…cyrano disse,

31.03

Porra!!!

Filed under: aliados, radiolivre — cyrano @ 8:52

car@s,
em :

http://orelha.radiolivre.org:8000/stanicaMIR.m3u

ou

http://dyne.radio.org:8000/stanicaMIR.mp3

está rolando a transmissão da stanica MIR, uma rede de radios livres da croacia. um figura de lá está aqui em barão geraldo gold land e faz a ponte Brasil-Croacia.

aquele salve,
subradio

Sem opção.

Filed under: aliados, ativismo, denuncia — cyrano @ 8:52

INFORME À IMPRENSA E À SOCIEDADE

GREVE DE FOME em frente ao Palácio da Liberdade, em BH
Lideranças dos Movimentos Sociais fazem grave de fome por livre expressão

Hoje, 30/03, às 16hs começou a Greve de fome de vários representantes de movimentos sociais por causa do fechamento de espaços públicos para realização do I Encontro dos Movimentos Sociais Mineiros. A Prefeitura de Belo Horizonte e o Governador Aécio Neves não liberaram espaço para realizar o evento dos Movimentos.

A Greve de Fome tem como objetivo garantir a livre expressão de manifestação, principalmente no momento de realização do 47º Encontro do BID em Belo Horizonte. O Jejum de protesto está acontecendo em frente ao Palácio da Liberdade - Belo Horizonte (MG). Estão participando do JEJUM PROFÉTICO as seguintes pessoas:
1) Pe. João do Carmo Macedo (pelo Movimento dos Atingidos por Barragens - MAB);
2) Pe. Henrique de Moura Faria (pelo Fórum Político Religioso);
3) Sônia Maria Loschi (pela Comissão Pastoral da Terra - CPT);
4) Marcelo Corisco (pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - MST);
5) Maria Luzinete de Almeida (pelo Movimento dos Atingidos por Barragens - MAB);
6) Jonas Ferreira de Oliveira (Sem Terra do Assentamento 1o de junho em Tumiritinga, pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - MST);
7) Ademilson Teixeira Alves (pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - MST);
8) Jackson Almeida Lima (pelo Movimento dos Trabalhadores Desempregados - MTD).

Maiores Informações:
(31) 3817 4927
(33) 9111 6343

Eis, abaixo, um texto que mostra o porquê da GREVE DE FOME.

————————–

O tapete vermelho e os pés descalços

Frei Gilvander Moreira

A cidade de Belo Horizonte está sendo palco de dois grandes eventos ao mesmo tempo, na virada de março para abril (de 2006): O 47º Encontro do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e o I Encontro Mineiro dos Movimentos Sociais.

Os 7.000 participantes do Encontro do BID chegaram de avião, muitos em 1º classe, pelo aeroporto de Confins. Eram governadores, presidentes, executivos e empresários de todos os estados de todos os países do continente americano. Após descer do avião, recebidos por uma grande comitiva de recepção de funcionários públicos, encontraram (em construção)um “tapete vermelho”, a Linha Verde, que liga o centro de Belo Horizonte ao aeroporto, obra financiada pelo BID. Os melhores hotéis da capital mineira, abarrotados, acolheram todos. Táxis com motoristas uniformizados e ônibus
executivos à disposição. Os melhores restaurantes estão servindo a tradicional e suculenta comida mineira para todos. O metrô em alguns horários do dia, de 28/03 a 5/04, parou de transportar as pessoas comuns e, com exclusividade, levava e trazia todos do Parque da Expominas até à rodoviária, perto dos hotéis. O Parque da Expominas foi todo reconstruído para acolher todos com conforto. Mais de 3.000 policiais militares, federais e do serviço de inteligência deram segurança e evitaram algum “distúrbio”.

O deus capital acompanha esse evento, passeando por tapetes vermelhos.

Por outro lado, a maioria dos 2.000 participantes do I Encontro Mineiro dos Movimentos Sociais está vindo à pé, em uma marcha do MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens) de Ponte Nova até Belo Horizonte. Chegarão com calos nos pés, suados, com a mochila nas costas e com um grito de reivindicações. Pelo tanto de “não” que a comissão organizadora tem recebido
da prefeitura e Governo estadual, como José e Maria, pai e mãe de Jesus, “não terão lugar para eles, e terão que se arranjar em uma estrebaria” (cf.Mt 2,), terão que acampar “na marra” em algum canto, pois a Prefeitura de BH não liberou a Praça da Estação. Dormir, onde? Acreditamos que a solidariedade de pessoas de bem contribuirão muito. Cadê lugar para tomar um banho? E para fazer as necessidades fisiológicas? Será tudo improvisado. Comida?! Aparecerá graças a um grande mutirão de solidariedade. Temos a convicção que o Deus da vida e da esperança acompanha os pobres em movimento.

Argumento da prefeitura de BH para não ceder a Praça da Estação (pasmem):
“Somos (A prefeitura) anfitriões do BID e não podemos patrocinar movimentos de protestos contra nosso visitante.”

Queríamos apenas que liberassem (como dispõe o Art. 5º da CF) a Praça Pública para que os pobres organizados se manifestassem. Praça que deveria ser do povo, como o céu é do condor, diria o abolicionista Castro Alves.

A mídia, controlada pelo governo estadual, trombeteia o tempo todo alertando a população que “movimentos paralelos não podem macular o brilho de tão grandioso evento, o do BID.” O que reivindicavam os dois grupos? …

O BID promete emprestar mais 100 milhões de dólares para obras sociais em municípios de Minas. Mas quais os efeitos colaterais dos empréstimos do BID? Quem empresta, normalmente, põe o cabresto em quem fica endividado.

Reivindicávamos: A prefeitura de BH e o governo do estado fizeram o máximo para acolher da melhor maneira possível o Encontro do BID. Os pobres do movimento popular do campo e da cidade são de carne e osso também. Por que não podem ser acolhidos da mesma forma? Dois pesos e duas medidas não valem.

Pela coordenação,
Frei Gilvander Moreira, da Comissão Pastoral da Terra e do Movimento Capão
Xavier Vivo
Email: gilvander@igrejadocarmo.com.br

30.03

Licença, por favor.

Filed under: metacafe — cyrano @ 21:09

Olha a licença que o Metacafé tá registrado.

http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/2.5/

IstoEra.

Filed under: denuncia — cyrano @ 17:46

Só copiar e colar, direto do Alfarrábio e do Pedro Doria:

No ventilador
“Não quero preto, nem pobre na revista.”

– Do diretor de Redação da IstoÉ, Carlos José Marques, segundo o editor de política da mesma revista, Luiz Cláudio Cunha.

Uma carta muito foda.

Filed under: academialivre, aliados, humor, micropolítica — cyrano @ 8:37

Achei na seção escritos do site Barulho.org. É uma carta do Deleuze a um cara que criticou ele em um livro, acho:

Sou de uma geração, uma das últimas gerações que foram mais ou menos assassinadas com a história da filosofia. A história da filosofia exerce em filosofia uma função repressora evidente, é o Édipo propriamente filosófico: “Você não vai se atrever a falar em seu nome enquanto não tiver lido isto e aquilo, e aquilo sobre isto, e isto sobre aquilo.” Na minha geração muitos não escaparam disso, outros sim, inventando seus próprios métodos e novas regras, um novo tom. Quanto a mim, “fiz” por muito tempo história da filosofia, li livros sobre tal ou qual autor. (…) Mas minha principal maneira de me safar nessa época foi concebendo a história da filosofia como uma espécie de enrabada, ou, o que dá no mesmo, de imaculada concepção. Eu me imaginava chegando pelas costas de um autor e lhe fazendo um filho, que seria seu, e no entanto seria monstruoso. Que fosse seu era muito importante, porque o autor precisava efetivamente ter dito tudo aquilo que eu lhe fazia dizer. Mas que o filho fosse monstruoso também representava uma necessidade, porque era preciso passar por toda espécie de descentramentos, deslizes, quebras, emissões secretas que me deram muito prazer.

– é um arquivo no formato pdf, mas tá valeno. Cê vai precisar do programa Acrobat Reader pra ler.

Ele repassa, eu ecoo.

Filed under: ativismo, denuncia, metacafe — cyrano @ 8:24

Recebi via email:

Repasso:

Para refrescar nossas consciências. Coca Cola é isso ai!!!!

A hora da verdade sobre Coca-Cola (e afins) está cada vez mais perto
Rede 3setor
http://br.groups.yahoo.com/group/3setor

Lester Brown já diz que o principal recurso natural a ser rapidamente esgotado é o tempo…. antes que seja mesmo muito tarde….

1. Relatório da WAR ON WANT (http://www.waronwant.org/?lid=807)
http://www.waronwant.org/downloads/cocacola.pdf

2. www.cokejustice.org

3. Texto de Daniel Cassol

Enviado especial ao México

Comunidades rurais da Índia, que convivem com engarrafadoras da Coca-Cola, já sofrem com a falta de água na região. Uma fábrica é capaz de captar até um milhão de litros de água por dia. Na Colômbia, desde 1990, oito trabalhadores de fábricas da multinacional, que atuavam no Sindicato dos Trabalhadores da Alimentação, já foram assassinados por grupos paramilitares com a conivência da empresa. Na Turquia, 14 motoristas da empresa, atuantes nos sindicatos, já a denunciaram por intimidação e tortura. Coca-Cola é isso aí. Os casos estão relatados no documento “Coca-Cola — o informe alternativo”, divulgado na Cidade do México pela organização não-governamental War on Want. É por isso que, na visão dos ativistas da entidade, boicotar os produtos da transnacional não significa apenas defender a água. “Quem decide não consumir mais produtos da Coca-Cola é porque chegou a um alto grau de consciência política”, afirma Gustavo Castro, do México. No país em que o atual presidente da República já foi presidente nacional da multinacional, a empresa está se apoderando dos recursos hídricos. De acordo com o relatório, a Coca-Cola está recebendo incentivos e isenções para privatizar os aquíferos do Estado de Chiapas, rico em água. “No México, a Coca-Cola entrou na vida familiar, é parte da paisagem e da vida das pessoas”, relata Castro.

Contaminação e violência

O indiano Amit Srivastava, da organização India Resources, relata que no seu país a Coca-Cola arrasa comunidades onde possui fábricas engarrafadoras. A quantidade de água utilizada pela empresa é tanta que em algumas regiões o nível dos rios já baixou até 10 metros em cinco anos. “Quase toda a água que a Coca-Cola usa é para limpar máquinas e garrafas. Eles colocam produtos químicos na água e a contaminam, prejudicando solos, plantas e aquíferos”, afirma. De acordo com Srivastava 70% da população indiana vive da agricultura e as consequências da presença da Coca-Cola no país são trágicas para esse setor. “Beber Coca-Cola é como beber o sangue dos agricultores da Índia”, completa. O dirigente sindical Javier Correa, do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Industria de Alimentação da Colômbia, denuncia uma outra faceta da transnacional: a repressão aos sindicatos e a violência contra os trabalhadores. Desde 1990, são nove sindicalistas funcionários da empresa mortos por grupos paramilitares, 14 presos e 48 vítimas de ameaças de morte, como é o caso de Correa. “São boas as relações entre a Coca-Cola e os paramilitares”, denuncia.

Boicote internacional

Todos os casos de violação de direitos humanos, de exploração pedratória dos recursos hídricos e contaminação da água, levaram a Coca-Cola a patrocinar o IV Fórum Mundial da Água, na opinião de Amit Srivastava. O evento, que termina no dia 22 na Cidade do México, seria um grande exercício de relações públicas da empresa. “É inacreditável que a Coca-Cola esteja patrocinando um fórum internacional sobre água, porque sua relação com ela é extremamente insustentável”, declara. No contexto do Fórum Internacional em De fesa da água, evento paralelo ao oficial, a organização War on Want divulgou sua proposta de uma campanha internacional de boicote aos produtos da empresa. “A Coca-Cola não entende de ética. Não há como negociar com essa empresa, porque a única coisa que ela entende é de dinheiro. Por isso precisamos boicotar seus produtos”,afirma Srivastava. De acordo com a organização, universidades estadunidenses, como a de Michigan e de Nova York, já cancelaram seus contratos com a empresa.

25.03

Adorei a sugestão.

Filed under: academialivre, aliados, metareciclagem, micropolítica — cyrano @ 12:32

Desligue a teoria barata e vá ler pessoas.

.anA (foto estranha).

24.03

Orkut - sorte de hoje.

Filed under: micropolítica — cyrano @ 18:33

O grande prazer da vida é fazer o impossível.

Bastidores de instituições lambe-saco.

Filed under: academialivre, aliados, ativismo, denuncia — cyrano @ 16:23

Recebi esse email aqui:

Companheiras e companheiros,

Ainda sob o impacto das ultimas noticias, vou dar o informe sobre o andamento de nosso Encontro dos Movimentos Sociais por um Projeto Popular e Contra as Politicas das Instituições Financeiras Multilaterais.

Por respeito a nossa relação com a prefeitura, nao tornamos publico os problemas que estavamos tendo, especialmente porque haviamos encontrado outra alternativa. Mas agora, temos que informar toda a situação que esta colocada mas, que nao vai inviabilizar o encontro.

Desde janeiro quando começamos a organizar este encontro, seguimos o caminho tradicional: enviamos o projeto para o gabinete do prefeito e buscamos contato com os diferentes orgaos da PBH que sempre nos atendem: Regional Centro Sul, Secret. de Educação, Espaço Miguilim etc. Alem dos espaços da UFMG - Centro Cultural, DA Engenharia e posteriormente, a Escola de Engenharia. No inicio, tudo estava muito bem. O Prefeito encaminhou nossa solicitação para o Secret. de Planejamento, Julio Pires que nos recebeu e ficou de dar o retorno posteriormente. Continuamos a organizar a infra, acreditando que estava tudo tranquilo. No dia 10 de março recebemos o retorno da Prefeitura, atraves de um telefonema do secretario dizendo que teriam o maximo prazer em nos atender, como sempre fizeram, mas nao durante o periodo do encontro do BID. Nao poderiam estar recebendo o BID e apoiando os movimentos que iriam organizar atividades contra o BID. Depois, tivemos o retorno do Centro Cultural, dizendo que, como ia mudar a reitoria, ja tinham pedido para suspender todas as atividades agendadas em especial a que foi solicitada pelos movimentos sociais.

Depois de tudo isto, buscamos reorganizar nossas atividades, mudamos para a Rua Guaicurus, tivemos a possibilidade de manutenção do centro cultural, buscamos outros espaços para os paineis. Mas, hoje, dia 24 as 10 horas da manha, recebi um telefonema da BHtrans - vao oficializar por escrito - informando que, tiveram uma reuniao ontem, com todo o sistema de organização e segurança do encontro do BID e que ficou proibido de ceder o quarteirao fechado da Guaicurus. Portanto, ficou fechado para os movimentos sociais qualquer utilização dos espaços públicos. Mesmo indignada com esta postura autoritaria - os espaços são publicos - estamos buscando alternativas.

As caravanas ja estao organizadas, os atingidos por barragens iniciam sua marcha na segunda feira e nos precisamos de ter o espaço que comporte 2000 pessoas. Logo que nos reorganizarmos, passamos a informação. Mas, o importante é que nosso evento esta mantido, precisamos de todos, em especial na marcha e nas atividades para mostrarmos nossa força.

Vamos buscar as alternativas e comunicamos para todos. Quem puder, divulgue a situação como estão tratando os movimentos sociais.

Estou escrevendo ainda indignada com a situação. Depois encaminhamos uma nota oficial da coordenação.

Um abraço

D.

20.03

CreativeCommons.

Filed under: aliados, ativismo, metareciclagem — cyrano @ 19:56

Essa animação é imperdível! Dublaram para nossa língua-pátria uma maravilhosa animação do site Creative Commons, um movimento de cultura livre que criou e têm desenvolvido com um sucesso comparável ao wikipédia licenças autorais parciais, que permitem o uso de fragmentos de obras para remixagem.

O melhor é que se for ver funk, hip-hop, tecnobrega, galera tupiniquim já tá nessa sem tiozim pintano de bacana.

É nóis!

**************** atualizando:

Achei outro filmim deles, Seja Criativo, a introdução básica éàlicença CreativeCommons. Ótimo início de conversa.

19.03

Nota mental.

Filed under: academialivre, ativismo, metareciclagem, micropolítica — cyrano @ 22:57

Em algum momento, pensar um projeto pra convencer a UFMG a implantar algo como um Overmundo “interno”, pra comunidade que compõe o campus. Adaptando o sistema deles que é CreativeCommons, sem gasto, prum ambiente colaborativo universitário.

Nó. Posso esquecer disso não.

Notícia deliciosa!

Filed under: academialivre, aliados, humor, micropolítica — cyrano @ 22:14

Pois é, acho que dei um soco no Overmundo. Tô ressabiado, levei um susto e tô me recuperando.

Vi essa notícia deliciosa por lá. Imperdível:

Ali sentado na calçada, passando cola no solado, costurando bico, remendando uma sandália, pitando outra, Seu Alves, o sapateiro, conta os anos que se passaram. Toim, filho mais novo e herdeiro do ofício do pai, avisa: “rapaz, você vai dormir, acordar, e ele ainda ta falando.” Deboche de filho. De história em história, virou reportagem, dessas de televisão, jornal, rádio, até a tv a cabo, mas essa ele não assistiu, “é tv de gente rica.”

De verdade, perde não. Clica logo nesse linq!

Ai, essa doeu minha cabeça.

Filed under: academialivre, aliados, denuncia, micropolítica — cyrano @ 21:56

Isso eu também postei no Overmundo, aqui. Diálogo bacana nascendo por lá…

************************

hmm… acho que estou entendendo o que o Overmundo entende por “cultura”… :(

Sinceramente, estou me decepcionando. Retirei esse trecho do Sobre o Overmundo:

A produção é cada vez maior, mas só uma mínima parcela do que é produzido consegue ser divulgada ou distribuída para o público. Aproveitando todas as possibilidades colaborativas da internet, o Overmundo propõe uma nova forma de gerar conhecimento sobre as múltiplas vertentes de nossa arte contemporânea, na qual não é mais possível estabelecer fronteiras claras entre produtores, divulgadores e consumidores de cultura.

Produção de cultura… Não acho que cultura seja algo como uma fábrica, você pára “bom, agora vou produzir cultura, agora vou comer, agora vou dormir, amanhã acordo e produzo mais um pouco de cultura”. Literatura de cordel fala de muita coisa, é meio de comunicação e objeto de consumo cultural. Funk, merma coisa. Hiphop então nem se fala, tem até grife de roupa. Hiphop, música, mas também jornal, rádio independente. Não é “produção cultural somada a ações políticas e engajadas”. É cultura, atitude, hábito e maneira de ver o mundo. É tudo junto. Essa coisa de separar cultura é raciocínio de mercado, e se a proposta do overmundo é extrapolar os limites do pensamento de mercado, é preciso pensar essa palavrinha perigosíssima: “cultura”. Desmontá-la.

Um trecho do Guattari pra tentar clarear as coisas:

O terceiro núcleo semântico, que designo “C”, corresponde à cultura de massa e eu o chamaria de “cultura-mercadoria”. Aí já não há julgamento de valor, nem territórios coletivos da cultura mais ou menos secretos, como nos sentidos A e B. A cultura são todos os seus bens: todos os equipamentos (casas de cultura, etc.), todas as pessoas (especialistas que trabalham nesse tipo de equipamento), todas as referências teóricas e ideológicas relativas a esse funcionamento, enfim, tudo que contribui para a produção de objetos semióticos (livros, filmes, etc.), difundidos num mercado determinado de circulação monetária ou estatal. Difunde-se cultura exatamente como Coca-cola, cigarros “de quem sabe o que quer”, carros ou qualquer coisa.

(o linq pra um trecho maior do texto tá aqui, ó)

Tô afim de fazer masturbação teórica não. Só tou tentando pensar que limites a gente se coloca, de antemão, se tentamos entender aqui no Overmundo cultura como algo que se produz, distribui e vende. Isso é só uma maneira de ver as coisas e, sinceramente, bastante limitada. Nem todo mundo é, consegue, ou quer ser um “profissional da cultura”, que é conhecido mais popularmente como artista. Vai que catador de papel quer cantar enquanto trabalha, gosta, inventa, faz música que combina com o ritmo e os ambientes do trampo dele. Não quer vender, mas não vai achar ruim se quiserem distribuir. Sem precisar virar bem de consumo. Sem precisar de nada mais.

Ou, digamos, o que iniciou esse meu blablabla: uma notícia a respeito de uma multinacional que apoiou uma operação ilegal da polícia federal pra expulsar uns índios lá no Espírito Santo.

Publiquei a notícia. Óbvio que ela não combina com o que a gente entende normalmente por “cultura”. Não se compra, não se vende, não se faz nada com essa notícia a não ser, talvez, uma ação política.

Mas porque que ação política não tem a ver com cultura? Quem disse isso? E porquê? E, principalmente, porque nós precisamos concordar com isso e dar razão a essa idéia aqui no Overmundo?

A provocação tá aí. Se a comunidade é aberta, as palavras usadas pra definir o que ela é, quais os seus objetivos, pra quê ela existe, também estão abertos.

… Ou não? Será que o Overmundo tá aberto mesmo ou foi uma ilusão, ainda que breve, minha?

18.03

Vendendo jiló como se fosse chuchu.

Filed under: denuncia — cyrano @ 23:56

Por Leila Couceiro, no interessante projeto Bombordo:

O candidato do PSDB à presidência, Geraldo Alckmin, é chamado de “picolé de chuchu” por sua personalidade apagada e sem graça, mas, para mim, nada superou a sensaboria da cobertura da imprensa brasileira sobre o novo adversário de Lula. As reportagens se concentraram em comentar a reação do perdedor Serra, e a reproduzir opiniões de Alckmin contra o governo Lula. Em nenhum momento consegui encontrar uma linha mais crítica ou mais reveladora sobre o candidato do PSDB. Se fôssemos julgar pelas matérias que têm saído em todos os jornais nos últimos dias, Alckmin não tem um só defeito que o desabone; não houve um só projeto polêmico em seus dois mandatos como governador de São Paulo; sua biografia é mais inofensiva e branda do que a de qualquer político que já fez carreira no país. Sinceramente? I don’t buy this for a minute.

**************atualizando:

Ó, o trem tá foda…:

Tucanagem

Acabei de voltar do supermercado e passei em uma banca. Picolé de chuchu tá em todas, impressionante. Se pans vira fato de mídia e presidente mesmo, apesar do profundo carisma. Aúnica das revistas de grande circulação que não tem Alckmin tem FHC, coisa de louco. E a Época, da Globo, tenta compará-lo ao JK bem na capa. Nem tentam ser discretos, junta tudo, pega ali depois da novela, prepara terreno e joga JK pra cima. Se pans mesmo que o PSDB tivesse escolhido Serra, Época também ia dar um jeito de compará-lo ao JK.

Cada vez mais nojo de cenário político e midiático.

– felipefonseca, no blogue dele.

Caralho! A revolução tá sendo noticiada por email!

Filed under: academialivre, aliados, metacafe, metareciclagem, micropolítica — cyrano @ 23:27

Propriedade Intelectual em xeque
16/03/2006 da Redação - Cultura e Mercado

Em 2004, um novo projeto chamado Creative Commons balançou as estruturas do setor cultural ao apresentar um modelo de licenças flexíveis para obras intelectuais. O impacto no Brasil foi tão grande que atualmente estima-se que o país esteja em terceiro ou quarto lugar entre os que mais aderiram a essas licenças.

Agora, o mesmo CST (Centro de Tecnologia e Sociedade) da Escola de Direito da FGV-RJ que coordena o Creative Commons no Brasil, lança aqui o OpenBusiness, que tem o mesmo potencial de fazer o setor cultural repensar suas atividades.

O novo projeto tem o objetivo de mapear, estudar e catalogar novos modelos de negócios dentro do setor cultural que sejam baseados na disponibilização do conteúdo de forma aberta (o chamado conteúdo livre), em estruturas colaborativas e que tenham viabilidade econômica.

O projeto é resultado da iniciativa de três grupos que vêm trabalhando com a questão de conteúdo aberto em três países diferentes: Brasil, África do Sul e Inglaterra. O Brasil, com financiamento do IDRC (International Development Research Center), irá coordenar o projeto na Nigéria e em outros dois países latino-americanos ainda em definição (que deverão ser Chile e México). A duração da pesquisa será de um ano.

Na Nigéria, o alvo de estudos é a indústria de cinema, que vem emergindo de maneira impressionante e alternativa. O país não possui nenhuma sala de cinema, mas produz uma média anual de 1.200 filmes, superior à Índia, o maior produtor cinematográfico atual (pelo menos formalmente), com 800 títulos por ano. Toda essa produção nigeriana é canalizada para o mercado doméstico e vendida pelos camelôs em formato de VCD, ao preço médio de US$3 cada título. As estimativas apontam que essa indústria está empregando cerca de 8.000 pessoas e movimentando US$ 3 bilhões por ano.

Ronaldo Lemos, diretor do CTS, define essa produção como “cinema-povo” e explica a escolha: “O modelo nigeriano traz um elemento novo, que não está presente nas principais discussões sobre política audiovisual: a tecnologia. Ele é fascinante pelo fato de ser o primeiro a aproveitar sem medo o avanço tecnológico e o barateamento das tecnologias digitais. Para fazer um filme durante a maior parte do século XX, era preciso muito capital. Tudo isso mudou e permitiu que um país pobre como a Nigéria pudesse ter uma indústria gerada de baixo para cima, onde há dinheiro e empregos sendo gerados com cinema. A Nigéria demonstra que a tecnologia gera uma alternativa para as políticas audiovisuais.” Ele já assistiu a vários desses filmes e conta um pouco sobre eles: “Naturalmente, os filmes são diferentes da estética e dos temas que estamos acostumados. Eles tratam de temas locais, que incluem a relação da Nigéria com a Inglaterra, religião, feitiçaria, costumes tribais em contraposição a costumes urbanos e por aí vai. Mas a especificidade dos temas e da estética é um dos elementos que faz com que os filmes se conectem tão bem com o público e sejam tão bem sucedidos.”

Já no Brasil, será pesquisado o tecnobrega, surgido em Belém do Pará (ao que tudo indica) em 2002. A palavra define um tipo de som que mistura a chamada “música brega” com batidas eletrônicas dançantes, e que se transformou em um fenômeno local. O que torna o tecnobrega particular é que os artistas que o produzem não têm gravadoras. Eles enviam suas canções para as rádios em formato MP3. Fazem o mesmo com os camelôs, que se encarregam de produzir os cds para vender nas ruas, arcando com os custos de prensagem e impressão das capas. Ou seja, as gravadoras são o quintal da casa dos camelôs. Alguns cds são gravados ao vivo e vendidos já na saída do show.

O tecnobrega subverte o mercado fonográfico ao utilizar (e assumir) a pirataria como parte essencial da cadeia de produção e distribuição, criando uma economia cultural complemante informal. Como os artistas ganham dinheiro? Com shows. Se as rádios tocarem e os camelôs venderem, o artista torna-se conhecido e passa a ser contratado para apresentações ao vivo. “Há uma estimativa de que o tecnobrega lança em média 400 novos cd’s por ano. Isso é um forte indício de vitalidade econômica. É exatamente em busca desses números que o projeto OpenBusiness está sendo desenvolvido”, aponta Ronaldo. Ele ainda explica como a pesquisa será realizada: “No Brasil e nos outros países latino-americanos a pesquisa será quantitativa. O objetivo é entender a cadeia produtiva e os números movimentados pelo tecnobrega no norte do país. O tecnobrega possui uma estrutura de produção e disseminação do conteúdo aberta, na qual a exclusividade de distribuição não representa um fator determinante.”

A princípio, o OpenBusiness pode se confundir com as chamadas Indústrias Criativas, mas Ronaldo explica as diferenças: “O termo Indústrias Criativas é muito empregado no debate sobre a cultura no cenário internacional. É empregado no âmbito da Unesco e da própria Wipo (Organização Mundial da Propriedade Intelectual-OMPI). A crítica que se faz a esse termo é que indústria é uma palavra muito ligada ao século XX, que denota uma necessidade significativa de capital e uma organização muito tradicional dos meios de produção. No cenário atual, o termo indústria cultural torna-se restritivo. O projeto OpenBusiness está em busca exatamente das inovações que estão surgindo à margem desse termo.”

O site que se encontra no ar está em inglês, mas em cerca de dois meses uma versão em português deverá estar funcionando. Dividido em seções como “novas idéias”, “ferramentas” e “literatura”, nele pode se encontrar uma série de artigos sobre idéias empreendedoras construídas em cima de serviços abertos e livres. No site, qualquer pessoa já pode relatar um modelo de negócio aberto que conheça, o que ajudará a compor o OpenBusiness Wiki, um guia de modelos abertos de negócio que também vai conter os resultados das pesquisas que estão sendo agora realizadas.

Exemplos de projetos baseados em conteúdo livre e esquemas colaborativos vêm surgindo cada vez mais em todo o mundo, como a famosa Wikipedia, o Kuro5hin e o brasileiro Overmundo, recém-lançado. O OpenBusiness vem agora provar a viabilidade econômica desses modelos.

– visite: www.intervozes.org.br.

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