…cyrano disse,

25.12

Algumas saborosas lições.

Filed under: academialivre, ativismo, micropolítica — cyrano @ 21:21

É essencial desenvolvermos o conhecimento ao máximo para compreender os esplêndidos axiomas da contradição. Quantas vezes ouvi alguém dizer: “Aquele autor é um burguês conformista e reacionário… não me interessa”. Assim, a priori. Um belo rótulo e fora!… Sem me deixar convencer, ia lê-lo e descobria um atrevimento, uma coragem no plano formal e ideológico de altíssimo nível. Por quantos séculos, fileiras de intelectuais agnóstico-libertários desdenharam os clowns, os saltimbancos, os bonecos, assim como deixaram também de levar em consideração o teatro religioso de diversos povos, a começar pelo seu próprio? Encontrei coisas maravilhosas em tal teatro. E quantos daqueles que se denominam marxistas gargarlharam à idéia de ir vasculhar no teatro popular dos ritos, particularmente naquele conhecido como “maias”?

(…)
Em um debate que contava com a presença de diversos pesquisadores, a verdade finalmente emergiu. A censura drástica foi imposta pelos jesuítas durante o século XVII, logo depois da grande reforma. Dessa maneira, por ordem superior, desaparece o cômico, desaparece o demônio, desaparece o bêbado, desaparece a mulher intrometida, desaparece todo e qualquer personagem que estabeleça provocação e dialética. O professor da Garfagnana, exemplo clássico do conformismo católico digno da Comunhão e Libertação, foi desmascarado. Ainda assim tentou vender gato por lebre, minimizando o fato, e levantou a voz em declarações históricas.

E aqui, que se leia com carinho e atenção:

O debate transformou-se em contenda, mas ao final obtiveram-se duas conclusões claras e irrefutáveis: o poder, qualquer poder, teme, mais do que tudo, o riso, o sorriso, a troça, a gargalhada. Pois a risada denota senso crítico, fantasia, inteligência, distanciamento de todo e qualquer fanatismo. Na escala da evolução humana, temos, inicialmente, o homo faber, em seguida o homo sapiens, e finalmente, sem dúvida, o homo ridens. Este o mais sutil, difícil de submeter e enquadrar. Segunda conclusão: o zé-povinho, a gente mais simples, nunca renunciou, mesmo ao representar as histórias mais trágicas, a incluir o humor, o sarcasmo, o paradoxo cômico.

– Dario Fo. Manual Mínimo do Ator.

É permitido permitir.

Filed under: ativismo, denuncia, metareciclagem — cyrano @ 19:10

Às vezes o papo deles é chato. Mas afinal, o que é vandalismo?

Proibido árvores na paulista, minotauro, polvos, piões e pipas na av. Brasil. Buscamos trazer uma fauna de lirismo para uma cidade carregada de maniqueísmos. As nuanças entre o branco e preto. Não somos artistas ou vândalos. O nosso trabalho traz essa fauna que está extinta, que geralmente se encontra nas galerias encaixotas, nas salas de cinema de 15 reais, ou na periferia nas comunidades de manifestação artística. Por que isso não pode se alastrar pela cidade? Por que a publicidade se alastra de uma maneira tão opressora e violenta e não é questionada e nem é vândala. Vândalas são placas que querem colocar poesia e nuanças em espaços públicos? Isso é vandalismo? O que é vandalismo?

Dom Quixote.

Sobre minha religião.

Filed under: micropolítica — cyrano @ 13:55

VIII - Num Meio-Dia de Fim de Primavera

Num meio-dia de fim de primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.

Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu era tudo falso, tudo em desacordo
Com flores e árvores e pedras.
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem
E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
Com uma coroa toda à roda de espinhos
E os pés espetados por um prego com cabeça,
E até com um trapo à roda da cintura
Como os pretos nas ilustrações.
Nem sequer o deixavam ter pai e mãe
Como as outras crianças.
O seu pai era duas pessoas
Um velho chamado José, que era carpinteiro,
E que não era pai dele;
E o outro pai era uma pomba estúpida,
A única pomba feia do mundo
Porque não era do mundo nem era pomba.
E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.

Não era mulher: era uma mala
Em que ele tinha vindo do céu.
E queriam que ele, que só nascera da mãe,
E nunca tivera pai para amar com respeito,
Pregasse a bondade e a justiça!

Um dia que Deus estava a dormir
E o Espírito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz
E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.
Depois fugiu para o sol
E desceu pelo primeiro raio que apanhou.

Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz ao braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras aos burros,
Rouba a fruta dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam
E que toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas pelas estradas
Que vão em ranchos pela estradas
com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.

A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as cousas.
Aponta-me todas as cousas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.

Diz-me muito mal de Deus.
Diz que ele é um velho estúpido e doente,
Sempre a escarrar no chão
E a dizer indecências.
A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia.
E o Espírito Santo coça-se com o bico
E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.
Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.
Diz-me que Deus não percebe nada
Das coisas que criou –
“Se é que ele as criou, do que duvido” –
“Ele diz, por exemplo, que os seres cantam a sua glória,
Mas os seres não cantam nada.
Se cantassem seriam cantores.
Os seres existem e mais nada,
E por isso se chamam seres.”
E depois, cansados de dizer mal de Deus,
O Menino Jesus adormece nos meus braços
e eu levo-o ao colo para casa.

…………………………………………………………………..

Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
Ele é o humano que é natural,
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda a certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.

E a criança tão humana que é divina
É esta minha quotidiana vida de poeta,
E é porque ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre,
E que o meu mínimo olhar
Me enche de sensação,
E o mais pequeno som, seja do que for,
Parece falar comigo.

A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E a outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é o de saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.

A Criança Eterna acompanha-me sempre.
A direção do meu olhar é o seu dedo apontando.
O meu ouvido atento alegremente a todos os sons
São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.

Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro,
Mas vivemos juntos e dois
Com um acordo íntimo
Como a mão direita e a esquerda.

Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo um universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.

Depois eu conto-lhe histórias das cousas só dos homens
E ele sorri, porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios, e dos navios
Que ficam fumo no ar dos altos-mares.
Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade
Que uma flor tem ao florescer
E que anda com a luz do sol
A variar os montes e os vales,
E a fazer doer nos olhos os muros caiados.

Depois ele adormece e eu deito-o.
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo-o lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno até ele estar nu.

Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos.
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate as palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono.

…………………………………………………………….

Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.

……………………………………………………………

Esta é a história do meu Menino Jesus.
Por que razão que se perceba
Não há de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam?

– Alberto Caeiro.

23.12

Mídia insana.

Filed under: aliados, ativismo, denuncia, radiolivre — cyrano @ 15:33

Vai vendo… Proposta de um dos deputados, com voto de mais uns tantos, pra acabar com a restrição constitucional que impede que políticos sejam donos de concessão de rádio e tv…

Artigo na RETS:

Uma das fortes características de nosso sistema político é exatamente o vínculo já existente entre a grande mídia e importantes elites políticas regionais e locais. As relações entre grupos familiares e empresários da mídia impressa e eletrônica são conhecidas — sobretudo, mas não exclusivamente — no Nordeste do país.

O que resta, então, à sociedade civil e a todos aqueles que ainda nutrem alguma esperança na democratização das comunicações diante da nova ameaça?

Mobilizar os recursos materiais e humanos disponíveis, acompanhar a tramitação da PEC 453/2005 na Câmara dos Deputados e impedir que ela possa prosseguir e venha, algum dia, a se transformar em norma constitucional.

Mais do que nunca é necessário que os representados fiscalizem a ação de seus representantes no Congresso Nacional. Especialmente na área das comunicações.

– Venúcio A. de Lima é pesquisador sênior do Núcleo de Estudos sobre Mídia e Política (NEMP) da Universidade de Brasília. Artigo originalmente publicado pelo Observatório da Imprensa.

22.12

Gardênias. (isso é antigo, mas tava faltando um prefácio…)

Filed under: micropolítica — cyrano @ 22:25

(…)
Perdoai.
Mas eu preciso ser Outros.
Eu penso renovar o homem usando borboletas.

– Manoel de Barros.

Sua boca se abrira como um tampão escuro de engolir um céu. Os olhos abertos, maravilhados, o corpo alongado e curvo parecia um arco em tensão da mira em riste, prestes a atirar um coração. Sua posição sugeria um sonho (ou seria o contrário?). Ignorava solenemente qualquer gravidade e apenas as pontas dos pés acariciavam, levemente, o chão. Uma força qualquer nascia e jorrava quase visível embaixo na coluna, fazendo-a flutuar no ar bem em cima da sombra do homem.

A cena se alongava irreal. A flutuar, os braços perdidos para trás do corpo, e ainda a tensão de arco a lhe envergar a coluna enquanto, nessa mesma curva, desenhava uma paz inimaginável. Aquele movimento onduloso das meditações se fazia presente nesse corpo; como se acompanhasse uma harmonia muito lenta e universal. A boca permanecia exageradamente aberta, como num susto, mas há tanto tempo que parecia ter sido sempre daquele jeito. Uma porta aguardando por entrarem e sairem coisas.

Foi então que saiu a primeira. Amarela, pequena, delicada. Pousou no lábio inferior, depois de se debater entre os dentes do homem que, aparentemente, adormecera flutuando no ar. Saiu balançando-se aos pulinhos, como as borboletas sempre fazem, variando as direções como se passeasse indecisa e cheia de idéias. Logo depois surgiu outro amarelo indefinido na beirada da boca, saiu das entranhas do homem e roubou novamente a atenção para o arco tenso que era o corpo. Sim, outra borboleta, saindo silenciosamente de sua garganta. Ao contrário de inusitada, a cena era perfeitamente natural. Borboletas nas entranhas eram a única explicação para a leveza absurda daquele corpo, que ignorava com inocência as leis da gravidade. E, mal surgido esse segundo vôo saltitante, já estava à vista um terceiro e então um quarto. Elas não paravam de brotar — e também não iam embora.

Precedido por um silencioso farfalhar, desses que se escuta pelos olhos, um amarelo vivo tomou conta da escura boca do homem. Suas tonalidades produziam ventos e sussurros adivinháveis, um autêntico enxame de borboletinhas amarelas a tamborilar e saltar da boca para o ar em torno, rodeando aos poucos aquela posição para protegê-la da realidade. O ambiente tornava-se, aos poucos, circular. Os vôos alegres e instáveis decidiram fluir num desenho caótico que, de quando em quando, aproximava-se dos limites do que conseguimos entender. Mas era só por brincadeira, e a harmonia nunca se estabilizou nesse redimunho de borboletas que, de repente, engoliram numa explosão amarela o homem flutuante.

Pois digo que uma nuvem se formara em torno dele, e numa variedade tão grande de amarelos que seria impossível, mesmo numa fotografia, contê-los. Cada vez mais densa e forte, cheia de violência e de dança, a nuvem às vezes ocupava a visão e quase sempre ocultava o corpo. A dança se estendeu e esticou o tempo, enquanto o adormecido começou a girar lentamente sobre os próprios pés, que flutuavam (sim, flutuavam). O corpo agora voava sem tocar o chão, carregado pelo ar invisível que as borboletas animadamente giravam e cada vez mais rápido. Ainda estavam a girar, quando o golpe de uma mão enorme lavou a cena.

Num instante partido ao meio, o admirável caos transformou-se. A nuvem imediatamente se desfez da flutuação impossível, e as borboletas foram arremessadas para longe como se tivessem explodido. E o amarelo intenso rebentou em delírios aéreos que, de tão rápidos, quase não deu tempo de serem bonitos. Um amarelo trágico espirrou-se no ar e, no instante seguinte, desapareceu. E então o mundo tornou-se novamente como é, e o homem reapareceu.

Envolto num ar peso, no silêncio triste depois do trovão, seu corpo se transformara em algo vazio, pálido e oco. A pele se tornara profundamente cinza e cheia de rugas, como um encardido e velho tecido de algodão. Desgraçadamente, sem nada para desviar de si a atenção ou os sentidos, tornara-se dolorosamente outro. O homem adormecido, flutuante, dançarino invisível na homenagem que lhe faziam as delicadas borboletas, era agora apenas um trapo abandonado na calçada. Seu aspecto era tão outro que lágrimas me subiram aos olhos, e foi preciso algum tempo para dar-me conta de que — realmente — o corpo apertava, com todo o seu peso, o chão. E que isso acontecera em algum momento oculto daquela cena impossível.

As pernas viradas para um lado; os braços sem rumo, as palmas da mão invertidas; a cabeça virada para o outro. Uma posição cujo desconforto me entrava nos olhos. Parecia uma marionete cujo dono sentira, de súbito, ganas de ir ao banheiro. Estava morto.

Quer analisar? Então toma.

Filed under: academialivre, ativismo, metacafe, metareciclagem — cyrano @ 21:08

Pessoas como a Maria e Mariana, uruguaias e moradoras do bairro, encontraram no clube um espaço de acolhimento, amizade, além de produtos para suprir suas necessidades . Maria oferece aulas de espanhol em troca de alimentos ou roupas , e, Mariana , produtora de alfajores mmm são deliciosos! troca aulas de espanhol com Ana que produz as etiquetas para que ela os comercialize no mercado formal. Selmar cria galinhas e troca ovos da “galinha feliz” por objetos de arte , roupas e outros alimentos. Paulo edita livros e produz umas camisetas bem legais. Ele tem interesse por alimentos como grãos e pão que a Bernadete e a Dona Eva Nair produzem. Teresa, arte educadora, produtora de geléias e chocalhos, trocou com Naida, fisioterapeuta, um lindo quadro por uma sessão de massagem. Maria Luiza trocou pão pelas roupas usadas e em bom estado de Ana. Nilza oferece velas por alimentos e roupas. Claudia dá aulas de geografia em troca de alimentos, temperos , geléias, empadinhas produzidas por Selma e Amanda. Cris trouxe panos de pratos feitos a mão assim como roupas e sapatos em bom estado e os trocou por alimentos e artesanatos. Felipe oferece o serviço de gravação de vinil para cd por aulas de inglês e alimentos. Fernando , pode dar aulas de física ou matemática. Ele tem ótimos vinis e deseja trocar pelas granolas de Naida e utensílios para sua casa. E João oferece porta-incensos e livros em troca de alimentos e outros livros… e assim seguem as trocas…

– pequeno relato de um clube de trocas da região norte de porto alegre, enviado à lista redesolidaria@yahoogrupos.com.br (rede de economia solidária).

21.12

Alguma poesia.

Filed under: academialivre — cyrano @ 13:20

Igual-desigual

Eu desconfiava:
todas as histórias em quadrinho são iguais.
Todos os filmes norte-americanos são iguais.
Todos os filmes de todos os países são iguais.
Todos os best-sellers são iguais.
Todos os campeonatos nacionais e internacionais de futebol são
iguais.
Todos os partidos políticos
são iguais.
Todas as mulheres que andam na moda
são iguais.
Todas as experiências de sexo
são iguais.
Todos os sonetos, gazéis, virelais, sextinas e rondós são iguais
e todos, todos
os poemas em versos livres são enfadonhamente iguais.

Todas as guerras do mundo são iguais.
Todas as fomes são iguais.
Todos os amores, iguais iguais iguais.
Iguais todos os rompimentos.
A morte é igualíssima.
Todas as criações da natureza são iguais.
Todas as ações, cruéis, piedosas ou indiferentes, são iguais.
Contudo, o homem não é igual a nenhum outro homem, bicho ou
coisa.
Não é igual a nada.
Todo ser humano é um estranho
ímpar.

20.12

CouchSurfing.com

Filed under: aliados, metareciclagem — cyrano @ 11:57

O que é o Couch Surfing?

O CouchSurfing.com ajuda-te a estabelecer ligações em todo o mundo. Podes usar a rede do CS para conhecer novas pessoas e “surfar” nos sofás de outros membros! Quando “surfas” num sofá significa que és hóspede de uma pessoa, a qual te irá oferecer um cantinho onde possas ficar, que poderá ser um apartamento com uma vista fantástica ou um espaço no quintal onde poderás montar a tua tenda. Como membro, além de poderes comunicar com os outros membros que se encontram espalhados por todo o mundo, podes verificar se existe algum “couchsurfer” com sofá disponível no lugar para onde gostarias de viajar e contactá-lo para saber se está disposto a acolher-te. A duração da estadia pode ser tão curta quanto o tempo de tomar um café, uma noite ou duas, alguns meses ou até mesmo mais. As possibilidades são infinitas e dependem unicamente de ti.

13.12

Isso não é coisa de gente normal, não.

Filed under: micropolítica — cyrano @ 10:46

Um dia você ainda vai ver, meu Mocinho: coração não envelhece, só vai ficando estorvado… Como o ipê: volta a flor antes da folha…

– Rosalina. (A estória de Lélio e Lina, G. Rosa)

12.12

Irresistível.

Filed under: ativismo, humor, metacafe, metareciclagem — cyrano @ 13:53

Perdão pelo trocadilho, mas é inevitável:

Ducaralho! (a grife daspu, agora online…)

Tirado do alfarrábio (linq taí do lado…):

Taí um belo *case* de mkt. Saiu na coluna do Elio Gaspari do último domingo:

Uma nova grife

As moças que batalham à noite nos arredores da praça Tiradentes, no Rio, tiveram a ajuda de uma ONG escandinava para montar uma pequena confecção onde costurassem suas roupas de trabalho. A grife das moças vai se chamar Daspu.

Sacada melhor que essa não poderia haver…

11.12

Duelismo.

Filed under: aliados, micropolítica — cyrano @ 15:07

Ou eles me interpretam
ou eu interpreto eles.

Flora.

9.12

Cantigas.

Filed under: academialivre, humor, micropolítica — cyrano @ 11:43

Pega o seu ego
E joga na fogueira
Queima mais que pau
Queima mais do que madeira

– Dizem que costumava-se berrar isso em volta duma fogueira, todas as quintas-feiras no campus da universidade. Que cena ridícula…

Quemquizé.

Filed under: academialivre, humor, micropolítica — cyrano @ 0:48

Academia.

Mal degenerativo que atinge as cordas vocais dos seres humanos, impedindo-lhes de formular frases como “não sei” ou “posso estar errado”. Há indícios de que uma das possíveis causas dessa doença seja de origem genética.

8.12

Novos linqs II.

Filed under: academialivre, aliados, micropolítica — cyrano @ 11:55

Poemas, músicas, artigos, textos, etc. Coloquem tudo entre aspas. MUITAS aspas.

“Se há um resultado, não é tentativismo.”

Maria

Briguei com Maria
ela não respondeu
Amei Maria
ela não correspondeu
Chutei Maria
ela não chorou
Esfaqueei Maria
minha faca quebrou

Maria era uma estátua de pedra
tão bem feita que parecia viva

Mulheres-alfinete

Mulheres são como alfinetes.
E o mais importante:
alfinetes são como mulheres…

– Rafael Cunha de Almeida.

Novos linqs I.

Filed under: aliados, micropolítica — cyrano @ 11:52

Dezenas de tijolos e um saco de algodão cru. Depois de percorrerem quatro quarteirões numa espetacular cena de fuga e perseguição (sim, fuga e perseguição), finalmente conseguiram derrubá-lo, quase à beira da lagoa. Tiraram a corda da mochila jeans e iniciaram a seção atando-lhe pés e mãos, ao mesmo tempo em que esfregavam sua cara no barro do chão. Fita adesiva nos olhos e na boca. Como um cão. Às quinze para as oito a temperatura da água proporcionava algum conforto. Seus tímpanos sentiam a pressão aumentar, à medida que o corpo afundava. Já tocado o solo, teve nojo de alguma coisa gosmenta grudada em seus dedos, enquanto, em silêncio, os peixinhos começavam a mordiscar suas bochechas.

– um blogue sabor graxa - bruno brum.

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