…cyrano disse,

31.10

Uai, mas ainda isso?

Filed under: academialivre, aliados, denuncia — cyrano @ 14:21

Sei que tô fora de sincronia. Mas o texto é bom, aliás parece até que fui eu que escrevi… :)

O Homem é bom?

Não amigo leitor, eu não vou falar de Rosseau. Vou contar uma história do Jean Giraud. Não sei se você já ouviu falar dele. Provavelmente, se você gosta de quadrinhos o conhece com o nome de Moebius e sabe que ele produziu, junto com Alejandro Jodorowski uma obra prima chamada: O Incal. Quando eu tinha catorze anos li um quadrinho que, salvo engano, parecia ser do Jean Giraud chamado: “O Homem é bom?”. A situação era a seguinte, um astronauta se via perdido num planeta inóspito perseguido por criaturas alienígenas. Ele corria a história toda tentando fugir dos seres estranhos. Num determinado momento se via acuado, sem escapatória possível. Então, uma das criaturas se aproxima dele e schllachhhhttt…. lhe arranca a orelha. O alienígena leva a orelha à boca e começa a comê-la. Um silêncio constrangedor toma conta da horda de alienígenas até que a criatura faz uma careta horrenda e cospe, enojado, a orelha humana no chão. Depois ele diz algo incompreensível na sua linguagem de alienígena e a horda se retira frustrada. Moral da história? O homem não é bom. Metáforas gastronômicas à parte, essa discussão sobre a dicotomia faroeste que toma conta da sociedade brasileira (bandidos contra cidadãos de bem) é um dos sintomas mais curiosos do tipo de bobeira cerebral que leva a nossa espécie ao estado de pasmaceira e decadência na qual ela se encontra. Acreditar que o bem é um estado de espírito, um dado substancial da constituição de alguém, que o bem é genético, morfológico é um erro de juízo escandaloso. O bem é um hábito, uma prática, um conjunto de atitudes, não um estado de espírito, um traço psicológico ou um detalhe da natureza humana. Li numa revista de circulação nacional (que não gosto de dizer o nome para não dar azar) a seguinte pérola do jornalismo brasileiro: “Se vencer o SIM, ele apenas vai desequilibrar ainda mais o balanço de forças entre as PESSOAS COMUNS e os BANDIDOS — a favor dos bandidos”. Me senti num filme de Bruce Willis. Quantos tipos de pessoas existem? Que tipo de entidade é um bandido? Será que ele é um gnomo? Um elfo? Um demônio da floresta ou um saci? Não há nada de substancial que diferencie um bandido de um cidadão de bem a não ser o fato de que o bandido cometeu um, dois, três ou dez mil atos ilícitos. A diferença é acidental.

O cidadão de bem (que não traz, marcado no seu rosto o selo de qualidade: “pessoas do bem”) só é cidadão de bem enquanto não age como um canalha, mas nada vai impedir, que a sua canalhice potencial, que convive de mãos dadas com sua santidade também potencial, produto da mesma indefinição ontológica que junta seres humanos a anjos e bestas selvagens, ecloda.

Eu não acredito no cidadão de bem. Eu desconfio do cidadão de bem como desconfio do bandido porque não há fronteiras definidas que separem os homens. Não há classe social, religião, preferência futebolística, raça, sexo, que estabeleça um abismo entre os que tomam atitudes violentas e injustificadas e os que são os mansos cordeiros do não matar. Transitamos entre os dois mundos. Nos misturamos, porque misturados e indefinidos fomos criados. Somos bons, às vezes, e maus, às vezes. Somos santos e canalhas, limpos e sebosos, e essa é a grande majestade do homem, sua grande complexidade e seu mistério. Eu não vivo num filme de Hollywood. Eu não moro em Gothan City nem em Metrópoles para saber que o comissário Gordon é do bem e o Lex Luthor é do mal. Eu vivo num mundo real no qual a santidade e o pecado são ingredientes do mesmo molho de pimenta da vida. Um mundo no qual pais de família viram assassinos na mesma velocidade com que esquecem de controlar suas próprias pulsões.

Se vamos discutir a sério o referendo da proibição da venda de armas temos que primeiro tentar ajustar melhor os conceitos para não votarmos com o intestino grosso ao invés do cérebro.

Pablo Capistrano

24.10

Sugestão.

Filed under: micropolítica — cyrano @ 8:05

Os bons ventos trazem novidades quando carregam as folhas secas.

22.10

Por que não?

Filed under: academialivre, micropolítica — cyrano @ 16:56

Tá bom. Cansei de brincar de “eu defendo meu argumento e você o seu”. O “bom passado” é um recurso pedante pra fazer dos textos uma coisa comovente, embora inconsistente do ponto de vista… hmm… peraí. Deixa pra lá. Me diz uma maneira que seria melhor que essa. E porquê.

Qual é o problema com isso mesmo? Generalização, é, sei. Mas ela é inevitável! Vai tentar definir a linha limítrofe entre até onde é bom generalizar, e a partir de quando se torna exagero, erro ou qualquer coisa do tipo? Não seria o bom passado um lugar pra se buscar riquezas linguísticas para um novo discurso — um novo espaço? Não é pra isso que servem os mitos? Não é isso que todo mundo faz, e muito particularmente os acadêmicos com seus gregos e etc.etc.etc. e bota etc. nisso? Uma montanha de nomes, uma montanha de fé, uma montanha de palavras de ordem… Não são tudo isso, igualmente, recursos? Fora o frequente mal cheiro, não vejo problema em mexer e fuçar nessas montanhas pra ver se encontro algo de útil. Metareciclagem. Bom passado pode me ser de tanta valia quanto uma referência acadêmica; ou uma dialética de luta de classes. Ou um conto fantástico. Aliás, particularmente o conto, porque ele costuma ser mais saboroso que esses outros restos moribundos. Eu não tenho preferências muito definidas faz tempo. Entre um “bom passado” e um estudo cuidadoso das feiras no séc. II a.C. em Atenas e Esparta segundo os textos remanescentes e estudos recentes de 204 historiadores que se citam em complexos circuitos internos de auto-reconhecimento, eu sinceramente não sei o que escolher. Fica pra ordem do dia, da hora, do tempo, dos meus humores. Quando estiver bravo com a seriedade dos caçadores do graal, apelo pras pieguices. Quando estiver bravo com os poetas-revolucionários, apelo pra autoridade científica. E assim caminha a humanidade…

Achei no Zé.

Filed under: micropolítica — cyrano @ 11:06

Fomos pra Croatã. Ele fica dando faniquito quando pedem pra dizer o autor das coisas, mas ao menos acha umas legais pra postar…

Vou tirar você do dicionário (Itamar Assumpção e Alice Ruiz)

Eu vou tirar do dicionário
A palavra você
Vou troca-lá em miúdos
Mudar meu vocabulário
e no seu lugar
vou colocar outro absurdo
Eu vou tirar suas impressões digitais
da minha pele
Tirar seu cheiro
dos meus lençóis
O seu rosto do meu gosto
Eu vou tirar você de letra
nem que tenha que inventar
outra gramática
Eu vou tirar você de mim
Assim que descobrir
com quantos “nãos” se faz um sim
Eu vou tirar o sentimento
do meu pensamento
sua imagem e semelhança
Vou parar o movimento
a qualquer momento
Procurar outra lembrança
Eu vou tirar, vou limar de vez sua voz
dos meus ouvidos
Eu vou tirar você e eu de nós
o dito pelo não tido
Eu vou tirar você de letra
nem que tenha que inventar
outra gramática
Eu vou tirar você de mim
Assim que descobrir
com quantos “nãos” se faz um sim

O que é inclusão digital? | buzzine.info

Filed under: academialivre, aliados, ativismo, metareciclagem — cyrano @ 10:55

Começo de conversa…

Hernani Dimantas:

Estou voltando da 4 oficina de Inclusão Digital que aconteceu no Rio. Pretendo escrever alguns comentários aqui, mas para adiantar fica a pergunta o que é inclusão digital? Estraviz diz que é papo de protologista; O Felipe diz não acreditar na Inclusão Digital; Outros dizem que são ações que levam os excluídos à inclusão? Que vocês acham?

Eu creio que exclusão e inclusão dependem de um referencial. Sou incluído ou excluído do que? Muitas pessoas envolvidas na retórica de telecentros, infocentros, pontos de cultura e demais atividades não estão realmente incluídas desde o meu ponto de vista. Não se apropriaram da tecnologia social envolvida, não ocuparam os espaços informacionais e apenas repetem as formas de se fazer política. Pois bem, política partidária atua numa plataforma de rede (pelo menos uma política partidária séria!) e isso tem tudo a ver com a formação de uma sociedade em rede.

Roupa politicamente correta.

Filed under: aliados, ativismo, metacafe, metareciclagem, micropolítica — cyrano @ 10:43

Justa Trama: uma roupa pra vestir consciência.

No dia 22 de outubro (sábado), a partir das 14h no Espaço Criança Esperança da Comunidade Cantagalo, o Brasil conhecerá a nova confecção de roupas Justa Trama, produzida pela Cadeia Produtiva Solidária do Algodão Ecológico, que é o resultado da luta, da capacidade de organização e do sonho de aproximadamente 700 trabalhadores e trabalhadoras de diversas regiões do Brasil. A atividade de lançamento contará com exposição de produtos, mesa de debates e um desfile.

Quem comprar um produto Justa Trama, também estará contribuindo para a construção de um novo modelo de economia, embasado em valores da autogestão, da solidariedade e da inclusão. Estará levando uma roupa inteiramente produzida de forma coletiva, agroecológica – feita com o emprego de técnicas de conservação do solo e da água e de controle de pragas com produtos naturais inofensivos aos/às trabalhadores/as – é isento de qualquer produto químico sintético, radicalmente diferente da produção convencional.

Sobre feiras.

Filed under: academialivre, micropolítica — cyrano @ 10:38

A Nati ficou implicando comigo porque eu disse que antigamente houve feiras humanas (vide comentários no post do metacafé). Onde um bando de gente simples vendia seus bagulhinhos por troca de outros bagulhinhos. Ou então por troca de dinheiro; …inho. Não vou perder meu tempo a definir “feiras”. Nem em que época existiram, nem onde. Mas certamente houve, assim como ainda há, gente pequena em terras pequenas onde o mundo ainda é mundo que chega até onde vai o parentesco da gente. Onde se faz rapadura pra trocar por farinha, no mercado. Onde todo mundo se conhece pelo nome, não tem ar condicionado nem logotipo nem vitine nem vendedora maquiada, nem segurança pra proteger de intrusos mal-vestidos. Falácias, falsidades? Não. Apenas outros mercados. Dos quais pouco ou nada se fala, e quando se fala é, na verdade, pra falar de outros. Todo mundo ali é meio mal vestido, destoa é o arrumado. Essas feiras são feiras de sobrevivência; de gente que está longe das grandes políticas, das grandes histórias. Dos monopólios, guildas, macroeconomias… São as pessoas que foram muito recentemente descobertas pelos colonizadores intelectuais; navegando pelos seus mares até alcançar a cultura da escassez, de quem reinventa sentidos pelo simples fato de não possuí-los; pessoas cujo passado não existia, não existe, e se existiu taparam-lhe às vistas, desviando sobre ele rios de verborragias e goviernos. A bola da vez pra falar dessas pessoas é economia solidária, cultura local, etnias. Gente que não cabe na macrohistória. Na crise da modernidade. Nem da pós-modernidade. Nem na teoria do sistema de votos abertos da democracia de Fulano de Tals. São pessoas que sobrevivem de diversas maneiras, bizarras e criativas, sem olhos analíticos a observar-lhes os feitos. E eis que, depois de muito tempo, abre-se na academia a via de redenção de um conceito finalmente construído; depois ainda me perguntam porque estou cansado de ler europeus…

Correntes históricas me contradizem. Foda-se. Fatos históricos me contradizem… Foda-se! Passados só existem quando inventados. Somos românticos e intuitivamente circulares: buscamos a volta a um passado que nunca tivemos. A história fica bonita e triste; solitária e compartilhada, que nem Macondo. Vai ver é isso o tal “eterno retorno”…

Primeira coisa que vale a pena ecoar sobre o desarmamento.

Filed under: academialivre, denuncia, humor, micropolítica — cyrano @ 10:20

Folha Online - Cotidiano - Discussão sobre referendo termina em tiros em MG - 21/10/2005

Uma discussão sobre o referendo acerca da venda de armas de fogo e munição dentro de um bar em Juiz de Fora (255 km de Belo Horizonte) foi encerrada na madrugada desta sexta-feira com o defensor do ‘não’ disparando três tiros contra o defensor do ’sim’.

O atirador foi preso em flagrante, e a vítima, internada no pronto-socorro da cidade.

21.10

Só uma perguntinha…

Filed under: academialivre, micropolítica — cyrano @ 9:24

Existe algum passado que não seja mítico, por acaso?

19.10

MetaCafé.

Filed under: ativismo, metacafe, micropolítica — cyrano @ 14:16

Tá procurando o projeto metacafé? O endereço dele é esse aqui, ó: http://metacafe.wikispaces.com

MetaCafé é um projeto de lanchonete financeiramente sustentável, funcionando baseada em Economia Solidária. (http://www.fbes.org.br). Pode ser um espaço novo ainda a ser criado, pode ser um profundo processo de reciclagem de cafeterias, restaurantes, lanchonetes ou botecos já existentes, ou quem sabe um balcão itinerante em eventos temporários. Mas também pode ser outras coisas que ainda não imaginamos.

Apresentação:

Um pequeno espaço de uma lanchonete, propício para conversas e cafezinhos rápidos durante todo o dia; espaço ideal, como muitos outros, para divulgar e experimentar dinâmicas colaborativas: de produção de conhecimento e de bens e serviços, de planejamento de ações, de atividades e criações culturais. A Economia Solidária, movimento cada dia mais consistente que se reapropria das relações econômicas passando ao largo do racionalismo calculista, servirá como rede de fornecedores para a cafeteria. De artesanato a empadinhas de queijo, tudo estará envolvido em propostas de produção autogestionada, igualitária e justa, propondo discussões a respeito das hierarquias existentes nas relações de produção e sua pretensa inevitabilidade. Cada suco de laranja conterá em si os princípios do movimento, e exposições podem ser organizadas regularmente. Além disso, as dinâmicas de produção presentes na Economia Solidária se integram a outros movimentos como o do Software Livre, cuja base de desenvolvimento e crescimento está no trabalho voluntário de uma multidão de interessados no mundo todo. Uma infinidade de programas e equipamentos sendo elaborados a partir de tecnologias pretensamente obsoletas, sucatas, ou mesmo de equipamentos novos; metareciclagem de usos e técnicas, transformação de tecnologias para uso livre e comunitário. Reapropriação contínua e abertura irrestrita dos códigos-fonte dos programas, seus genes originários. Um blogue que registre o dia-a-dia e a experiência do MetaCafe como possibilidade de replicação. Eis algo da essência da cultura hacker. Economia Solidária também discute isso: técnicas de produção, uso de matérias-primas, a livre circulação de informações para uma inovação contínua e colaborativa da economia e das relações que a envolvem. A feira, o mercado, o espaço comum de exposição+troca+conversas é o lar dessa cultura. Um mercado diferente, de voz e relações humanas — incoerentes, irracionais, cheias de emoções e sentidos. Algo que o pequeno espaço dessa cafeteria poderia se tornar.

Postei isso do futuro, porque aqui é o lugar dele.

Filed under: micropolítica — cyrano @ 12:00

Os Vinte Poemas (Carlos Drummond de Andrade)

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Escrever, por exemplo: “A noite está estrelada,
e tiritam, azuis, os astros, ao longe”.
O vento da noite gira no céu e canta.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu a amei, e às vezes ela também me amou.
Em noites como esta eu a tive entre os meus braços.
Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito.
Ela me amou, às vezes eu também a amava.
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que a perdi.
Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.
E o verso cai na alma como no pasto o orvalho.
Que importa que o meu amor não pudesse guardá-la.
A noite está estrelada e ela não está comigo.
Isso é tudo. Ao longe alguém canta.
Ao longe. Minha alma não se contenta com tê-la perdido.
Como para aproximá-la o meu olhar a procura.
Meu coração a procura, e ela não está comigo.
A mesma noite que fez branquear as mesmas árvores.
Nós, os de então, já não somos os mesmos.
Já não a amo, é verdade, mas quanto a amei.
Minha voz procurava o vento para tocar o seu ouvido.
De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.
Sua voz, seu corpo claro. Seus olhos infinitos.
Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame.
É tão curto o amor, e é tão longe o esquecimento.
Porque em noites como esta eu a tive entre os meus braços,
a minha alma não se contenta com tê-la perdido.
Ainda que esta seja a última dor que ela me causa,
e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo.

16.10

Se o ciberespaço é a última fronteira da humanidade, quem vai fazer o papel dos índios?

Filed under: aliados, metareciclagem — cyrano @ 22:32

O Tupi na verdade é um monstro mitológico que está em inúmeros lugares ao mesmo tempo. Escreve em vários blogues, é participante desumanamente ativo de várias listas que conheço, e escreve de um jeito absolutamente incompreensível. Por algum motivo, nossas entranhas conseguem lê-lo perfeitamente.

O cara faz mil coisas ao mesmo tempo. Uma delas, parece ser muito boa.

O wiki é foda.

O blogue tem coisas legais…

É isso. Tupi vai virar linq em algum lugar no meu blogue.

15.10

Liganóis e metareciclagem.

Filed under: academialivre, aliados, metareciclagem — cyrano @ 22:14

Não posso negar que senti uma certa frustração com os hábitos dos usuários, que eu considerava uma subutilização das tecnologias a que eles agora tinham acesso. Era possível fazer muito mais. O Metá:Fora era um exemplo: um grupo de mais de cem pessoas, espalhadas pelo mundo, construíndo projetos coletivos, sem preocupações com propriedade intelectual ou com grandes metas a longo prazo. Por que os usuários dos telecentros não faziam esse uso da tecnologia que estava ali, disponível a todos? Por que as pessoas não escreviam, se tinham espaço para escrever? Acho que é simples. As pessoas não estão acostumadas a escrever livremente. Desde a escola, não são estimuladas a pegar um papel e uma caneta simplesmente para anotar uma idéia nova. Eu estudei todo o primário e o ginásio e dois anos do colegial em escolas públicas. Raramente tinha professores de redação. Me lembro de ser estimulado a escrever somente nas aulas de Técnicas Comerciais. O modelo que estávamos propondo era outro: não o computador como ferramenta de empregabilidade, mas a tecnologia como facilitadora da comunicação entre grupos de pessoas. Certo dia, o Maratimba comentou sobre curvas de aprendizado. Acredito que a maior parte dos membros do Metá:Fora já tinha certa experiência com ambientes colaborativos de interação. Mas não poderia ser só isso. Outro fator limitador é que a interface dos sistemas de colaboração não era suficientemente intuitiva para um usuário leigo, exigindo um grau de abstração que pode parecer sem sentido a um usuário novo. Não tínhamos recursos para resolver esses problemas a curto prazo. Apesar de tudo isso, a lista de discussão telecentros@memelab perdurou por algum tempo. O site era alimentado esporadicamente por um ou outro participantes do workshop, e tive notícias de que o endereço correra rapidamente entre telecentros. Infelizmente, quando o servidor do memelab teve que migrar, o arquivo de backup da base de dados do site foi corrompido, e perdemos alguns meses de conversas.

Relato resumido do Liganóis. Bonito, bonito…

14.10

Corpo é alma.

Filed under: micropolítica — cyrano @ 11:13

Mora no pensamento
todo entendimento
que não é vadio.

Por trás dos olhos flui um rio
que nasce abaixo do umbigo.

E nesse rio
flutua lento
todo sentimento
que não é vazio.

10.10

Morangos.

Filed under: micropolítica — cyrano @ 13:50

Choviam frutas dentro do quarto. Úmido e gentil, um ar saboroso lhes acariciava. As peles preenchendo o ambiente e um escuro, profundamente negro, que às vezes sussurrava lhes adivinhando os corpos. Foi assim que, em poucos instantes, um suave campo de morangos prolongou-se por toda a extensão da noite.

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