MetaCafé.
Experimentando um novo wiki pro MetaCafé. Digam se acharam melhor que o atual.
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hehehe… esse cara conseguiu me arrancar algumas boas risadas hoje…
vai aà um teco:
O Portão
(Roberto)Eu cheguei em frente ao portão, meu cachorro me sorriu latindo
Minhas malas coloquei no chão, eu voltei
Tudo estava igual como era antes, quase nada se modificou
Acho que só eu mesmo mudei, eu voltei
Eu voltei, agora pra ficar, porque aqui, aqui é o meu lugar
Eu voltei pras coisas que eu deixei, eu voltei
Fui abrindo a porta devagar, mas deixei a luz entrar primeiro
Todo meu passado iluminei, e entrei
Meu retrato ainda na parede, meio amarelado pelo tempo
Como a perguntar por onde andei e eu falei
Onde andei não deu para ficar, porque aqui, aqui É o meu lugarEu voltei pras coisas que eu deixei, eu voltei
Sem saber depois de tanto tempo se havia alguém em minha espera
Passos indecisos caminhei e parei
Quando vi que dois braços abertos, me abraçaram como antigamente
Tanto quis dizer e não falei e chorei
Eu voltei, agora pra ficar porque aqui, aqui é o meu lugarOs olhos e ouvidos mais atentos, vibrando em uma só sinfonia, já devem ter percebido que se trata de uma brilhante releitura da Odisséia, de Homero. Roberto, numa habilidosa guinada no foco narrativo, se coloca na pele do varão astucioso Odisseu, ou Ulisses, em seu turbulento périplo até Ãtaca, sua homeland. É importante frisar que o poema é dividido em dois grandes blocos, o que iconiza a perda de referências seguida de um tardio retorno à s origens. Usando como recorte temático o momento em que Odisseu se depara com sua cidade, depois de muitos e muitos anos vagando pelo mar, enfrentando Ciclopes, sereias e Calipsos, o Rei Roberto constrói uma ourivesaria narrativa de rara sensibilidade. Logo no primeiro verso aparece a figura do cão Argos, o primeiro a reconhecer Odisseu quando da sua chegada: “meu cachorro me sorriu latindo”. Já no segundo verso: “Tudo estava igual como era antes, quase nada se modificou / Acho que só eu mesmo mudei, eu voltei”, o nosso Ulisses constata, impávido, que, apesar de encontrar seu lar repleto de pretendentes à mão de sua Penélope e a maldade humana ser a mesma de sempre, não há porque endurecer o coração. Note que a cadência dos troqueus utilizados na releitura mantém total fidelidade à do mestre grego. Roberto, de braços abertos, aceita o lar assim como é aceito após um árduo perÃodo de expatriação e ardis. Não há como negar, também, o débito do cantor para com a escrita cuneiforme e a tradição oral helênica. Lembremos que as musas nada mais são que as filhas de Zeus (o poder) com Mnemosine (a memória), o que por si já sugere um leque de leituras mais portentosas e flutuantes. E antes que algum desavisado queira insinuar que a figura de Laerte foi omitida na transcriação robertiana, revelando um traço de complexo de Édipo ou angústia da influência, adianto que versos como: “Meu retrato ainda na parede, meio amarelado pelo tempo / Como a perguntar por onde andei e eu falei / Onde andei não deu para ficar, porque aqui, aqui é o meu lugar” revelam um nobre sentimento de acolhimento nos braços paternos, muito além (e aquém) das meras polarizações homem/mulher à s quais os crÃticos mais mesquinhos estão acostumados. Roberto, valeu demais, bicho, é assim que se faz.
Direto do CMI: “Veja: a solução é não assinar“.
Na semana de 11 de janeiro deste ano a revista Veja publicou uma matéria intitulada “A solução é derrubar”, assinada pela repórter Camila Antunes, defendendo o processo de higienização em curso no centro de Sâo Paulo. “A ruÃna do centro paulistano é tamanha que só há uma maneira de resolver o problema: a demolição pura e simples de boa parte dele”, afirma a repórter. Ela se refere à desapropriação e demolição de 750 imóveis que ocupam uma área de 105 mil m2 (15 quarteirões) do bairro da Luz, região central de São Paulo, ignorando que ali moram pessoas.
Classificando genericamente todos os moradores e as moradoras destes imóveis como “traficantes, viciados, prostitutas e ladrôes”, entendendo estes como sub-humanos, a repórter afirma com toda a tranquilidade: “Como não tem dinheiro em caixa para tocar a idéia, a prefeitura paulistana recorreu a uma peculiar engenharia financeira para reformar o centro. As desapropriações só serão pagas depois que o dinheiro arrecadado com a venda dos terrenos entrar no caixa municipal. Ou seja, depois que os atuais ocupantes [leia-se moradores, legalmente, entre proprietários e locatários] dos imóveis já estiverem na rua”.
Pessoas que consideraram a reportagem de Camila Antunes irresponsável e reacionária, estão se organizando para começar a campanha “Veja: a solução é não assinar”, contra a compra e a assinatura da revista. Em 2003 um grupo de gaúchos reunidos no jornal Zero Fora fez uma forte campanha contra a assinatura do jornal Zero Hora, do grupo RBS, gerando o cancelamento de mais de 25 mil assinaturas deste jornal.
O Lessig inventou o CreativeCommons, uma organização que oferece registro de direitos autorais com diferentes opções de abertura para modificação e apropriação alheia:
Em Cultura Livre, Lawrence Lessig nos convida a rever a história do direito autoral, desde sua criação até sua simples adoção de forma universal nos dias de hoje. Citando casos que variam de experimentos técnicos dentro de grandes corporações aos primeiros dias da aviação, o professor de direito na Stanford Law School mostra como as empresas multinacionais usaram de artifÃcios legais e tecnológicos partindo do copyright para impedir o nascimento de obras de arte que, em outras épocas, foram consideradas obras-primas ou revolucionárias. Cultura Livre foi o estudo que deu origem ao projeto Creative Commons, ONG liderada por Lessig que visa rever os conceitos de direito autoral e copyright através de um conjunto de licenças.
O livro está disponÃvel, legalmente, para baixar no formato pdf, do Acrobat Reader. Aqui! (tem que se cadastrar no site pra fazer o download. vale a pena, tem muita banda e mp3 pra baixar por lá… tudo na base do CreativeCommons :) )
Ecoando da Taba do Tupi:
Liga nóis, notÃcias milidias no Jornal Estadão. Paguei um pau pra esse salve do mano lá: “Tudo é fruto de vaquinha. Há ONGs interessadas, mas que querem correr atrás de dinheiro antes. Fazemos primeiro. E sempre dá para pagar.” Teve o dom :-D
Um rizoma não começa nem conclui, ele se encontra sempre no meio, entre as coisas, inter-ser, intermezzo. A árvore é filiação, mas o rizoma é aliança, unicamente aliança. A árvore impõe o verbo “ser”, mas o rizoma tem como tecido a conjunção “e… e… e…”. Há nesta conjunção força suficiente para sacudir e desenraizar o verbo ser.
Entre as coisas não designa uma correlação localizável que vai de uma para outra e reciprocamente, mas uma direção perpendicular, um movimento transversal que as carrega uma e outra, riacho sem inÃcio nem fim, que rói suas duas margens e adquire velocidade no meio.
– Deleuze e Guattari. Mil platôs.
Quem é Saci?
Poema rápido do trabalho informal
(lucas Klaxon)
Monto a banca
Aperto a trancaJá começo a cantar
Saio cedo
Chego tardeE começo a trabalhar
Nesse mundo desigual
Encontrei minha cançãoOito pilhas um real
Não aceito prestação.
Nos próximos três meses estaremos em obras, desenvolvendo as ferramentas que vão fazer do Overmundo uma comunidade de troca de informações e artes, onde a cultura brasileira vai aparecer e ser compartilhada com toda sua força e diversidade.
(…)
O Overmundo, por uma questão de princÃpios, não funcionará sem a colaboração de muita gente. Quanto mais, melhor.
Entrevista com Eduardo Galeano, na NovaE.inf:
Marcelo Salles - Como está a questão da água no mundo?
No dia em que a Frente Ampla ganhou as eleições no Uruguai, final de outubro de 2004, foi realizado o Plebiscito das Ãguas. Foi o primeiro e último na história universal. Primeira e única vez - não foi contagioso, infelizmente - que o povo foi consultado para ver o que fazer com a água, pois agora temos que recuperar aquela concepção islâmica de que a água é sagrada. Todo mundo fala, e é verdade, que a água será o petróleo de amanhã. Então, os paÃses que têm água são obrigados a defender a água que têm e também a democratizá-la no uso que se faz dela. Então se fez esse plebiscito para saber se a água seria um direito de todos ou se seria um privilégio de empresas privadas. Cerca de 65% votaram pela água como propriedade pública, coletiva. O Uruguai foi o único paÃs que fez um plebiscito. E a BolÃvia havia conseguido o milagre da desprivatização da água, com uma série de insurreições coletivas. Lá a privatização chegou a nÃveis surrealistas. Não se pode acreditar. Em Cochabanba havia sido privatizada a chuva. As águas da chuva não podiam ser armazenadas. Os camponeses não podiam recolher as águas da chuva sem pagar à s empresas concessionárias. É a empresa preferida de Bush no Iraque, que depois foi recompensada no Iraque, como é o nome mesmo?
Marcelo Salles - Bechtel.
Bechtel. E depois, em La Paz, houve um processo parecido: a empresa Suez-Lyonnaise, que é francesa, não conseguia explicar porque a parte mais alta da cidade, que é a parte mais pobre, tinha que pagar a maior fatura, que era cinco ou seis vezes maior do que quando a água era nacional. Subitamente o preço da água dispara e chamaram os especialistas franceses junto com o governo boliviano para estudar o assunto, para saber qual a explicação para este fenômeno sobrenatural: o pessoal não paga. Resposta francesa: “os bolivianos não têm hábito de higiene”. Logo os franceses que descobriram a ducha faz quinze minutos. Não se pode acreditar nisso seriamente. Aà o Uruguai dá uma reposta diferente, tentamos dar. Recolher assinaturas da população para chamar o plebiscito e a opção pela noção pública da água triunfa. Mas não teve a menor repercussão mundial. Você fez uma pergunta ligada à mÃdia, eu queria falar disso depois esqueci. É um caso tÃpico, pois é uma questão fundamental, que acontece num paÃs que não é fundamental, que é um paÃs marginal, pequeno, de quem ninguém fala jamais, não tem a menor repercussão, não existe. Eu fui lewinkisado. Tomava café da manhã com Mônica Lewinsky, almoçava com Mônica Lewinsky, jantava com Mônica Lewinsky. Aquela linguista da Casa Branca virou a estrela da mÃdia mundial. E o Plebiscito da Ãgua, que é uma coisa fundamental na vida de todo mundo, ninguém sabe que isso aconteceu. Isso é um bom retrato da mÃdia. Não teve nenhuma possibilidade de contágio porque não houve nenhuma repercussão. Não se trata de alguma mente malvada que escolhe o que vai divulgar, mas o fato é que a informação privilegiada é a que vem dos paÃses dominantes, e as que dizem respeito aos paÃses dominantes também. E o que acontece nas áreas marginais, no Uruguai por exemplo, é que não existem, somos invisÃveis.
Um grupo de loucos que constrói coisas malucas.
Públicas, todas elas.



Arte pública:
http://www.n55.dk
Por isso estou tão seguro desta minha simples verdade: o eu deste instante preciso é fundamentalmente diferente do que era um segundo antes, algumas vezes o contrário, mas sem dúvida, sempre, outro. Por isso é tão verdade para mim ser o passado morto (seria insuficiente dizer apenas: está morto). As mulheres que tive até hoje estão mortas, e tanto mais mortas quanto mais as amei.
– Saramago. Manual de pintura e caligrafia.
Dá ao povo a convicção de ser culpado, não importa de quê, assim será mais fácil governá-lo.
– Maquiavel.
O povo sabe exprimir artisticamente coisas profundas com simplicidade. Certos intelectuais somente conseguem exprimir com ferrugenta complexidade idéias profundamente vazias.
– Brecht.
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