…cyrano disse,

30.06

Ovação.

Filed under: academialivre, aliados, metareciclagem, micropolítica — cyrano @ 22:07

Se teoria serve pra alguma coisa, é pra isso…

amauri,

não tenho como dizer nada do que deves fazer. que público deve trabalhar? sei lá. em sampa, a gente está com um espaco no centro, dando oficinas pra usuários do telecentro descendo as escadas. do lado estamos montando junto com os articuladores um ponto de cultura piloto, pra trampar com vídeo, música, gráfico, software. em santo andré, metareciclagem se passa no centro comunitário da sacadura cabral e na informeta, uma empresa sediada no box ali na beira da sacadura. já rolou metareciclagem num parque da prefeitura, voltado pra formação e pesquisa, e em sampa numa ong, voltado pra atender a associações, creches e pequenas ongs. tudo isso pra dizer: metareciclagem não tem um objetivo fixo, público alvo fixo. metareciclagem é metodo, ferramenta pra fazer coisas. melhor é definir primeiro quais são essas coisas que vocês querem fazer, pra depois definir como fazer, e se a metareciclagem é mesmo necessaria…

ff. cara fera. quando crescer quero ter uma barbicha que nem a dele. blogando aqui.

Ah, tem o AcademiaLivre, esqueci e voltei pra mencionar. Até colaborei um tiquim.

Semelhanças. É somando que a gente se entende… E aí, Iu? Conversê num acontece em salinha com mesa individual não. E a Academia é toda desse jeito, o quarto andar da minha querida Faculdade de filosofia e ciências humanas pode lembrar hospital, repartição pública, até o Maleta; mas ao menos o Maleta tem um primeiro andar. Cê vai subindo nos andares do Maleta, ele vai compartimentando. Mas no primeiro andar, um grande boteco. Daí pra cima só lojas e cada vez mais fechado, fragmentado, específico. A Academia devia aprender com a Internet, ou ao menos com o Bicarato: tamos num grande boteco. O pessoal do quarto andar devia descer pro térreo, de vez em quando..

Teoria pode ser útil?

Filed under: academialivre, ativismo, metacafe, metareciclagem — cyrano @ 19:57

O importante é que essa relativa independência ou autonomia da periferia com relação ao centro significa que as transformações ao nível capilar, minúsculo, do poder não estão necessariamente ligadas às mudanças ocorridas no âmbito do Estado. Isso pode acontecer ou não, e não pode ser postulado aprioristicamente. Sem dúvida, Foucault salientou a importância da Revolução Francesa na criação ou transformação de saberes e poderes que dizem respeito à medicina, à psquiatria ou ao sistema penal. Mas nunca fez dessa análises concretas uma regra de método. A razão é o que o aparelho de Estado é um instrumento específico de um sistema de poderes que não se encontra unicamente nele localizado, mas o ultrapassa e complementa. O que me parece, inclusive, apontar para uma consequência política contida em suas análises, que, evidentemente, não têm apenas como objetivo dissecar, esquadrinhar teoricamente as relações de poder, mas servir como um instrumento de luta, articulado com outros instrumentos, contra essas mesmas relações de poder. É que nem o controle, nem a destruição do aparelho de Estado, como muitas vezes se pensa — embora, talvez cada vez menos — é suficiente para fazer desaparecer ou para transformar, em suas características fundamentais, a rede de poderes que impera em uma sociedade.

Roberto Machado, falando sobre Foucault, numa Introdução à Microfísica do Poder (19ª edição).

Campanha contra transgênicos.

Filed under: ativismo, denuncia — cyrano @ 18:43

Muito interessante. O pessoal do Greenpeace deu uma boa idéia pra colocar em prática uma lei que já existe, de rotulação de produtos fabricados a partir de matéria-prima geneticamente modificada.

Tem mais. Pessoas do movimento pelo software livre fizeram uma página muito interessante pra explicar o que software livre tem a ver com economia solidária. De quebra, o pensamento deles vai contra o uso de transgênicos também. Andam dizendo que gente na ONU anda dizendo que as pessoas por aí andam dizendo que a Monsanto tá tentando uma “microsoftização” da fabricação alimentícia no mundo. Ou seja, monopólio baseado em hábitos de uso, inclusive sem se preocupar com pirataria — já que a longo prazo chega-se ao mesmo lugar: dependência.

Tá duvindando? Vi lá no Greenpeace. Sabia que a Monsanto é responsável por 90% da produção transgênica no mundo?

23.06

Depois reclamam que eu sou radical.

Filed under: academialivre, ativismo, denuncia — cyrano @ 11:37

Escorado em minuciosa análise sobre quantias, condições e fluxo do que é disponibilizado como auxílio contra a pobreza, o relatório, intitulado “Real Aid” (“Auxílio Real”, em português), mostra as brechas através das quais boa parte do dinheiro “cedido” aos países pobres pelas nações ricas acaba sumindo no meio do caminho. Não é incomum, por exemplo, que os países do Norte condicionem às verbas que oferecem a aquisição de produtos e serviços de suas corporações, bem como ao trabalho superfaturado de técnicos estrangeiros. Medidas que, pelo cálculo dos responsáveis pelo estudo, comeriam nada mais, nada menos, que 25% de todo o dinheiro doado. “Atualmente, é absurdamente grande o auxílio guiado por motivos comerciais ou geopolíticos, não levando em conta esforços em defesa dos direitos das populações pobres”, lembram os autores do relatório, Patrick Watt e Romilly Greenhill.

Ajuda Fantasma, tirado do Cidadania.na.Internet.

20.06

Antropologia.

Filed under: academialivre, humor — cyrano @ 22:54

Ele mostra como um contraste fundamental entre cidade e campo se alia a outras oposições difusas: civilizados e primitivos, Ocidente e “não-Ocidente”, futuro e passado. Ele analisa uma complexa, inventiva e fortemente padronizada gama de respostas à mudança e ao deslocamento social, estendendo-se da Antiguidade Clássica ao presente. Williams traça a constante ressurgência de um padrão convencional de retrospecção que lamenta a perda de um campo “bom”, um lugar onde os contatos sociais e naturais autênticos foram, uma vez, possíveis. Logo ele observa, no entanto, uma inquietante regressão. Pois em cada momento que se encontra um escritor olhando para trás, para um lugar mais feliz, para um momento “orgânico” perdido, encontra-se um outro escritor, daquele período anterior, lamentando um prévio e similar desaparecimento. O referente último é, claro, o Éden.

Uma pequena parábola pode ajudar a entender por que essa alegoria do resgate etnográfico e da perda tornou-se recentemente menos auto-evidente. É uma parábola verdadeira. Um estudante de etnohistória africana está fazendo pesquisa de campo no Gabão. Ele trabalha com os mpongué, um grupo do litoral que, no século XIX, tinha muito contato com negociantes europeus e colonos. A “tribo” ainda existe, na região de Libreville, e o etnohistoriador conseguiu entrevistar o atual chefe mpongué sobre a vida tradicional, o ritual religioso, etc. Preparando-se para essa entrevista, o pesquisador consulta um compêndio de costumes locais compilado no início do século XX por um gabonês, cristão e etnógrafo pioneiro, o abade Raponda-Walker. Antes de se encontrar com o chefe mpongué, o etnógrafo copia uma lista de termos religiosos, instituições e conceitos, registrados e definidos por Raponda-Walker. A entrevista seguirá essa lista, checando em que medida os costumes persistem, e se assim for, com que inovações. No início as coisas correram fáceis, com a autoridade de mpongué fornecendo descrições e interpretações dos termos sugeridos, ou ainda observando que uma prática havia sido abandonada. Após um certo tempo, no entanto, quando o pesquisador pergunta sobre uma certa palavra, o chefe parece em dúvida, meio perturbado. “Um momentinho”, diz ele animadamente, fugindo para dentro de casa, para voltar com uma cópia do compêndio de Raponda-Walker. Durante o resto da entrevista o livro ficou aberto no seu colo.

— James Clifford. A experiência etnográfica.

19.06

Eita. Antropologia endoscópica.

Filed under: academialivre — cyrano @ 16:33

Não precisamos exagerar o contraste em relação a nós mesmos, isso porque o interesse geral dos estados burgueses é o interesse particular de suas classes dominantes, conforme os ensinamentos de Marx. Porém, a sociedade capitalista realmente tem um modo distintivo de aparência e, portanto, uma consciência antropológica definida, também difundida nas disposições teóricas da academia. A teoria nativa dos “Boo-jwas” (aqui o autor brinca com a pronúncia inglesa de borgeois, burgueses) é de que as consequências sociais são as expressões cumulativas das ações individuais e, por esse motivo são mais atrasadas do que o estado prevalecente das vontades e opiniões do povo, conforme geradas, especialmente a partir de seus sofrimentos materiais. A sociedade é constituída como a soma institucional de suas práticas individuais. O locus clássico desse folclore é, claro, o mercado, onde o êxito relativo de agentes autônomos individuais e, portanto, a ordem política da economia, é mensurável pelas porções quantitativas obtidas respectivamente nos cofres públicos às expensas de quem interessar possa. Apesar disso, esse processo social é vivenciado por seus participantes como sendo a maximização de suas satisfações pessoais. E, como essas tais satisfações — desde ouvir a orquestra sinfônica de Chigago a ligar para nossa própria casa a cobrar do exterior — requerem a redução de relações e condições sociais a seu menor denominador comum, o do custo pecuniário, com o propósito da alocação racional de nossos recursos limitados, a impressão que se tem é de que a cultura é organizada pela economicidade metódica do povo. Essa impressão é duplicada pelo processo político democrático, onde qualquer pessoa vale por “um” (voto) e, assim, os poderes dominantes são representados como sendo a “escolha popular”. As pressuposições prevalecentes, quantitativas, populistas e materialistas das nossas ciências sociais não podem ser acidentais — senão não há antropologia.

— Ilhas de História, de Marshall Sahlins.

1.06

Desenvolvimento econômico é o #@$%!

Filed under: academialivre, denuncia — cyrano @ 15:15

De acordo com a pesquisa, 1% dos brasileiros mais ricos — 1,7 milhão de pessoas — detém uma renda equivalente a da parcela formada pelos 50% mais pobres (86,5 milhões de pessoas).

Desigualdade social no Brasil continua em níveis elevados — tá lá na Folha Online.

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