…cyrano disse,

29.07

Bobeou, levou.

Filed under: ativismo, denuncia, micropolítica — cyrano @ 12:35

Rolou no Orkut, na comunidade Consumo consciente. Fiz um tópico “linqs sobre consumo consciente” e figura me vem com o seguinte linq: http://www.yazigi.com.br/consumoconsciente. Daí eu respondi…

Yásigi não era uma escola de inglês?

Os caras tem parceria com a Akatu e repetem o discurso deles. Basicamente:

“Consumo Consciente é uma iniciativa que visa educar cada um de nós para um consumo diferente, buscando o equilíbrio entre 3 elementos: o bem-estar do consumidor, as possibilidades do meio ambiente e as necessidades sociais. Mobilizado por informações capazes de criar uma massa crítica de consciência em relação ao consumo, o cidadão terá à mão uma poderosa ferramenta de transformação da sociedade.”

Mas informações sobre empresas podres, ao que parece, não é pra Akatu informação capaz de “criar massa crítica”. É importante saber apenas aquilo que mude seus hábitos de consumir alimentos e água, e que te lembre de empresas legais que praticam ‘responsabilidade social’.

“Para construir esse novo conceito de consumo, é preciso despertar a percepção de que o impacto causado pelas ações individuais cotidianas, ao longo de uma vida, tem igual poder de transformação que o conjunto de ações de consumo de toda uma população em um curto espaço de tempo.”

Interessante isso. Ações individuais “ao longo de uma vida”… Se o impacto é o mesmo, porque privilegiar a ação individual se podemos focar ações de consumo de toda uma população que não leve várias décadas para surtir efeito? Contando pra todo mundo o que multinacionais fazem cotidianamente, por exemplo? Porquê esse deslumbre com o “indivíduo” e sua vida isolada?

“Por isso, a Campanha contra o Desperdício de Alimentos traz uma série de dados sobre a situação alimentar no Brasil e no mundo, além de ações e dicas importantes que fazem dele um instrumento capaz de levar o consumidor consciente a transformar em realidade o sonho de um mundo melhor!” Feche a torneira, separe seu lixo, etc. Mas pode continuar comprando tênis da Nike, pois você só precisa se ocupar da sua vida privada e com todo mundo fazendo isso o mundo será melhor. Qualquer semelhança com Adam Smith NÃO É mera coincidência…

Puta que pariu.

Eis a participação do Yásigi na proliferação do “consumo consciente”:

“Em parceria com o Instituto Akatu pelo Consumo Consciente, em 2003 a rede elaborou de forma pioneira uma cartilha bilíngue (inglês/português e espanhol/português) para a sensibilização contra o desperdício de alimentos(…)que atingiu 80 mil alunos.”

Que lindo. Chorei de emoção.

Virou moda ser ONG agora. Figura tem uma rede de não sei quantas mil escolas, diz que a missão deles é “Contribuir para a formação de cidadãos do mundo por meio do ensino de línguas e da vivência intercultural” e vem com papo de “utilidade pública” pra tirar onda de movimento social transformador. Assim até padaria vira ONG, pô. Missão da padaria:”Contribuir para a alimentação digna e cidadã dos moradores do entorno, através do fornecimento justo de itens básicos para uma alimentação saudável”.

Responsabilidade social é isso. Demagogia, hipocrisia, talvez até cinismo. “Por meio do ensino de línguas e da vivência intercultural”? Dar aula de línguas a preço de mercado e vender intercâmbio pra país de primeiro mundo agora virou cidadania global? hehehe… muito bom isso…

http://www.yazigi.com.br

Visitem o sítio da empresa, pois o linq que o Thales mandou é uma área dela.

Em tempo: Leiam SEM LOGO, da Naomi Klein.

28.07

Eles. (caetano veloso, gilberto gil: 1968)

Filed under: academialivre, aliados, metacafe, metareciclagem, micropolítica — cyrano @ 1:28

Em volta da mesa
Longe do quintal
A vida começa
No ponto final
Eles têm certeza
Do bem e do mal
Falam com franqueza
Do bem e do mal
Crêem na existência do bem e do mal
O florão da América
O bem e o mal
Só dizem o que dizem
O bem e o mal
Alegres ou tristes
São todos felizes durante o Natal
O bem e o mal
Têm medo da maçã
A sombra do arvoredo
O dia de amanhã
Eis que eles sabem o dia de amanhã
Eles sempre falam num dia de amanhã
Eles têm cuidado com o dia de amanhã
Eles cantam os hinos no dia de amanhã
Eles tomam bonde no dia de amanhã
Eles amam os filhos no dia de amanhã
Tomam táxi no dia de amanhã
É que eles têm medo do dia de amanhã
Eles aconselham o dia de amanhã
Eles desde já querem ter guardado
Todo o seu passado no dia de amanhã
Não preferem São Paulo, nem o Rio de Janeiro
Apenas tem medo de morrer sem dinheiro
Eles choram sábados pelo ano inteiro
E há só um galo em cada galinheiro
E mais vale aquele que acorda cedo
E farinha pouca, meu pirão primeiro
E na mesma boca senti o mesmo beijo
E não há amor como o primeiro amor
Como primeiro amor
Que é puro e verdadeiro
E não há segredo
E a vida é assim mesmo
E pior a emenda que o soneto
Está sempre à esquerda a porta do banheiro
E certa gente se conhece no cheiro
Em volta da mesa
Longe da maçã
Durante o Natal
Eles guardam dinheiro
O bem e o mal

27.07

:: Corporações más, muito más mesmo…

Filed under: aliados, ativismo, metacafe, metareciclagem — cyrano @ 22:20

Muita gente, em ingreis, fazendo algo que quero ver na nossa língua-mater.

http://www.badcorp.org, “Pare de financiar sua própria opressão”.

Podem reclamar o quanto quiserem: os caras não tiram as informações que reúnem ali do nada.

Então, você quer nos processar?

Sério?

Poxa, que pena.

Bom, apenas pense nisto;

Seu processo vai dar à BadCorp uma enorme exposição na mídia.

Somado a isso, uma arena para falar sobre todas as coisas horríveis feitas pela empresa que você representa.

E lembre-se, você não é capaz de calar as pessoas.

E em breve, quando essa era de dominação corporativa tiver acabado, advogados como você serão cobertos de graxa e penas por serem nada mais que peões corporativos.

Talvez seja hora de considerar uma nova carreira.
Eu sei de um maravilhoso sítio web que poderia aproveitar sua ajuda.

Aldous huxley surpreendendo.

Filed under: academialivre, micropolítica — cyrano @ 18:56

— Oh! Esquisito, não há dúvida, e tudo mais que quiseres… Mas cheio de um muco viscoso e sem sangue! Nada de sangue, nada de ossos verdadeiros, ou de entranhas. Apenas polpa e sumo branco. E depois, aquela mentira tremenda da alma. Aquela maneira que ele tinha sempre de mentir, de fingir, em benefício próprio e em benefício dos outros, que o mundo não era realmente o mundo, mas sim céu ou inferno. E que dormir com mulheres não era realmente dormir com elas, mas simplesmente dois anjos que se davam as mãos. Ah! Lembras-te de como ele tratava as mulheres — é escandaloso, verdadeiramente escandaloso. As mulheres adoravam isso, está claro — durante algum tempo. Dava-lhes um tal sentimento de espiritualidade… Durava pelo menos até o dia em que lhes vinha a vontade de suicidar-se. Tão espiritual… E durante toda a vida ele não passou dum jovem colegial que tinha desejos sexuais iguais aos de todos os outros, mas que se persuadia a si mesmo e aos outros de que ele era Dante e Beatriz feitos um ser único, e muito mais ainda. Tremendo, tremendo! A única desculpa, suponho, é que ele não podia deixar de ser assim. Não nasceu homem; era apenas uma espécie de lesma-fada com os apetites sexuais dum menino de escola. E depois, pensa naquela formidável incapacidade de chamar gato a um gato. Era-lhe preciso sempre fingir que se tratava dum gênio doméstico ou duma idéia platônica. Lembras-te da ode “A uma Cotovia”? “Salve, espírito jucundo! Pássaro jamais foste!” — Rampion recitava fazendo uma paródia ridícula da “expressão” dum declamador. — Fingindo, apenas fingindo e mentindo a si mesmo como sempre. Ele não podia permitir que a cotovia fosse um simples pássaro, com sangue e penas e um ninho e um apetite de comer lagartas. Oh não! isso não seria bastante poético, seria demasiado groseiro. A cotovia tinha de ser um espírito desencarnado… Privado de sangue e de ossos. Uma espécie de lesma etérea e volante. Não se podia esperar outra coisa. O próprio Shelley era uma espécie de lesma volante; e, no fim das contas, ninguém pode verdadeiramente escrever sobre coisa alguma que não seja o próprio eu… Quando somos lesmas, é preciso que escrevamos sobre lesmas, ainda que o nosso assunto pareça ser uma cotovia. Mas, por Deus, eu quisera — acrescentou Rampion, com uma explosão súbita de fúria extravagante — eu quisera que essa cotovia tivesse tanto espírito como os pardais do livro de Tobias e deixasse cair no olho de Shelley um cataplasma bem grande! Seria bem-feito para o poeta não andar dizendo que a cotovia não era pássaro. Espirito jucundo, essa é boa! Espírito jucundo!

- Contraponto, Aldous Huxley.

22.07

Metareciclagem.

Filed under: metareciclagem — cyrano @ 12:46

“Metarec é forma”, alguém disse. Né não. É arte.

Isso me remete à questão do espaço físico.Os cybermohallas deram certo não porque são cybers,mas porque são espaços abertos e livres à comunidade. Muitos nem tinham computadores no começo, mas se estabeleceram como lugar que se pode frequentar e no qual se é estimulado a criar. (bia)

Tirei dos arquivos de julho da lista de discussão do metareciclagem. Mais um pouco? É apimentado…

— Será que o projeto não teve impacto nenhum nesses casos? E isso não deveria ser essencial, saber avaliar se estamos realmente atingindo/ajudando as pessoas? Se transformação social é um dos nossos objetivos, como ver se isso ocorre? Será que nossa conversa e interação com o grupo/comunidade não precisa ser diferente? (bia)

— Possível, mas não necessariamente verdade. Transformação social é um objetivo possível, mas funciona mais como pretexto do que justificativa. No fim, as coisas se resumem a tesão… Uma coisa que talvez tenha que se quebrar é o paradigma vigente de projetos sociais. Se a gente for a fundo, dá pra chegar ao ponto em que o terceiro setor reproduz a estrutura do comércio: uma organização que presta um serviço a um público-alvo. Se a gente fala de metodologia pirata, isso é falso. Se a gente fala em transpor a metodologia de produção do software livre pra outras áreas do conhecimento, é bom lembrar do fundamento de que cada usuário é um desenvolvedor em potencial, o que nos leva a questionar toda a idéia de organização (serviço) >> target. Assim, talvez, cada ação metareciclenta seria muito mais recrutamento de aliados do que salvação de comunidades. (felipefonseca)

Arquivos da lista em julho, tenham paciência em garimpar o que interessa…

Repetidizendo mais uma vez…

Filed under: aliados, ativismo, metareciclagem — cyrano @ 12:03

O que há de comum entre agricultores tradicionais e o movimento software livre?

Em ação pioneira, Fórum de Software Livre mostra que a luta contra o monopólio dos códigos é também a luta contra a apropriação privada da vida.

O que há de comum entre agricultores tradicionais e o movimento software livre? Aparentemente nada, pois enquanto um lida com a milenar atividade agrícola o outro trabalha com aquilo que, em nosso imaginário, se liga ao que há de mais futurístico. Os inimigos, porém, parecem estar aproximando esses dois personagens. Ambos têm como adversário principal o monopólio. Os hackers do movimento software livre lutam para que o código que produzem e utilizam seja livre, já os agricultores tentam fazer com que as espécies que cultivam há anos não se tornem de domínio exclusivo das transnacionais, interessadas em obter patentes sobre as sementes. No último caso, o código a ser protegido é o genético. No fundo, agricultores e programadores hoje lutam pela mesma coisa: o conhecimento livre.

Um grande passo para que os dois movimentos aumentem o diálogo e a colaboração foi dado no sexto Fórum Internacional de Software Livre — o fisl6.0. Neste ano, pela primeira vez o fisl montou um “Banco de Sementes Livres”, iniciativa desenvolvida para oferecer a comunidades indígenas e quilombolas do Rio Grande do Sul sementes livres de modificação genéticas e sobre as quais não incida nenhuma patente. Ao todo, o fisl conseguiu arrecadar 3 toneladas de sementes que, segundo os organizadores, deverão dar origem a 3 mil toneladas de alimentos.

Tradicionalmente, o fisl costuma arrecadar alimentos que, neste ano e no ano passado, foram doados ao programa Fome Zero. Mas havia, entre os organizadores, o desejo promover uma ação que pudesse ajudar os beneficiados a garantir seu próprio sustento de forma autônoma. Quem conta a história é Mário Teza, um dos organizadores do fisl e membro do Comitê Gestor da internet brasileira: “Ficamos tocados com a história da alta mortalidade infantil dos índios em Dourados (MS) e queríamos fazer algo que vencesse o problema da distribuição, já que é complicado fazer chegar os alimentos”.

Ação prática

A coleta para o Fome Zero não foi interrompida — neste ano foram arrecadadas 6 toneladas de alimentos — mas a ela somou-se a arrecadação de dinheiro para a compra de sementes. Ao final do fisl, no início de junho, o total arrecadado chegou a R$ 30 mil — fruto da contribuição dos patrocinadores e de R$ 3 da inscrição de cada participante. O próximo passo, agora, é comprar as sementes e, junto com as instituições parceiras, fazer com que elas cheguem às comunidades. Para isso estão envolvidos a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Sul (Emater-RS), as secretarias de Agricultura e de Trabalho do estado, a universidade Unijuí, o Conselho Indígenista do RS e, possivelmente, a Embrapa.

(…) Segundo Teza, quem plantou [sementes] transgênicas perdeu 100% da lavoura, enquanto a taxa de resistência da área plantada com as variedades crioulas (tradicionais) foi de 60%. (…) Com a seca, ficaram sem grãos até para o plantio da próxima safra”, afirma Teza.

O objetivo agora é criar uma cadeia produtiva livre, em que os agricultores não sejam obrigados a pagar os royalties abusivos cobrados pelas transnacionais dos transgênicos. No próximo ano, as comunidades beneficiadas contribuirão, com o fruto de seu trabalho, para fazer crescer ainda mais o Banco de Sementes Livres. “Não podemos ver reproduzido na agricultura o monopólio que uma empresa exerce sobre o mercado de software”, afirma Teza. “Queremos liberdade para o código genético, assim como queremos que sejam livres os códigos-fonte dos programas de computador”, completa. De fato, a tática de dominação do mercado usada pela indústria dos transgênicos é muito semelhante a usada pela indústria do software. Durante o fisl6.0, o presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI), Sérgio Amadeu, lembrou que o TRIPs — acordo sobre propriedade intelectual que regula a cobrança de patentes sobre sementes na Organização Mundial do Comércio (OMC) — é chamado por alguns juristas internacionais de “tentativa de Microsoftização do mundo”. Segundo Mário Teza, a lógica é a mesma, a indústria é conivente com o uso ilegal porque este, no futuro, gerará mais lucros a ela. (…)

(Fonte: Boletim 258 da Campanha Por Um Brasil Livre de Transgênicos. Para acessar este número na íntegra e os números anteriores do Boletim e outros documentos publicados pela Campanha, clique em: http://www.aspta.org.br)

21.07

Da internet a gutemberg.

Filed under: academialivre, metareciclagem — cyrano @ 12:32

“Segundo Platão (em Fedro), quando Hermes, suposto inventor da escrita, apresentou sua invenção ao Faraó Thamus, teve sua nova técnica elogiada pois supunha permitir ao ser humano lembrar o que de outra forma poderia esquecer. No entanto, o Faraó não estava satisfeito. ‘Meu hábil Theut, disse, a memória é o maior dom que precisa ser mantido vivo via treinamento contínuo. Com sua invenção as pessoas não mais serão obrigadas a treinar a memória. Lembrar-se-ão não por esforço interno, mas por virtude de um dispositivo externo.’

(…)

Hoje, ninguém compartilha essas preocupações por duas razões muito simples. Antes de tudo, sabemos que os livros não são formas de substituir nosso pensamento; ao contrário, são máquinas que levam a pensar-se mais ainda. Só após a invenção da escrita é que foi possível escrever-se obras-primas sobre a memória espontânea como Em Busca do Tempo Perdido de Proust.

Em segundo lugar, se em outros tempos as pessoas precisavam treinar suas memórias para lembrarem-se das coisas, após a invenção da escrita tinham que as treinarem para lembrarem-se de livros. Os livros desafiam e melhoram a memória; não a entorpecem.”

Da Internet a Gutemberg, texto dito por Umberto Eco em alguma conferência que ele deu no Brasil. Muito boa, por exemplo, pra quem pensa que Internet deixa as pessoas reclusas na frente de um computador e deploravelmente ausentes de qualquer vida social.

19.07

Refrigerante é marca do capitalismo? Tem certeza?

Filed under: academialivre, aliados, ativismo, metacafe, metareciclagem — cyrano @ 17:18

Apropriação é a palavra da vez, num tô falando?

Dica: cê sabe ler em inglês? então visita a sessão strategy e lê os dois textos que tão lá.

GUARANÁ POWER é um refrigerante energético produzido por uma cooperativa de cultivadores de guaraná em Maués, na Amazônia brasileira, em colaboração com o Power Foundation. Os cooperados se organizaram em resposta às atividades das corporações multinacionais Xxxxx e XxxxxXx, um cartel cujo monopólio na compra de matéria-prima levou o preço do guaraná a cair 80%, enquanto o custo dos produtos ao consumidor aumentam.

GUARANÁ POWER usa marcas globais e suas estratégias como matéria-prima para uma reação econômica ao mesmo tempo que procura resgatar o uso original da planta do guaraná dos Maués como uma poderosa bebida natural, e não apenas um símbolo.

GUARANÁ POWER contém guaraná Maué original para energia e empoderamento.

16.07

A revista veja fede + bicarato olhando pra daslu.

Filed under: aliados, denuncia, metareciclagem — cyrano @ 15:24

Ademir Assunção fazendo uma revisão sobre entrevista concedida por ele à Veja.

____________

Bicarato blogando.

“O que significa roubar um caminhão da Daslu diante da abertura de uma loja como a Daslu?”.

10.07

Alguém aí conhece o Instituto?

Filed under: academialivre, aliados, metacafe, metareciclagem — cyrano @ 15:43

O que é o Instituto?

Uma compilação, um movimento, um estúdio, uma fraternidade, um núcleo criativo?

O que é um produtor, o que é um DJ, o que é um artista solo, o que é um “projeto”? Na música pop atual as barreiras entre categorias vêm sendo anarquicamente borradas & ignoradas por uma geração para quem a tecnologia é apenas um isqueiro para acender o rastilho da criatividade, & a “assinatura” é mais uma oportunidade para bagunçar a noção de autoria:

Instituto Vitrola Invisível

Tirei daqui. Blog coletivo do pessoal do post abaixo, dos tais pontos de cultura viva.

7.07

Monsanto, a monstra da vez.

Filed under: denuncia — cyrano @ 12:25

Promíscuas relações entre o público e o privado

A multinacional de biotecnologia e agro-química Monsanto foi pega com a boca na botija subornando cerca de 140 funcionários do governo ao longo dos anos 1997 a 2002, gastando perto de 700 mil dólares. Parte deste suborno foi pago para conseguir a alteração ou supressão de um decreto que exigia que estudos de impacto ambiental fossem realizados pelas empresas, demonstrando a segurança das plantas transgênicas antes de serem liberadas comercialmente. A multinacional admitiu a culpa e pagou 1,5 milhão de dólares de multa para o Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

Alguma semelhança com o “mensalão”? Calma pessoal! O dinheiro é pouco e o fato acima ocorreu antes do Zé Dirceu começar a andar em “más companhias”, e, mais importante, ocorreu na Indonésia. Outros fatos preocupantes, entretanto, indicam que algo do mesmo gênero pode estar em curso no Brasil.

É preciso lembrar dos imensos interesses das grandes multinacionais de biotecnologia como a Monsanto. Apenas o mercado brasileiro de sementes de soja transgênica pode render, potencialmente, mais de 1 bilhão de reais por ano em taxas de uso da tecnologia, sem falar das vendas casadas de roundup, o herbicida da Monsanto que “vai junto” com a soja a ele resistente. A Monsanto sabe muito bem o tamanho de seus interesses no Brasil e gastou, apenas em pouco mais de um mês de campanha publicitária multimídia, no início de 2004, algo perto de 35 milhões de reais. Quanto mais e de que forma terá gastado esta empresa (e outras) no Brasil para atrair um governo que se elegeu com um programa que em três pontos renega o uso desta tecnologia? Perto destes valores os recursos sacados pelo agente do mensalão, Marcos Valério, chegam a ser irrisórios.

Especulações à parte, há fatos suspeitos que mostram uma condenável mistura dos interesses públicos e privados nas discussões para regulamentar a recém aprovada Lei de Biossegurança. Em Abril passado, logo após a aprovação da Lei, representantes das empresas, quem sabe reunidos no Centro de Informações sobre Biotecnologia (uma ONG financiada pelas companhias de biotecnologia), redigiram um ante projeto de decreto de regulamentação da lei, contando com a ajuda, pelo que circula em Brasília, do consultor jurídico do Ministério de Agricultura, Márcio Mazaro. Este ante projeto chegou ao Ministério de Ciência e Tecnologia, que contratou os serviços do advogado Antonio Minaré, que já tinha trabalhado como consultor jurídico da CTNBio e das entidades de lobby pró transgênicos ANBIO e CIB, além do deputado e último relator da Lei de Biossegurança na Câmara, notório lobista pró transgênicos, Tarcísio Perondi. Segundo informantes, este consultor discutiu o ante projeto das empresas com técnicos da Embrapa e outros não identificados e conseguiu torna-lo ainda mais favorável à liberação ultra facilitada dos transgênicos, inclusive incluindo pontos que não foram aprovados na votação na Câmara e reintroduzindo outros vetados pelo presidente Lula.

O ante projeto foi então encaminhado a um Grupo de Trabalho Interministerial para deliberação. Deste GT fazem parte, representantes dos Ministérios da Agricultura, Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia, Relações Exteriores, Meio Ambiente, Saúde, Justiça, Desenvolvimento Agrário, Defesa e a Secretaria de Pesca, com a coordenação ficando ao cargo do Ministério da Casa Civil. O técnico da Casa civil responsável por coordenar este GT estratégico é o advogado Caio Leonardo Bessa Rodrigues, assessor da Subchefia de Assuntos Jurídicos.

O Dr. Caio não é exatamente uma pessoa neutra neste debate, pois fez parte do escritório de advocacia Pinheiro Neto Advogados que tinha, entre seus clientes mais importantes, a multinacional de biotecnologia Monsanto, direta interessada nos procedimentos a serem regulados pelo decreto em discussão no GT por ele coordenado. O Dr. Caio atuava na área de Assuntos Regulatórios e Relações Governamentais no escritório mencionado. Em outras palavras, a função do Dr. Caio era de lobista da Monsanto.

A promiscuidade entre governo e empresas é patente neste caso dos transgênicos e coloca sob suspeição o ante projeto “do MCT” (na verdade das empresas), e o próprio coordenador do GT. É mais que suspeito o ante projeto dar poderes excepcionais ao Ministro de Ciência e Tecnologia para escolher os 12 cientistas que irão compor por até 6 anos a nova CTNBio, quando este ministro não se incomodou com os procedimentos pouco sérios na deliberação da CTNBio para importação de milho transgênico, pois tal liberação interessava aos avicultores de Pernambuco, Estado de origem do Ministro.

Não existem provas ou mesmo evidências concretas de corrupção neste caso dos transgênicos no Brasil, mas o comportamento de parte do Governo e do Congresso, a culpa demonstrada da Monsanto na Indonésia, o ambiente de promiscuidade entre os interesses privados e públicos que está vindo à luz nestes últimos meses e a enormidade dos interesses em jogo justificaria uma investigação sobre o que pode haver “por baixo dos panos”.

Se o governo Lula quiser dar uma demonstração inequívoca de transparência neste caso deveria retirar o ante projeto de decreto de regulamentação em debate e afastar o Sr. Caio desta discussão, indicando pessoa com indiscutível isenção para dar seguimento à mesma. Não se trata, agora, de discutir as vantagens e desvantagens dos transgênicos, mas se o governo vai tratar o assunto com isenção, seriedade, ética e transparência ou se vai seguir fazendo o que mandam as empresas.

Jean Marc von der Weid
AS-PTA

Não achei referências sobre a tristeza da doçura, então…

Filed under: academialivre, micropolítica — cyrano @ 10:49

Alguém que define a vida como a busca de felicidade só pode ser um infeliz crônico.

— Marshall Sahlins. sei lá em qual livro.

6.07

Esse cara é maluco.

Filed under: academialivre — cyrano @ 1:26

Esquece-se com demasiada frequência de que todo dizer autêntico não só diz algo, mas que algo é dito a alguém por alguém. Em todo dizer há um emissor e um receptor que não são indiferentes ao significado das palavras. Este varia quando elas variam. Duo si idem dicunt non est idem. Todo vocábulo é ocasional. A linguagem é diálogo por essência, e todas as outras formas do falar diminuem o poder de sua eficácia. Por isso, acho que um livro só é bom na medida em que nos traz um diálogo latente, em que sentimos que o autor sabe imaginar concretamente seu leitor e este sente como se uma mão ectoplásmica saísse das linhas para tocar sua pessoa, para acariciá-la — ou então, cortesmente, dar-lhe um soco.

Tem-se abusado da palavra e por isso ela caiu no desprestígio. Como em tantas outras coisas, o abuso consistiu aqui no uso sem preocupações, sem consciência da limitação do instrumento. Há quase dois séculos acredita-se que falar é falar urbi et orbi, isto é, a todo mundo e a ninguém. Detesto essa maneira de falar e sofro quando não sei muito concretamente a quem estou falando.

Contam, sem insistir muito na veracidade do fato, que quando foi celebrado o jubileu de Victor Hugo foi organizada uma grande festa no palácio do Eliseu, à qual compareceram representantes de todas as nações para homenageá-lo. O grande poeta se achava no salão de recepção, em solene pose de estátua, com o cotovelo apoiado na borda de uma lareira. Os representantes das nações iam se adiantando e prestavam sua homenagem ao vate francês. O porteiro do palácio ia anunciando a todos em voz alta:

Monsieur le Représentant de l’Angleterre!” E Victor Hugo, com voz de dramático trémolo, com um olhar vago, dizia: “L’Angleterre! Ah, Shakespeare!” O porteiro continuava: “Monsieur le Représentant de l’Espagne!” E Victor Hugo: “L’Espagne! Ah, Cervantès!” O porteiro: “Monsieur le Représentant de l’Allemagne!” E Victor Hugo: “L’Allemagne! Ah, Goethe!”

Aí, então, chegou a vez de um senhor atarracado, gorducho e de andar desajeitado. O porteiro exclamou: “Monsieur le Représentant de la Mésopotamie!”

Victor Hugo, até então inabalável e seguro de si, pareceu vacilar. Suas pupilas, ansiosas, descreveram um grande círculo como que procurando em todo o cosmo algo que não encontrava. Mas logo percebeu-se que tinha encontrado e que tornava a sentir-se dono da situação. De fato, com o mesmo tom patético, com a mesma convicção, respondeu à homenagem do rotundo representante dizendo: “La Mésopotamie! Ah, l’Humanité!”

Contei esse episódio a fim de declarar, sem a solenidade de Victor Hugo, que nunca escrevi ou falei para a Mesopotâmia, e que jamais me dirigi à Humanidade. Esse costume de falar à Humanidade, que é a forma mais sublime e, portanto, mais desprezível da demagogia, foi adotada até 1750 por intelectuais desorientados, ignorantes de seus próprios limites e que sendo, por força de seu ofício, os homens do dizer, do logos, usaram dele sem respeito e sem precauções, sem terem consciência de que a palavra é um sacramento de administração muito delicada.

(…)

Esse espaço histórico comum, onde todos os povos do Ocidente se sentiam em casa, corresponde a um espaço físico que a geografia denomina Europa. Mas o espaço histórico a que me refiro mede-se pelo raio da efetiva e prolongada convivência — é um espaço social. Pois bem, convivência e sociedade são termos equivalentes. Sociedade é o que se produz automaticamente pelo simples fato da convivência. Espontânea e inexoravelmente origina costumes, usos, língua, direito, poder público. Um dos mais graves erros do pensamento “moderno”, cujos efeitos ainda sentimos, foi confundir a sociedade com a associação, que é, aproximadamente, o contrário daquela. Uma sociedade não se constitui por acordo das vontades. Ao contrário, todo acordo de vontades pressupõe a existência de uma sociedade, de pessoas que convivem, e o acordo só pode consistir em definir uma ou outra forma dessa convivência, dessa sociedade preexistente. A idéia da sociedade como união contratual, portanto jurídica, é a mais insensata tentativa já feita de se colocar o carro na frente dos bois. Porque o direito, a realidade “direito” — não as idéias que o filósofo, o jurista ou o demagogo fazem dele — é, se me permitem a expressão barroca, secreção espontânea da sociedade e não pode ser outra coisa. Querer que o direito reja as relações entre seres que não vivem previamente em efetiva sociedade parece-me — e perdoem-me a insolência — uma idéia bastante confusa e ridícula do que é o direito.

— Ortega y Gasset. A Rebelião das Massas.

5.07

“Luceat Eis”.

Filed under: micropolítica — cyrano @ 17:35

Soprai, vento!
Soprai mais forte neste cenário de neblina e sombra.

Vinde, fogo!
Queimai a mesquinhez, o amor interesseiro,
A doença imaginária que põe os homens em desespero.

Teatro imaginário…!
Lardeai de sonhos que resiste como um navio,
Embarcai este delírio e fazei-lo atravessar as águas deste mar.

Nada temas.
Nesta travessia, eu o conduzirei e o ensinarei a vencer a morte!

— grupo galpão, n’um molière imaginário.

4.07

Um post só pra ela: a academia.

Filed under: academialivre, metareciclagem — cyrano @ 17:24

Quem me conhece sabe que já há algum tempo as minhas dissonâncias com o sistema educacional brazuca acabam por motivar algumas ações. Em todo o processo desde ser um usuário entediado da internet discada até a busca atual de cada vez maior conectividade, pude aprender MUITA coisa com MUITA gente, de maneira muito mais rápida e criativa do que em qualquer sala de aula. E o próprio processo de tentar entender esses aprendizados diagonais (e potencializá-los) me levaram e a outros a idéias como o MetaCampus, MetaLearning e outras. Hoje eu acho que os ambientes de interação que existem por aí já dão conta do recado, como o próprio moodle e outras coisas que deveriam ser debatidas no Xemele. Mas ainda falta um espaço físico, um ambiente livre de convivência e aprendizados. Não só um espaço de produção, mas de debate. Não só um espaço de debate, mas de produção. Hernani sempre diz que, apesar de tudo, eu sou um acadêmico. Sim, problema é que minha academia não é aquela. Daí, a idéia da AcademiaLivre.

– Coisa do Felipe Fonseca.

Powered by WordPress

FireStats icon Produzido pelo FireStats