Grilhão.
Fraqueza não. É transbordar de gostos, transbordar puro e simples. Ostentação gratuita essa, de diversas coisas possÃveis, imagináveis, no entanto dói pensar em descrevê-las (ou agarrá-las, dá no mesmo). Dói porque não consigo, dói porque elas não querem. Tenho aqui um grande nevoeiro na cabeça, ocupa-me o espaço destinado à escritura. Não escrevo, portanto. Não temo, nem enfraqueço. E também não tenho controle, não foi nesse sentido que te disse que tinha o controle! Me limito a não forçar as portas, e ficar mesmo assim, deitado na grama. Nem quero saber de portas agora. Só quero saber de você. E vejo cada vez mais claramente o descomunal — cada vez mais descomunal? — grilhão que te prende as canelas e te puxa para trás o corpo. Não que esse peso aumente consideravelmente a cada uma de suas noites mal dormidas, cheias de fragâncias cinzentas… É a sua tolerância a essa porcaria que está evaporando. Pois então, te digo que vou ficar logo aqui na frente pra te agarrar, pra quando essa energia descolorida se explodir e soltar seus pés — pois você vai ser lançada, catapultada, mais em cores que em preto e branco.