Isso eu também postei no Overmundo, aqui. Diálogo bacana nascendo por lá…
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hmm… acho que estou entendendo o que o Overmundo entende por “cultura”… :(
Sinceramente, estou me decepcionando. Retirei esse trecho do Sobre o Overmundo:
A produção é cada vez maior, mas só uma mÃnima parcela do que é produzido consegue ser divulgada ou distribuÃda para o público. Aproveitando todas as possibilidades colaborativas da internet, o Overmundo propõe uma nova forma de gerar conhecimento sobre as múltiplas vertentes de nossa arte contemporânea, na qual não é mais possÃvel estabelecer fronteiras claras entre produtores, divulgadores e consumidores de cultura.
Produção de cultura… Não acho que cultura seja algo como uma fábrica, você pára “bom, agora vou produzir cultura, agora vou comer, agora vou dormir, amanhã acordo e produzo mais um pouco de cultura”. Literatura de cordel fala de muita coisa, é meio de comunicação e objeto de consumo cultural. Funk, merma coisa. Hiphop então nem se fala, tem até grife de roupa. Hiphop, música, mas também jornal, rádio independente. Não é “produção cultural somada a ações polÃticas e engajadas”. É cultura, atitude, hábito e maneira de ver o mundo. É tudo junto. Essa coisa de separar cultura é raciocÃnio de mercado, e se a proposta do overmundo é extrapolar os limites do pensamento de mercado, é preciso pensar essa palavrinha perigosÃssima: “cultura”. Desmontá-la.
Um trecho do Guattari pra tentar clarear as coisas:
O terceiro núcleo semântico, que designo “C”, corresponde à cultura de massa e eu o chamaria de “cultura-mercadoria”. Aà já não há julgamento de valor, nem territórios coletivos da cultura mais ou menos secretos, como nos sentidos A e B. A cultura são todos os seus bens: todos os equipamentos (casas de cultura, etc.), todas as pessoas (especialistas que trabalham nesse tipo de equipamento), todas as referências teóricas e ideológicas relativas a esse funcionamento, enfim, tudo que contribui para a produção de objetos semióticos (livros, filmes, etc.), difundidos num mercado determinado de circulação monetária ou estatal. Difunde-se cultura exatamente como Coca-cola, cigarros “de quem sabe o que quer”, carros ou qualquer coisa.
(o linq pra um trecho maior do texto tá aqui, ó)
Tô afim de fazer masturbação teórica não. Só tou tentando pensar que limites a gente se coloca, de antemão, se tentamos entender aqui no Overmundo cultura como algo que se produz, distribui e vende. Isso é só uma maneira de ver as coisas e, sinceramente, bastante limitada. Nem todo mundo é, consegue, ou quer ser um “profissional da cultura”, que é conhecido mais popularmente como artista. Vai que catador de papel quer cantar enquanto trabalha, gosta, inventa, faz música que combina com o ritmo e os ambientes do trampo dele. Não quer vender, mas não vai achar ruim se quiserem distribuir. Sem precisar virar bem de consumo. Sem precisar de nada mais.
Ou, digamos, o que iniciou esse meu blablabla: uma notÃcia a respeito de uma multinacional que apoiou uma operação ilegal da polÃcia federal pra expulsar uns Ãndios lá no EspÃrito Santo.
Publiquei a notÃcia. Óbvio que ela não combina com o que a gente entende normalmente por “cultura”. Não se compra, não se vende, não se faz nada com essa notÃcia a não ser, talvez, uma ação polÃtica.
Mas porque que ação polÃtica não tem a ver com cultura? Quem disse isso? E porquê? E, principalmente, porque nós precisamos concordar com isso e dar razão a essa idéia aqui no Overmundo?
A provocação tá aÃ. Se a comunidade é aberta, as palavras usadas pra definir o que ela é, quais os seus objetivos, pra quê ela existe, também estão abertos.
… Ou não? Será que o Overmundo tá aberto mesmo ou foi uma ilusão, ainda que breve, minha?