…cyrano disse,

29.09

Alguns dias de noite.

Filed under: micropolítica — cyrano @ 16:24

E o olhar estaria ansioso esperando
E a cabeça ao sabor da mágoa balançando
E o coração fugindo e o coração voltando
E os minutos passando e os minutos passando…

– Vinícius de Moraes.

* * * * * * * * * * * * * * *

In Hiding (Pearl Jam)

I shut and locked the front door
No way in or out
I turned and walked the hallway
And pulled the curtains down
I knelt and emptied the mouth of every club around
But nothing’s sound, nothing’s sound

I’d stay but my last cab left me
Ignored all my rounds
Soon I was seeing visions and cracks along the walls
They were upside down

I swallow my words to keep from lying
I swallow my face just to keep from biting, i, i..
I swallowed my breath and went deep, I was diving, diving
I surfaced when all of my pen wasn’t writing
I’m in hiding

It’s been about three days now
Since I’ve been aground
No longer overwhelmed and it seems so simple now
It’s funny when things change so much
It’s all state of mind

I swallowed my words to keep from lying
I swallowed my face just to keep from biting i, i…
I swallowed my breath and went deep, I was diving, I was diving
I surfaced and all around me was enlightened
Now I’m in hiding

28.09

Malabarismos.

Filed under: micropolítica — cyrano @ 15:29

Dependulando no ar, com minhas cousas a balangar
O olhar balouçando e as tripas pensando –
em meu lugar.

Eis-me aqui, numa corda (frouxa!)
com os pés em mil enfeites (floridos…):
dignos de quem nasceu com um pequeno sorriso na boca
(e um silêncio peculiar nos ouvidos).

E meus pensamentos, de mãos dadas,
prendem o ar de uma platéia aflita,
(e dela arrancam gemidos, na mão);
Sobre uma corda-bamba, flutuando aos ventos,
jogo com todos os meus tormentos.

Esse cara é foda.

Filed under: aliados, micropolítica — cyrano @ 15:26

se canto sou ave, se choro sou homem
se planto me basto, valho mais que dois
quando a água corre, a vida multiplica
o que ninguém explica é o que vem depois…

– frase na abertura do site do ney matogrosso.

25.09

flor, minha flor…

Filed under: micropolítica — cyrano @ 14:51

O sentimento, quanto mais profundo, mais pobre é na aparência e mais rico é no fundo. Não de ornamentos vãos e frívola aparência se orgulha, mas da sua própria essência. Poder contar o seu ouro é sinal de pobreza. E o meu amor, chegou a tal riqueza, que nem pela metade eu contarei agora.

(…)

Verdade maior é que se está sempre num balanço!

Mire!, o vento das nuvens desmanchou Rosalina. E agora, Romeu já é um gosto bom, ficado nos olhos de Julieta. E Julieta, uma lua recolhida, que no peito de Romeu aumenta de ser mais linda. A ambos o amor coloca no seu mais topo: a Romeu, mar sem fim, até ancorar-se no porto Julieta. Mas, não é amor!, pasto que se divulga sem fechos. Amor preso, range na boca, tem vontade de fim, e quer céu…! Por isto, ele é o que leva tudo no avanço; para traçar nesta praça, o mar, do abraço das asas, de todos os pássaros!

– Romeu e Julieta. Grupo Galpão.

Diálogo cotidiano.

Filed under: academialivre, humor, micropolítica — cyrano @ 12:40

(12:39:48) Esse trem do álbum é dissonância cognitiva sua.
(12:40:02) Que nada. Meu intestino tá funcionando perfeitamente.

eita, rosa…

Filed under: aliados, micropolítica — cyrano @ 10:06

Ah, estava fazendo mais sua ausência o sutil riachinho, que por um simples erro se tinha errado, e havia tanto tempo, ali à parte. Desconsolava.

– Uma estória de amor. Guimarães Rosa.

Espera. Espera!

Filed under: micropolítica — cyrano @ 10:05

“O galo cantou na serra,
da meia noite p’r'o dia.
O boi berrou na vargem
no meio da vacaria.
Coração se amanheceu
de saudade, que doía…”

– uma estória de amor, guimarães rosa.

24.09

Puta que pariu.

Filed under: denuncia — cyrano @ 19:24

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2409200501.htm
(área restrita pra assinantes UOL. Notícia que recebi numa lista de e-mail, da Folha de S.P.)

São Paulo, sábado, 24 de setembro de 2005

ARQUITETURA DA EXCLUSÃO

Obstáculo em passagem subterrânea pode levar a “apartheid social”, afirmam especialistas

Serra recebe críticas por rampa antimendigo

AFRA BALAZINA
DA REPORTAGEM LOCAL

A decisão do prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB), de colocar rampas antimendigo na passagem subterrânea que liga a avenida Paulista à Doutor Arnaldo foi criticada por urbanistas, advogados, integrantes da Igreja Católica e sociólogos. A medida, segundo alguns deles, pode levar a um “apartheid social” na cidade.

Os obstáculos estão sendo colocados em um local onde vive um grupo de cerca de 30 moradores de rua, entre os quais crianças e um bebê de dez meses.

Serra, com a justificativa de reduzir os assaltos na área, iniciou a construção dessas rampas, com piso chapiscado (áspero), que dificultam a tentativa de dormir no local. A obra já começou em um dos lados da passagem. Os sem-teto estão concentrados no outro.

Rubens Adorno, professor da Faculdade de Saúde Pública da USP, disse que a criação das rampas é uma ação “tapa-buraco”. “A ação mostra que essa gestão tem caráter repressivo e de remoção”, afirma ele, que pesquisa a questão da saúde pública e exclusão social.

Na opinião do professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP João Whitaker, essa ação da prefeitura se insere em uma política mais ampla de “limpeza social”, que reflete uma maneira de ver a cidade e a produção do espaço urbano.

“Serra, desde que assumiu, retomou uma política tradicional das elites, que é a da expulsão da população pobre das áreas mais ricas, do centro expandido. É uma idéia absolutamente atrasada e conservadora, que sequer percebe que leva a um apartheid social cujas conseqüências são imprevisíveis e trágicas”, diz.

Segundo ele, a prefeitura chamou a primeira ação de retirada de pessoas da área central de “Operação Limpa”, o que seria sintomático da visão que o governo têm do problema. “Para eles [integrantes da prefeitura], não é a sociedade que, por sua injustiça, produz a desigualdade e a expulsão. A culpa é dos pobres, que não deviam estar lá”, afirma o professor.

O desembargador e presidente da Comissão Justiça e Paz de São Paulo, Antonio Carlos Malheiros, acredita que a prefeitura esteja mais uma vez indo pelo “caminho errado”. “Acho a atitude inadmissível. Quem está na rua não pode ser tratado como um papelão.”

Malheiros não concorda com a justificativa de impedir a criminalidade. “Isso é absurdo. A retirada dos moradores só seria aceitável se fosse para trazer condições melhores para essa população”, diz.

A socióloga Camila Giorgetti, que aborda em sua tese de doutorado apresentada na PUC-SP como o paulistano trata os moradores de rua, afirma que a violência é sempre a justificativa utilizada para expulsá-los dos locais públicos. “Alguns prefeitos combatem a violência agindo de modo ainda mais violento, retirando da população de rua o único direito que lhe resta, de perambular pela cidade”, afirma a socióloga. Ela acredita que são infundados os motivos que levam os políticos a adotar as atitudes higienistas de expulsão, como a que ocorreu na avenida Paulista. “Alguém já ouviu falar em assalto a banco realizado por uma quadrilha de moradores de rua? Há 12 anos estudo o tema na cidade e a informação que tenho é que a violência existe, mas ocorre sobretudo entre os próprios moradores de rua”, afirma ela.

Para o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), não é adequado tratar os sem-teto como uma bola de futebol, chutada para lá e para cá. “O problema deve ser tratado em toda a sua amplitude. A paisagem está ruim, as pessoas reclamam, mas quais as conseqüências das ações tomadas? Deve-se oferecer uma oportunidade de reinserção social”, afirma.

O bispo d. Pedro Luís Stringuini, coordenador das Pastorais Sociais da Igreja Católica, diz que há um aumento diário da população de moradores de rua em São Paulo e que a causa para esse fenômeno é a ausência de políticas públicas. “A prefeitura deveria ter um olhar mais social.”

O prefeito disse ontem que é “uma bobagem completa” afirmar que a rampa se trata de uma política higienista.

Colaboraram VICTOR RAMOS e DANIELA TÓFOLI, da Reportagem Local

Olhos brilhantes.

Filed under: micropolítica — cyrano @ 17:00

Largou o garfo no prato cheio de feijão, de maneira tão decidida que seu corpo nem se deu trabalho de justificar-se; e esperou. Esperou de braços cruzados, jogado para trás em sua cadeira, olhando bem lá muito longe, àtras e à frente. Ansiava por um momento que o diluísse em pequenas doses, pois algo que lhe rodeavam na noite passada agora se chegavam, sorrateiros. Ainda os braços cruzados, relaxados num corpo inerte e passivo; achou bonita essa postura expontânea, de esperar-se assim um sentimento vir e sucumbir em redimunhos completos morrendo no fim do meio de si mesmos. “Agora este”, e era sua vez de sair em cena, atuar e alterar tudo em alguns instantes para depois esvair-se no baú dos passados recentes. Já não via, as águas nos olhos não deixavam, formaram mesmo algumas gotas que, gordas e satisfeitas, desciam suculentas pela face. Um alívio, uma pequena unção, uma carícia, uma trégua: chorava com calma e respeito, essa sua dor quase familiar. Sozinho, as águas escorridas lhe adivinhando rugores na face e alguma coloração nos olhos; voltou a sentar-se, apesar de não ter se levantado. Pegou o garfo e ficou saboreando a companhia de sua compaixão.

23.09

Parei e vieram me ocupar. Deixo aqui que é pra não carregar.

Filed under: micropolítica — cyrano @ 11:50

Já haviam se passado muitos anos desde sua última cena juntos. Ela se esvaziara, tudo se fora, o homem se lembrava de um imenso vácuo e a mulher se lembrava de uma trilha à esquerda que ia embora; e da areia, pois estava muito quente. Cada cor se levantava, os movimentos retornavam em câmera-lenta, com os anos muitas outras cenas seriam escritas, e tudo se diluiría daquele jeito meio triste, meio ambíguo, meio bonito que a memória faz. E não importa muito o que depois se passou até que se esbarrassem de novo nesse corredor; não havia motivos pra se cruzarem justamente ali, nem o prédio tinha lá uma função particularmente lógica para isso: nada de inatural, literário, imaginário portanto, nesse encontro sem explicação. Um dia tão certo, pois, quanto qualquer outro, para se encontrarem assim sem mais nem menos. Pararam surpresos e, no susto que saltou em dois cantos do corredor, todo o mundo dentro deles se aproveitou pra sacudir as beiradas, os fundos e tudo quanto é recheio voou pelos ares; um monte de aromas bons subiram às narinas e esparramou no rosto dos dois uma cara de prazer, mas era enganoso; pois parecia duplo e era sozinho. Desavidos e inexperientes, gostaram de achar que aquilo era de ver um ao outro; se olharam então felizes, satisfeitos, e foram andando pra se aproximar. De tão satisfeitos abriram os braços prontando um amigável abraço, puro e liso de inocência que só vendo: e o terror foi tremendo quando não conseguiram. Voltaram um passo atrás, com o ar repentinamente mais curto. Nenhum olho arregalado, nenhum silêncio, nenhum motivo. Daí que não entenderam mesmo, e não tiveram escolha senão tentar de novo. E, novamente, não se tocaram. Esticavam os braços, viam o outro bem na mira, logo à frente, então se davam um passo mais e… que coisa! será que tinham ficado vesgos de repente? Piscaram os olhos e despiscando tudo era igual. Erro não havia. Mas apenas de fora da cena era compreensível. O homem olhava e mirava justamente, mas uma mulher imaginária ao lado da real, como uma boa amiga; quanto à mulher, o mesmo ocorria só que do lado contrário. Um pouco mais à esquerda, outro pouco mais à direita, pareciam querer abraçar o ar a cada tentativa. Não estivesse o corredor vazio, se encheria de risos. Na verdade, mesmo vazio parecia está-lo. E os dois desistiram, paralisados. Não viam que viam um outro que não havia, que ao tentar abraçar não se abraçava porque não existia. Começaram a desconfiar e é certo que mais tarde saberiam, que é sempre tarde que a gente entende, que o corpo é calmo pra nos contar as coisas; que os prazeres que sentiram não eram do outro; eram sozinhos. Eis a cena. Então, era apenas isso: haviam, finalmente, se perdido para sempre.

22.09

Wishlist. (Ed Vedder)

Filed under: micropolítica — cyrano @ 23:32

I wish I was a neutron bomb, for once I could go off… I wish I was a sacrifice, but somehow still lived on… I wish I was a sentimental ornament you hung on… the Christmas tree… I wish I was the star that went on top… I wish I was the evidence… I wish I was the grounds… for 50 million hands upraised and open toward the sky… I wish I was a sailor with someone who waited for me… I wish I was as fortunate,… as fortunate as me… I wish I was a messenger and all the news was good… I wish I was the full moon shining off a Camaro’s hood… I wish I was an alien at home behind the sun… I wish I was the souvenir you kept your house key on… I wish I was the pedal brake that you depended on… I wish I was the verb “to trust” and never let you down… I wish I was a radio song, the one that you turned up… I wish, I wish, I wish, I wish… (I guess it never stops).

Coca-Cola na Índia…

Filed under: aliados, ativismo, denuncia — cyrano @ 23:20

MILHARES de pessoas em toda a Índia estão protestando contra as operações da Coca-Cola no país. Liderado principalmente pelas mulheres, pelas Adivasis (populações indígenas), pelas Daltis (castas mais baixas), por trabalhadores em agricultura e fazendeiros, um expressivo movimento de base surgiu na Índia para que a Coca-Cola seja responsabilizada pelos seus crimes no pais e internacionalmente. A campanha está crescendo e vencendo batalhas extremamente importantes na busca por justiça.

A Coca-Cola é culpada por:

* Causar severas faltas de água em comunidades por toda a Índia
* Poluir a água subterrânea e o solo nos arredores das suas plantas de engarrafamento
* Distribuir seu lixo tóxico como “fertilizante” aos agricultores
* Vender refrigerantes misturados com pesticidas na Índia - em alguns casos, em quantidades mais de 30 vezes superiores aos padrões aceitos na União Européia.

India Resource Center.

Perguntas.

Filed under: micropolítica — cyrano @ 13:22

Por que fechar os pensamentos com aspas, citar-lhes pretensas fontes, fingir-lhes seriedade? Por que esses tons monocórdicos? Por que traçar, em floresta tão viva, ruas avenidas quarteirões, catalogar-lhe os insetos e distribuí-los nos concretos? Por que não se enveredar em trilhas por fazer? Por que essa imensidão soa assim, tão insuportável? Por que esse esforço em chuchar palavras no que é mudo? Por que não lamber, de vez em quando? Chupar um amor até o bagaço? Morder um livro, revés de lê-lo? Trepidar os desejos até explodir, derrubar tudo num chute só — não? …por que está me olhando com essa cara toda?

20.09

Palavras pontudas do Yuka.

Filed under: aliados, ativismo — cyrano @ 11:49

eu sempre penso duas vezes antes de entrar
mas tem certos momentos
que atingem o inconsciente popular

– Tumulto. Marcelo Yuka.

18.09

Polícia para quem precisa?

Filed under: ativismo, denuncia — cyrano @ 18:04

No dia 11 de marco de 2005 tombou mais uma vítima do proibicionismo brasileiro. E.A.M., geógrafo formado pela USP, pai de 4 filhos, viu sua casa ser invadida e sua família passar por violências e constrangimentos, pouco antes de ser autuado em flagrante sob acusação de tráfico de maconha. Aos 43 anos, E.A.M. mantinha em casa 6 pés de maconha, de onde retirava sua porção de consumo, optando assim por se tornar um usuário homegrower , ou seja, aquele que planta cannabis para produzir a maconha que consome e ser auto-suficiente. Ao fazer isso, estava construindo os meios para desvincular-se do mercado do tráfico, responsável pela morte de muita gente no Brasil.

“Grower não é traficante!”

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