…cyrano disse,

24.02

Antena na cabeça.

Filed under: academialivre, radiolivre — cyrano @ 10:20

Técnica também é cultura. E no caso dos meios de comunicação, a separação entre técnica e conteúdo é apenas uma ilusão. A técnica determina a maneira como o conteúdo é produzido, distribuído, consumido, contravertido, estabelecendo os limites e as possibilidades do que pode ser veiculado, de que maneira vai acontecer a veiculação naquele meio. O conceito e a prática de mídia tática vem tornar essa relação cultura-técnica ao mesmo tempo mais evidente e mais problemática, alargando nossa percepção sobre como a técnica pode ser empregada como estratégia de cultura.

— retirado do áudio “debate sobre meios de comunicação”, na Rádio Muda.

20.02

Castells.

Filed under: academialivre — cyrano @ 23:16

Resenhas de livros do Castells para ler no banheiro, ou no trabalho.

Favelado é o carvalho!

Filed under: academialivre, aliados, ativismo, denuncia, metareciclagem — cyrano @ 17:50

A vida cotidiana nas favelas do Rio de Janeiro - e em Recife provavelmente não deve ser diferente, é um mundo desconhecido para a grande maioria dos cariocas. Fascínio, preconceito e medo se entrelaçam nas falas dos moradores dos bairros formais ao tratarem dos habitantes das favelas e de seus espaços. E, em particular no momento atual, estes parecem mais incompreensíveis e distantes do que os iraquianos assassinados pela sanha vingadora dos que se arvoram em donos do mundo.

Texto muito bom, escrito pelo coordenador da organização Observatório das Favelas.

Eu concordo.

Filed under: academialivre, ativismo, metacafe, metareciclagem, radiolivre — cyrano @ 17:27

Castells considera ainda que a Internet, como um meio de comunicação, ‘é o meio mais potente que têm os indivíduos e as sociedades hoje para incrementar sua autonomia’. Ele comenta ainda que, os movimentos sociais conscientes de que as lutas devem ser enraizadas no local, na vivência, na identidade, nos problemas que a gente vive, eles sabem também que o poder está em circuitos globais, assim como as decisões das quais dependem nossas vidas. “E, portanto, a relação entre local e global exige um movimento social que é, ao mesmo tempo, local e global. E isso só pode existir pela Internet”.

Aqui, ó.

18.02

Como é a musiquinha mesmo?

Filed under: academialivre, ativismo, metareciclagem — cyrano @ 17:07

Mas como sempre houve gente estranha nesse mundo… ainda estamos aqui… sapo cururu… na beira do rio… à espera de colaboração… da cessão de uso de bens, como sempre cedemos… da doação de serviços, como sempre doamos… ou de sua execução por remuneração simbólica, como a que qualquer professor de escola pública recebe mês após mês… fazendo de um modo ou de outro nossos pequenos milagres… neste país exótico aqui embaixo, onde ainda se anda com pés no chão.

Um texto sobre terceiro setor.

15.02

Fala demais, fala…

Filed under: academialivre, humor, metareciclagem, micropolítica — cyrano @ 22:00

Falei demais, levei palmada. Toma, distraído…

O que eu mandei:

Tcho explicar em que eu concordo com o Stalker, que não quer investir em wifi (internet via onda de rádio) pra mulecada ter mais inspiração auto-sexuada.

Se é pra falar de classes no sentido econômico, como gostou de fazer o Marx e como gostou de fazer toda a esquerda depois dele, digo classe num sentido bem, beeeeeem relativo. Porque não acho que pobre é legal. Que ajudar pobre vai melhorar o mundo. Que odiar rico vai mudar o mundo. Porque nós somos mais que sensos demográficos. Não somos? Economia solidária no Fórum tava dando neguim a cobrar 2,50 num côco porque a solidariedade vale isso, furar o olho dos outros agora tem justificativa: “é pela responsa social”. Pra merda. Solidariedade é que nem fé, cega. Não quero trabalhar com economia solidária pra enriquecer ninguém, nem com rádio livre pra ficarem divulgando machismo ou discriminação (inclusive contra playboy). Se é pra estimular preconceitos, reduções, verdades dogmáticas, ora, pra que tudo isso? A mídia já não faz isso a tanto tempo? Emburrecendo as pessoas de graça, e com maestria e potência muito maior que esses nossos projetos alternativos? Se é pra entregar a tecnologia e só, então melhor é debandar pruscambau, vender côco e esquecer dessa merda de civilização.

Porquê tudo isso que tô dizendo? Porque projeto wiki no morro em si é vazio. Economia solidária sem conscientização é vazio. Não sou burguês nem pobre. Sou ativista. Não admito que me encaixem numa classe econômica pra explicar quem eu sou, e daí segue que também não aceito olhar pra ninguém usando esses filtros. Tavam por aqui organizando outro dia um encontro de agricultura familiar urbana (urbanismo sustentável né, ecologia, esses trem). E iam usar copinho e pratinho descartável pra galera comer no dia do encontro. Falo que tá errado e que tem que chamar todo mundo pra mutirão, levem e lavem seus próprios utensílios. “Pô, mas no primeiro encontro? Muito cedo pra isso, não?” A puta que lo pario com isso. Que simpatia é essa? Isso é conivência. Essa visão estruturalista de que as pessoas são apenas fruto das condições sociais no qual cresceram também vira conivência. Esse tipo de visão não é transformista, é reacionário. Estaciona. Acho que é isso. Devo ter desviado demais de qualquer assunto, mas enfim…

E o pior é que responderam.

Subject: [ProjetoMetaFora] Ideologia de classe…

… de cu é rola.

e outro propõe :

aliás, estou sentindo falta da voz aki dos aliados: tupi, xarah, estraviz, hernani, colacino, bicarato, … ,… , …, metafóricos!……que tal botar lenha nessa fogueira.

motivo : pregui.

acho que fff já disse tudo pro garoto num email anterior: táquidinovo :

mas de um modo estrito essa posição pode levar uns e outros a não fazer nada, nénão? na real, internet no morro não é pra salvar mil favelados, é pra ajuar aqueles três que têm potencial de transformação pessoal e aquele um com potencial de transformação local social o carajo.

de resto, tô de saquinho cheio de blablablas discursivos. daria pra pegar frasesinhas mil do minino, mas separo só uminha pra resumir a porra toda:

Esse tipo de visão não é transformista, é reacionário.

“visão transformista” é slogan pra oculista gay.

vem trabaiá vagabundo. e dá uma mão (não preciso dos oio) nas coixitcha.

benvindo ao decuérola rulez.

tipariu…

Parque Digital.

Filed under: academialivre, metareciclagem — cyrano @ 21:31

O Parque Digital tem trabalhado com o intuito de levar as tecnologias às pessoas, mas de forma descentralizada e de baixo para cima. Nossos objetivos estão no aprendizado, no engajamento das pessoas às comunidades e na integração dos atores em questão. Não se trata de adequar as pessoas às tecnologias que são padrão no mercado, mas de adequar a tecnologia às necessidades e desejos das pessoas.”

Um dos objetivos do Projeto ParqueDigital é a recuperação da voz humana, ou seja, a utilização das tecnologias e ferramentas que possibilitem às pessoas o exercício da cidadania em sua totalidade. E através das opiniões, publicações, do copiar e colar e, principalmente, do engajamento em comunidades de interesse.

Os ‘Cursos’ tem como foco a criação de cursos, seminários e Workshops destinados a inclusão das pessoas às tecnologias. Não apresentamos receitas, ou cursos de habilitação à informática. Atuamos às avessas, pois mostramos as possibilidades, o porquê da utilização desta tecnologia. Não pretendemos ensinar. Pretendemos dar condições de aprender.

Parque Digital.

14.02

Filed under: micropolítica — cyrano @ 21:29

Instinto Coletivo (Marcelo Yuka)

Quadras e quadras e quadras “b boys” capoeiristas
Velhos sonhos, novos nomes na avenida
O folclore é hardcore, e ataca o nosso momento
Abre a roda quem tá fora e quem tá dentro participa,
O folclore é hardcore, instiga alegria
Em respeito do homem ao tambor,
Do ritmo que domina com louvor
Do fato de estarmos juntos sem pavor,
Pois o instinto é coletivo meu senhor.
Eu represento o instinto coletivo
É domingo e so temos uma opção
As caixas são grandes
O som tem que ser alto
Pra tocar a multidão
E pra dançar não faz seleção
Pro homem do samba, pro homem do funk, pro homem do branga
Ruarup e o Boi Mamão
Nossa identidade é nosso lar
E dentro de uma área de exclusão
Afrika Bambaata padre Cicero e Lampião
Contra a mente de exclusão,
sempre souberam
Que o instinto é coletivo meu irmão
Eu represento o instinto coletivo
O Rappa from Brasil
Third world posse on the bill
O Rappa from Brasil
Essa dança nao faz seleção
Pro homem do samba, pro homem do funk, pro homem do bangra
Baile da furacão, folia de reis
Ruarup e o boi Mamão
Nossa identidade é nosso lar
E dentro dessa área de exclusão
Comandante Marcos Afrika
Bambaata padre Cicero e Lampião
Contra a mente de exclusão, sempre souberam
Que o instinto é coletivo meu irmão
When you see mypassaport number
You don’t see my culture
You don’t see me.

Michel Foucault.

Filed under: academialivre — cyrano @ 21:19

Portanto, o problema é o seguinte: acima de tudo, se os intelectuais franceses de hoje se encontram em uma situação absolutamente difícil e se são coagidos a experimentar uma espécie de vertigem, quando não de desespero, é porque, desde a revolução cultural chinesa, e, em particular, desde que os movimentos revolucionários se desenvolveram não apenas na Europa, mas no mundo inteiro, eles foram levados a formular esta série de questões: será que a função subversiva de escrita subsiste ainda? A época em que só o ato de escrever, de fazer existir a literatura por sua própria escrita bastava para expressar uma contestação, no que diz respeito à sociedade moderna, já não estaria acabada? Não teria chegado, agora, o momento de passar às ações verdadeiramente revolucionárias? Agora que a burguesia, a sociedade capitalista desapossaram totalmente a escrita dessas ações, não estaria o fato de escrever apenas reforçando o sitema repressivo da burguesia? Não seria preciso cessar de escrever? Quando digo tudo isso, acredite-me, não estou brincando. É alguém que continua a escrever que lhes fala. Alguns dos meus amigos mais próximos e mais jovens renunciaram definitivamente a escrever, pelo menos é o que me parece. Honestamente, em face dessa renúncia em benefício da atividade política, não apenas fico admirado, como sou tomado por uma violenta vertigem. Afinal, agora que não sou mais tão jovem, contento-me em continuar esta atividade que, talvez, perdeu algo desse senso crítico que eu quis lhe dar.

13.02

Mais foucault.

Filed under: academialivre — cyrano @ 12:09

Pode-se, portanto, supor em nossa civilização, e no decorrer dos séculos, toda uma tecnologia da verdade que a prática científica e o discurso filosófico pouco a pouco desqualificaram, recobriram e caçaram. A verdade não é da ordem daquilo que é, mas do que ocorre: acontecimento. Ela não é constatada, mas suscitada: produção em lugar do apofântico. Ela não se dá pela mediação de instrumentos, ela se provoca por rituais; ela é atraída por astúcias, nós a captamos segundo as ocasiões: estratégia e não método. Deste acontecimento assim produzido ao indivíduo que o espreitava e que foi surpreendido por ele, a relação não é do objeto ao sujeito de conhecimento, é uma relação ambígua, reversível, belicosa, de mestria, de dominação, de vitória: uma relação de poder.

– A casa dos loucos, 1975.

11.02

Drink saramago.

Filed under: academialivre, aliados, ativismo, micropolítica — cyrano @ 21:51

Começarei por vos contar em brevíssimas palavras um facto notável da vida camponesa ocorrido numa aldeia dos arredores de Florença há mais de quatrocentos anos. Permito-me pedir toda a vossa atenção para este importante acontecimento histórico porque, ao contrário do que é corrente, a lição moral extraível do episódio não terá de esperar o fim do relato, saltar-vos-á ao rosto não tarda.

Este mundo da injustiça globalizada.

9.02

Foucault e a academia francesa de filosofia…

Filed under: academialivre — cyrano @ 23:21

A análise de Derrida é, com certeza, notável por sua profundidade filosófica e pela meticulosidade de sua leitura. Não me proponho a respondê-la: gostaria, quando muito, de acrescentar algumas observações. Observações que parecerão, sem dúvida, bastante exteriores e que o serão, na própria medida em que a História da loucura e os textos que a sucederam são exteriores à filosofia, à maneira como na França ela é praticada e ensinada.

Derrida pensa poder retomar o sentido de meu livro ou de seu “projeto” nas três páginas, nas três únicas páginas que são dedicadas à análise de um texto reconhecido pela tradição filosófica. Com sua admirável honestidade, ele próprio reconhece o paradoxo de sua empreitada. Mas, sem dúvida, ele pensa ultrapassá-lo porque admite, na realidade, três postulados.

1) Em princípio, ele supõe que todo conhecimento, e mais amplamente todo discurso racional, mantém com a filosofia uma relação fundamental, e que é nessa relação que essa racionalidade ou esse saber se fundamentam. Liberar a filosofia implícita de um discurso, enunciar as contradições, os limites ou a ingenuidade, é fazer a fortiori e pelo caminho mais curto a crítica do que se encontra dito nele. Inútil, por conseguinte, discutir sobre as 650 páginas de um livro; inútil analisar o material histórico que se encontra nele trabalhado; inútil criticar a escolha desse material, sua distribuição e sua interpretação, dado que se pode denunciar uma falha na relação fundadora com a filosofia.

2)Em relação a esta filosofia que detém eminentemente a “lei” de todo discurso, Derrida supõe que se cometem “falhas” de uma natureza singular: não tanto falhas de lógica ou de raciocínio, acarretando erros materialmente isoláveis, mas, antes, falhas que são como um misto do pecado cristão e do lapso freudiano. Peca-se cristãmente contra essa filosofia desviando-se os olhos dela, recusando sua luz deslumbrante e se apegando à positividade singular das coisas. Em relação a ela, cometem-se também verdadeiros lapsos: nós a traímos sem nos darmos conta, a revelamos resistindo-lhe e deixamos que apareça em uma linguagem que só o filósofo está em posição de decodificar. A falta contra a filosofia é, por excelência, a ingenuidade, ingenuidade que nunca pensa senão no nível do mundo, e que ignora a lei do que pensa nela e apesar dela. Porque a falta contra a filosofia é próxima do lapso, ela será “reveladora” como ele: bastará o mais tênue “rasgo” para que todo o conjunto seja posto a nu. Mas, porque a falta contra a filosofia é da ordem do pecado cristão, basta haver um, e mortal, para que não haja mais salvação possível. Por isso é que Derrida supõe que, se ele mostra em meu texto um erro a propósito de Descartes, por um lado, ele terá mostrado a lei que rege inconscientemente tudo o que posso dizer sobre os regulamentos de polícia no século XVII, o desemprego na época clássica, a reforma de Pinel e os asilos psiquiátricos do século XIX; e, por outro lado, ao se tratar de um pecado não menos que de um lapso, ele não terá que mostrar qual é o efeito preciso desse erro no campo de meu estudo (como ele se repercute sobre a análise que faço das instituições ou das teorias médicas): um único pecado basta para comprometer toda uma vida… sem que se tenham que mostrar todas as faltas maiores e menores que ele pôde acarretar.

3) O terceiro postulado de Derrida é que a filosofia está além e aquém de todo acontecimento. Não apenas nada pode acontecer-lhe, mas tudo o que pode acontecer encontra-se já antecipado ou envolto por ela. Ela própria não é senão repetição de uma origem mais que originária e que excede infinitamente, em seu retiro, tudo o que ela poderá dizer em cada um de seus discursos históricos. Mas, já que ela é repetição desta origem, todo discurso filosófico, desde que seja autenticamente filosófico, excede em sua desmedida tudo o que pode acontecer na ordem do saber, das instituições, das sociedades etc. O excesso da origem, que só a filosofia (e nenhuma outra forma de discurso e de prática) pode repetir para além de todo esquecimento, retira toda a pertinência do acontecimento. De modo que, para Derrida, é inútil discutir a análise que eu proponho desta série de acontecimentos que constituíram durante dois séculos a história da loucura; e, para dizer a verdade, meu livro é bastante ingênuo, segundo ele, por querer fazer esta história a partir desses acontecimentos irrisórios que são o internamento de algumas dezenas de milhares de pessoas, ou a organização de uma polícia de Estado extrajudicial. Teria bastado, mais do que amplamente, repetir uma vez mais a repetição da filosofia por Descartes, repetindo, ele próprio, o excesso platônico. Para Derrida, o que se passou no século XVII não poderia ser senão “amostra” (ou seja, repetição do idêntico), ou “modelo” (quer dizer, excesso inesgotável da origem): ele não conhece a categoria do acontecimento singular. Portanto, para ele é inútil — e, sem dúvida, impossível — ler o que ocupa a parte essencial, senão a totalidade, de meu livro: a análise de um acontecimento.

(…)

Assim, colocando indevidamente o que ele já sabe, no momento em que se prova todo saber, Descartes assinala o que ele mascara e reintroduz antecipadamente, em seu sistema, o que é para sua filosofia ao mesmo tempo condição de existência e pura exterioridade: a recusa em supor realmente que ele é louco. Por essa segunda razão, não se pode aperceber, do interior do sistema, a exclusão da loucura. Ela só pode aparecer em uma análise do discurso filosófico, não como uma remanência arquitetural, mas como uma série de acontecimentos. Ora, como uma filosofia do rastro, perseguindo a tradição e a manutenção da tradição, poderia ser sensível a uma análise do acontecimento? Como uma filosofia tão preocupada em permanecer na interioridade da filosofia poderia reconhecer esse acontecimento exterior, esse acontecimento limite, essa divisão primeira pela qual a resolução de ser filósofo e de atingir a verdade exclui a loucura? Como uma filosofia que se posiciona sob o signo da origem e da repetição poderia pensar a singularidade do acontecimento? Quais status e lugar poderia ela conceder ao acontecimento, que efetivamente se produziu (ainda que na escrita de Descartes o pronome pessoal “eu” (je) permita a qualquer um repeti-lo), esse acontecimento que fez com que um homem sentado junto ao fogo, os olhos voltados para seu papel, tenha aceitado o risco de sonhar que era um homem adormecido, sonhando que estava sentado junto ao fogo, os olhos abertos sobre um papel, mas que recusou o risco de imaginar seriamente que ele era um louco imaginando-se sentado junto ao fogo, lendo ou escrevendo?

Sobre as bordas exteriores da filosofia cartesiana, o acontecimento é ainda tão legível que Derrida, do seio da tradição filosófica que ele assume com tanta profundidade, não pode evitar de reconhecer que ele ali estava a vaguear. Por isso é que, sem dúvida, ele quis dar a esse acontecimento a figura imaginária de um interlocutor fictício e totalmente exterior, na ingenuidade de seu discurso, à filosofia. Através dessa voz que ele sobreimprime no texto, Derrida garante ao discurso cartesiano ser fechado a qualquer acontecimento estranho à grande interioridade da filosofia. E, como mensageiro desse acontecimento insolente, ele imaginava um simplório, com suas parvas objeções, que vai de encontro à porta do discurso filosófico e que se faz ser posto fora sem ter podido entrar.

Foi bem assim, através das espécies de interlocutor ingênuo, que a filosofia representou para si o que lhe era exterior. Mas onde está a ingenuidade?

Ditos e escritos: vol. I / Michel Foucault. Org.: Manoel Barros da Motta. Forense Universitária, 2002.

1.02

Só é possível filosofar em alemão?

Filed under: academialivre — cyrano @ 15:04

Espanhol, eu acho. Não sei ainda com que livro começarei a lê-lo.

Nem toda propriedade é um roubo. Porém, a propriedade é um roubo quando exclui os não-proprietários do processo de desenvovimento social. Informação é poder. Comunicação é contra-poder.

— Manuel Castells

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