
circuladô de fulô ao deus ao demodará que deus te guie
porque eu não posso guiá eviva quem já me deu
circuladô de fulô e ainda quem falta me dá o povo é o inventalínguas na malícia da maestria no matreiro
da maravilha no visgo do improviso tenteando a travessia
azeitava o eixo do sol
circuladô de fulô ao deus ao demodará que deus te guie
porque eu não posso guiá eviva quem já me deu
circuladô de fulô e ainda quem falta me dá e não peça que eu te guie não peça despeça que eu te guie
desguie que eu te peça promessa que eu te fie me deixe
me esqueça me largue me desamargue que no fim eu acerto que
no fim eu reverto que no fim eu conserto e para o fim me
reservo e se verá que estou certo e se verá que tem jeito e se
verá que está feito que pelo torto fiz direito que quem faz
cesto faz cento se não guio não lamento pois o mestre que
me ensinou já não dá ensinamento
circuladô de fulô ao deus ao demodará que deus te guie
porque eu não posso guiá eviva quem já me deu
circuladô de fulô e ainda quem falta me dá

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