…cyrano disse,

23.02

A Horta da Radiola.

Filed under: academialivre, metareciclagem — cyrano @ 22:22

Vamos ver se eu continuo gostando desse texto daqui a dois dias…

Definição de “áreas de conhecimento”:

Em parte, a proposta desse projeto é a de escapar das diversas instâncias que determinam o que é e o que não é conhecimento. Uma visão muito comum hoje do conhecimento é que quanto mais especializada uma pessoa for, mais sábia ela é. Muito embora reportagens e estudos apontem mudanças, o endeusamento da especialização e do técnico continuam sendo o normal da nossa sociedade. Basta vestir uma gravata e dizer que é doutor para jogar qualquer lorota em cima de cidadãos inocentes. O que tem de gente dando golpe assim para roubar resgate de FGTS e 13º em porta de banco não é brincadeira!

Agir de tal forma (nos referimos à valorização do técnico, não aos truques de porta de banco…) implicou, com o tempo, na formação de várias disciplinas que, com mais um pouco de tempo, se fracionaram em especialidades ainda mais precisas. História, geografia, biologia, física e química foram separadas. A medicina passou a ter especialistas em pés, estômago, olhos esquerdo ou direito: corpo humano como conjunto de sistemas meio autônomos, meio interdependentes. O mesmo com a sociedade, tornando-se um sistema de profissões interdependentes: há que existir um engenheiro para construir pontes e outro para derrubá-las. Todo um universo formado por fragmentos mais ou menos autônomos e relacionados entre si, mas cada um lutando por sua própria identidade.

E assim, duas valorizações bastante questionáveis vão se mantendo ainda hoje — mais, talvez, pela profundidade de suas raízes que pela qualidade de seus frutos. Uma delas é o senso de ameaça e respeito mútuo que as especialidades técnicas têm entre si, e que faz com que profissionais de uma área não tolerem “estrangeiros” (ao mesmo tempo que evitam visitar outras áreas). A outra valorização institui, através de diversas máquinas de guerra, o que é o conhecimento, como construí-lo e quem possui autorização para transmití-lo. É claro que tais valorizações expulsam, para fora de suas margens, tudo que não é conhecimento, todos os lugares onde ele não está, e todas as maneiras que não se pode lidar com ele. A estrutura de pensamento dessas valorizações é hierárquica, arbórea. As coisas brotam umas das outras como ramos de uma árvore, e essa árvore possui raíz. E, nela, a Verdade: o que “a ciência” nasceu para buscar, e que prometia alcançar assim que se especializasse o suficiente. Eis que em um dado momento a Verdade, promessa no horizonte, se dissolveu em uma multiplicidade incompreensível de especializações. Mas a árvore continua com suas raízes bem fincadas no chão.

As discussões atuais nos estimulam a desenraizar a validade dessas hierarquias. As “áreas de conhecimento” precisam ter espaço para se dissolver, se misturar e emanar novos ares. Para funcionarem como rizoma, que não possui raíz nem unidade: se espalha e mistura em redes de interação imprevisível. E é preciso que elas sejam semeadas não só entre si, como uma transdisciplinaridade. É preciso uma indisciplinaridade — isto é, uma suspensão das disciplinas. Isso significa desmontar não só as áreas de conhecimento, mas a idéia implícita de que tal definição se refere apenas ao conhecimento científico. A Horta é pensada como um espaço a ser criado, preenchido, usado e alterado pela prática contínua desse desmonte, dessa pausa, dessa metareciclagem.

Um vento faz uma bagunça…

Filed under: academialivre, micropolítica — cyrano @ 19:53

As idéias não são de ninguém — disse. Com o indicador, desenhou no ar uma série de círculos contínuos, e concluiu: — Andam voando por aí, como os anjos.

– Gabriel Garcia Márquez, Do Amor e Outros Demônios.

Cuspes.

Filed under: academialivre, micropolítica — cyrano @ 16:23

O conceito de cultura é profundamente reacionário. É uma maneira de separar atividades semióticas (atividades de orientação no mundo social e cósmico) em esferas, às quais os homens são remetidos. Tais atividades, assim isoladas, são padronizadas, instituídas potencial ou realmente e capitalizadas para o modo de semiotização dominante — ou seja, simplesmente cortadas de suas realidades políticas.

– Felix Guattari, Micropolítica: cartografias do desejo.

Um bom exemplo de apropriação.

Filed under: micropolítica — cyrano @ 13:41

You don’t know me (Caetano Veloso)

You don’t know me
Bet you’ll never get to know me
You don’t know me at all
Feel so lonely
The world is spinning round slowly
There’s nothing you can show me
From behind the wall

“Nasci lá na Bahia
De mucama com feitor
O meu pai dormia em cama
Minha mãe no pisador”

“Laia ladaia sabadana Ave Maria”

“Eu agradeço ao povo brasileiro
Norte, Centro, Sul inteiro
Onde reinou o baião”

21.02

A pergunta certa.

Filed under: academialivre, denuncia, micropolítica — cyrano @ 11:58

Vivemos em uma sociedade que em grande parte marcha ‘ao compasso da verdade’ — ou seja, que produz e faz circular discursos que funcionam como verdade, que passam por tal e que detém por este motivo poderes específicos. A produção de discursos ‘verdadeiros’ (e que, além disso, mudam incessamente) é um dos problemas fundamentais do Ocidente. A história da ‘verdade’ — do poder próprio aos discursos aceitos como verdadeiros — está totalmente por ser feita.

– Foucault, Microfísica do Poder.

20.02

Economia solidária.

Filed under: metacafe — cyrano @ 16:00

Mapeamento realizado em todo o país pela Secretaria de Economia Solidária do Ministério do Trabalho, em parceria com o Fórum Brasileiro de Economia Solidária, indica que há 15 mil empreendimentos econômicos solidários no Brasil. A pesquisa teve início em 2004 e envolveu mais de 230 entidades governamentais e não-governamentais que atuam com economia solidária.

Segundo as informações coletadas, a economia solidária se consolidou no Brasil a partir de 1990, com 85% dos empreendimentos criados entre aquele ano e 2005. São cerca de 1,25 milhão de trabalhadores reunidos em cooperativas, associações e organizações não-governamentais, chamados Empreendimentos Econômicos Solidários (EES).

De acordo com o mapeamento, as atividades econômicas predominantes são a agricultura e a pecuária, realizadas por 64% dos EES. As têxteis, de confecções, calçados e produção artesanal em geral correspondem juntas a 21% dos empreendimentos; prestação de serviços corresponde a 14%; e alimentação, a 13%. Cerca de 44% dos Empreendimentos Econômicos Solidários estão localizados nos nove estados da Região Nordeste. Em seguida, destaca-se a Região Sul, com cerca de 17%.

O levantamento servirá de base para a implantação do Sistema de Informações da Economia Solidária (SIES), que ajudará na formulação de políticas públicas para o setor.

Fonte: Rede Nacional de Mobilização Social - Coep.

14.02

Simples, muito simples.

Filed under: aliados, metacafe, metareciclagem — cyrano @ 11:14

O pessoal se mantém com uma usina que transforma óleo de cozinha usado em sabão. Passa de casa em casa falando de “consumo consciente” (essa porra desse termo virou um “fecha a torneira enquanto escova os dentes”, mas foda-se), e coletam pilha velha, o óleo usado e roupas pra distribuir em comunidades pobres.

Muito simples a idéia. Justamente por isso é muito boa.

Quanto será que custa fazer uma usina de sabão, em?

******* atualizando

Óia a receita! (agradecendo ao Tupi pela dica)

Material utilizado

4 L de óleo comestível usado

2 L de água
1/2 copo de sabão em pó

1 Kg de soda cáustica (NaOH)

5 mL de óleo essencial

Procedimento

-Dissolver o sabão em pó em 1/2 L de água quente

- Dissolver a soda cáustica em 1 e 1/2 L de água quente

-Adicionar lentamente as duas soluções ao óleo

- Mexer por 20 minutos

- Adicionar a essência

- Despejar em formas

- Desinformar no dia seguinte

Tirei da Associação Vale Verde, tem uma galeria de fotos explicativas lá.

13.02

Finalmente! Finalmente!!

Filed under: aliados — cyrano @ 12:15

Efetuando buscas simultaneamente no acervo de dezenas de sebos e livreiros, a Estante Virtual é a sua chance de encontrar aquele livro que você sempre procurou. E por um preço que você pode pagar. Chega de bater pernas atrás de livros que você nunca acha, chega de levar para casa um livro que não era exatamente aquele que você queria. E não é só. A Estante Virtual também é o lugar para você vender livros da sua estante pessoal diretamente para a nossa comunidade de leitores, lado a lado com o acervo dos sebos e livreiros cadastrados.

Estante Virtual.

Tem nego com cuzim piscando…

Filed under: ativismo, humor, metareciclagem, radiolivre — cyrano @ 11:44

Direto do Alfarrábio:

Gravadoras passadas para trás
Banda inglesa que lançou músicas primeiro na web se torna recordista em venda de CDs

Quatro moleques de Sheffield, no norte da Inglaterra, estão ensinando à indústria fonográfica uma lição de marketing para a era pós-iPod. Há mais ou menos um ano, o quarteto reunido na banda Arctic Monkeys começou a oferecer em seu site as músicas que iam gravando. Elas caíram no gosto da juventude inglesa e espalharam-se como vírus pelos sites de troca de arquivos musicais. Desde outubro, TODO o conteúdo do disco de estréia da banda estava disponível, gratuitamente, na internet. A irresponsabilidade do grupo parecia uma receita infalível para produzir um fiasco comercial. Afinal, quem pagaria por um disco que se pode ouvir de graça? Pois é. O esperado CD do Arctic Monkeys acaba de entrar para a história como o disco de estréia mais vendido de todos os tempos na semana de seu lançamento. Lançado no dia 22 de janeiro, teve 363.735 cópias comercializadas em sete dias — mais do que as vendas do resto do Top 20 britânico somadas. Detalhe: a banda não tem contrato com nenhum selo fonográfico global. Só recentemente os garotos assinaram um acordo com uma gravadora, a independente Domino Records. As grandes corporações de mídia ficaram de fora da festa.

Prestes Maia.

Filed under: aliados, ativismo, denuncia — cyrano @ 11:42

A Ocupação vertical mais famosa da atualidade tem blogue.
http://ocupacaoprestesmaia.zip.net

10.02

Mobilizadores .org.

Filed under: aliados — cyrano @ 16:16

Cadastrando-se nessa Rede você tem a oportunidade de participar, de forma comprometida e organizada, de diferentes iniciativas de interesse social:
* compartilhando conhecimentos e experiências com outros Mobilizadores
* como voluntário em projetos e/ou campanhas
* participando de fóruns de discussão, de chats, de enquetes

Você pode ainda:
* ler e publicar artigos sobre diferentes temas na área social
* participar de treinamentos on-line

Interessante. http://www.mobilizadores.org.br/COEP.

8.02

Folha Online - Blogs - Blog da Soninha

Filed under: academialivre, denuncia — cyrano @ 14:26

Olha! Uma política que presta!

Pra mim, essa é uma forma de desumanização, tão equivocada quanto as dos governos que despejam todo mundo em um conjunto habitacional daqueles hiperbólicos, com milhares de casas feias idênticas. É tratar todo mundo como uma massa só, não como pessoas que têm desejos, necessidades, pirações próprias. A mulher não tem onde morar, mas quer ter um celular. Eu acho uma loucura, mas fazer o que? Tem gente que mora num barraco mas tem um carro novo. Tem gente que tem televisão mas não tem geladeira. Fazer o que? (Além de investir em educação, lazer, cultura, esporte e outras formas de realização e prazer… Fazer o que? Como impedir ou proibir as pessoas de querer?

Destaque pra série de posts “O individual, o coletivo, a emergência, o grande projeto”, sobre aquela confusão com moradores irregulares no centro de SP.

Não resisti e comentei. Vai passar pelo assistente dela e aí pode ou não ser aprovado no blogue. Mas, grosso modo, não concordei com o que ela disse. As críticas à atitude da prefeitura são válidas, sim. Tão gastando cinco mil por família pra resolver o problema deles (estou me referindo aos políticos!). Movimento social pisa na bola com papo de “consciência de classe”, líder que não desce do banquinho; vá lá. Mas prefeito que põe gente pra fora porque tem que aproveitar “potencial de desenvolvimento”, como se já não nos bastasse 30 anos de Delfim e do bolo ainda por repartir, como se não fosse na década de 90 que o Banco Mundial e o FMI lançaram documentos oficiais dizendo “acho que fizemos algo errado…”, como se esse papo de que se tem mais dinheiro no deus totêmico “mercado brasileiro” todo mundo sai ganhando, como se dinheiro fosse ar e só precisasse deixá-lo por aí pra ele ir se espalhando sozinho… Como se todo o processo de urbanização brasileiro não fosse suficiente pra dizer o que é que está sendo feito no centro de São Paulo — higienizar, pra “valorizar”. Não dá pra montar museu nem circuito turístico com bons hotéis e restaurantes se tem um bando de vagabundos que teimam em ser pobres circulando por lá.

Tipariu.

fffalando.

Filed under: academialivre, aliados, ativismo, metareciclagem, radiolivre — cyrano @ 11:30

fff, sobre tevê e etcs.:

E mais chico:
> a globo é boa? bom, ela é melhor que as outras. mas e o programa da angelica? o gosto também é construído.

Claro. A globo cria o padrão de qualidade. Nisso é dominadora. Mas pouco do que se vê no mundim alternativo ataca isso diretamente. Muitas vezes parece que se quer provar que pode, mas todo mundo já sabe que pode. Quero ver mais. quero me emocionar, quero aprender, quero chorar. A mídia tática não é catártica! Ou é, quando busca o assombro. E esse assombro, como o vídeo do cmi na paulista, às vezes é ainda mais sensacionalista que a globo. Musiquinha apocalíptica, cortes dramáticos, e o padrão de linguagem se repete. E é um assombro bem mental, feito pra quem assiste ter raiva de policial, como se todo gambé fosse filho da puta. Em outros casos, o que se chama de mídia tática provoca risos. Mas é só.

A mídia tática é auto-referente, em sua grande maioria. Feita de um certo grupo para si próprio. Isso não é um problema à medida que se assume esse fato. A pretensão messiânica de ser a mola de transformação de toda a sociedade é que me incomoda muitas vezes.

Carnaval Revolução.

Filed under: aliados, ativismo, metareciclagem, radiolivre — cyrano @ 8:43

Durante os dias 26, 27 e 28 de Fevereiro, Belo Horizonte sediará um encontro recheado de debates, palestras, oficinas, vídeos e outras atividades. É o Carnaval Revolução, que conta com mais de 60 atividades (muitas vezes simultâneas), divididas em três dias entre 10 e 22 horas.

Dentre os diversos temas abordados está o conhecimento livre? que tem destaque visível. Quem comparecer ao evento poderá sair com softwares livres prontos para testar em casa, bastando levar CD-Rs e DVD-Rs. Uma lista de programas estará disponível para cópia, além de vídeos e músicas que adotam o copyleft para sua distribuição. Esta é a idéia do Ponto de Compartilhamento livre, que funcionará na E.E.Sagrada Família, um dos locais onde acontecerá o encontro.

Entre outras atividades confirmadas está a oficina de GIMP, a de introdução a softwares livres e a oficina de streaming de áudio e vídeo que promete dar os primeiros passos para quem quer transmitir uma rádio ou TV livre pela internet. Uma discussão sobre Copyleft e desapropriação autoral, colocará a polêmica no ar sobre os limites do uso e replicação de conhecimento. Grupos e projetos como o PSL-Mulheres, (que vai abordar a participação das mulheres no meio tecnológico), Minas Livre, Rádio Livre e o Estúdio Livre também participam na programação.

Mais em http://www.carnavalrevolucao.org.

6.02

Historinhas no Alfarrábio.

Filed under: academialivre, aliados, metareciclagem, micropolítica — cyrano @ 15:44

Três histórias do Brasil do século XXI

Aqui vão três histórias percebidas numa mesma semana em São Paulo.

Falam de uma roça, uma biblioteca e um carrinho de frutas. Se, depois de lê-las, alguém chegar a alguma conclusão, tudo bem.

Bonito demais.

É isto mesmo.

Tudo cabe em um país.

Ou não?

– Pedaço do poema “Um estado muito interessante”, de Zulmira Ribeiro Tavares.

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