Cousa óbvia.
O que acontece agora é que o processo de democratização, ou seja, o processo de expansão do poder ascendente, está se estendendo da esfera das relações polÃticas, das relações nas quais o indivÃduo é considerado em seu papel e cidadão, para a esfera das relações sociais, onde o indivÃduo é considerado na variedade de seus status e de seus papéis especÃficos, por exemplo de pai e de filho, de cônjuge, de empresário e de trabalhador, de professor e de estudante e até mesmo de pai de estudante, de médico e de doente, de oficial e de soldado, de administrador e de administrado, de produtor e de consumidor, de gestor de serviços públicos e de usuário, etc.
Esse autor (Norberto Bobbio) me surpreendeu. Sua idéia de expansão da democracia desvia a discussão da instituição da representação polÃtica e sua estrutura, para uma práxis bem diferente e menos, digamos, intelectual. A vivência dos indivÃduos, aonde se constrói a postura polÃtica — mais do que nos discursos e na elaboração dos conceitos de representação, de polÃtica e de cidadão — são chamados a fazer parte de um passo à frente democrático. Segundo o cara, o aumento das situações de participação — da eliminação progressiva, mesmo que não absoluta, de estruturas autocráticas cujo poder desce como um cuspe dos deuses na cabeça dos súditos; ou dos patrões, nos empregados; ou dos chefes, nos funcionários; ou dos reitores, nos professores. Uma mudança relativamente brutal no papel de cônjuge, de trabalhador, de estudante. E etc. E é nesse et cetera que cabe todo o resto, em suma mais importante, de mudar a apatia polÃtica pela vivência da democracia e da administração conjunta. Da horizontalização das diversas esferas de convivência social. De uma famÃlia mais aberta e que faça de suas refeições assembléias. Uma empresa que saia do discurso propagandista de “ouvimos nossos funcionários” para colocá-los no corpo administrativo. De escolas que… Bom, tenho que ir almoçar. Depois continuo.