Por não estarem distraÃdos. (clarice lispector)
Havia a levÃssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levÃssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, à s vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraÃdos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram.
Eu bloguei isso há anos (exatos? 4) atrás. Eu gostava. Hoje acho que essa mulher era, decididamente, doente. Como muitos outros escritores (na prática ou em espÃrito…). Vamos, reparem bem: não percebem o quanto esse escrito parece com Adão e Eva?
Hoje, o máximo que digo é que essa gente mal-comida me dá vontade de sair fora — talvez, dar uma boa trepada. Ou comer uma boa comida que eu mesmo faça. Enfim, nem sei porque não apaguei esse post… Talvez pela possibilidade de servir de aviso — ou ainda mais, conselho? — para vocês, que lêem demais…