Seleção de Textos de Claude Lévi-Strauss. (Malcolm Bruce Corrie)
Cada coisa, ao se mover, num ou noutro momento, aqui e lá, marca um tempo de parada. O pássaro que voa pára num lugar para fazer seu ninho e num outro para repousar. O homem em marcha pára quando quer. Assim, o deus parou. O sol, tão brilhante e magnÃfico, é um lugar onde ele parou. A lua, as estrelas, os ventos é onde ele esteve. As árvores, os animais são todos seus pontos de parada, e o Ãndio pensa nesses lugares e para eles dirige suas preces, a fim de atingirem o lugar em que o deus parou, e obterem ajuda e bênção” (Dorsey, J. O. “A Study of Siouan Cults”, XIth Annual Report (1889-1890) p. 435)
“Uma grande corrente de energia criativa se lança na matéria para dela obter o que pode. Na maior parte dos pontos ela parou; estas paradas se traduzem diante de nós por outros tantos aparecimentos de espécies vivas, isto é, de organismos em que nosso olhar, essencialmente analÃtico e sintético, distingue uma porção de elementos que se coordenam para preencher uma multidão de funções; contudo, o trabalho de organização era somente a própria parada, ato simples, análogo ao rastro do pé que, instantaneamente, faz milhares de grãos na areia se disporem para formar um desenho” (Bergson, H. Les Deux Sources de la morale et de la religion, p. 221)