…cyrano disse,

13.08

Mudei.

Filed under: micropolítica — cyrano @ 22:22

Migrei de volta.

http://cyranodisse.blogspot.com

“adeus”. :)

5.06

Curioso.

Filed under: micropolítica — cyrano @ 16:22

Nunca tinha reparado que as palavras “poder” e “podre” eram tão próximas.

3.06

As Cidades e os sábios 2.

Filed under: cidadesinvisíveis — cyrano @ 13:35

Jasmine, a cidade-cometa, é famosa por sua intensa produção artística, metafísica e cultural. É uma cidade dourada de gostos temperados, onde vivem e morrem os maiores sábios, pensadores e eruditos do reino. Por isso mesmo, é cercada por altos muros igualmente dourados com seteiros em cima. E do interior de seus muros são lançadas, com precisão espantosa, novas sabedorias artes esculturas livros peças de teatro pelos céus afora, cruzando os ares do reino até se apagarem suavemente na linha do horizonte.

Ouve-se durante a viagem, ainda de longe, o vibrante burburinho das ruas de Jasmine, a cidade-mar. Vencendo a última curva vê-se, como uma imensa lagoa, sua feira de barracas de muitas cores, profetas saltimbancos, negociantes, músicas de gosto duvidoso e beberagens ainda mais. Seus fortes odores, tão coloridos quanto o resto, vestem as cabeças das pessoas e os panos ondulantes das barracas. Vista de longe é como um mar que se move lentamente, com suas ondas se quebrando nas beiradas das ruas. Mais adiante, com opulência, uma grande nau dourada flutua à deriva sobre esse oceano de gente.

1.06

Camões, Camões…

Filed under: micropolítica — cyrano @ 18:15

Vestibular da Universidade da Bahia cobrou dos candidatos a
interpretação do seguinte trecho de poema de Camões:

Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói e não se sente,
é um contentamento descontente,
Dor que desatina sem doer.

Uma vestibulanda de 16 anos deu a sua interpretação:

Ah! Camões, se vivesses hoje em dia,
Tomavas uns antipiréticos,
Uns quantos analgésicos
e Prozac para a depressão.
Compravas um computador,
Consultavas a Internet
E descobririas que essas dores que sentias,
Esses calores que te abrasavam,
Essas mudanças de humor repentinas,
Esses desatinos sem nexo,
não eram feridas de amor,
Mas somente falta de sexo!

Ganhou nota dez. Foi a primeira vez que, ao longo de mais de 500 anos, alguém desconfiou que o problema de Camões era falta de mulher…

Roubei do abandonado dicionário do Zé.

Homenagem.

Filed under: micropolítica — cyrano @ 17:51

Foi assim que, em poucos instantes, um suave campo de morangos se prolongou ao redor da vida.

Lindo. Lindo. Lindo.

Filed under: metacafe — cyrano @ 16:55

Eu já falei deles aqui nesse blogue, nalgum lugar. Vai de novo, que depois de muito tempo eu revisitei o site e tá mais bonito, arrumado, com mais informações. E continua me convencendo de que realmente faz o que diz. Isso é o mais lindo de tudo.

Guaraná Power pras pessoas! :)

Informações

A Fundação Poder é a empresa produzindo o refrigerante Guaraná Power.
Sua equipe atual consiste em:
Bjørnstjerne Christiansen, Rasmus Nielsen and Mikael Schustin.

Metas

Quando produz mercadorias, a economia é basicamente dividida em três campos:

1. Produção de matéria-prima.
2. Manufatura da matéria-prima em mercadorias e venda para lojas.
3. Distribuição e venda da mercadoria ao consumidor.

A maior parte dos ganhos cai em dois campos:

Manufatura e Distribuição.

Já que os produtores de matéria-prima raramente dominam esses campos, eles ficam com a menor parte do ganho econômico.

Os produtores estão frequentemente em países em desenvolvimento e de baixa renda, com opções limitadas para mudar essa divisão devido à falta de fundos e leis restritas de patente e direitos autorais.

A Fundação Power busca mudar essas divisões e formulou algumas ações para atingir essa meta:

- Desenvolver meios de produção onde os produtores de matéria-prima (ex.: frutas, feijão, madeira, etc.) — principalmente de países em desenvolvimento — terão crescente influência na manufatura de matéria-prima e na distribuição.

- Produzir e distribuir produtos Guaraná Power e produtos relacionados ao Guaraná Power.

Que doido. E tem uma entrevista bacana, também.

30.05

De novo.

Filed under: micropolítica, zen — cyrano @ 18:03

Postar a mesma coisa de novo não é, necessariamente, postar a mesma coisa de novo. Estou pronto pra outra, venha, vamos repetir: recomecemos.

Escrever a n, n-1, escrever por intermédio de slogans: Faça rizoma e nunca raiz, nunca plante! Não semeie, pique! Não seja nem uno nem múltiplo, seja multiplicidade! Faça a linha e nunca o ponto! A velocidade transforma o ponto em linha! Seja rápido, mesmo parado! Linha de chance, jogo de cintura, linha de fuga. Nunca suscite um General em você! Nunca idéias justas, justo uma idéia (Godard). Tenha idéias curtas. Faça mapas, nunca fotos nem desenhos. Um rizoma não começa nem conclui, ele se encontra sempre no meio, entre as coisas, inter-ser, intermezzo. A árvore é filiação, mas o rizoma é aliança, unicamente aliança. A árvore impõe o verbo “ser”, mas o rizoma tem como tecido a conjunção “e…e…e…” Há nessa conjunção força suficiente para sacudir e desenraizar o verbo ser. Para onde vai você? De onde você vem? Aonde quer chegar? São questões inúteis. Fazer tabula rasa, partir ou repartir de zero, buscar um começo, ou um fundamento, implicam uma falsa concepção da viagem e do movimento (metódico, pedagógico, iniciático, simbólico…). Algumas pessoas têm outra maneira de viajar e também de se mover, partir do meio, pelo meio, entrar e sair, não começar nem terminar. É que o meio não é uma média; ao contrário, é o lugar onde as coisas adquirem velocidade. Entre as coisas não designa uma correlação localizável que vai de uma para outra e reciprocamente, mas uma direção perpendicular, um movimento transversal que as carrega uma e outra, riacho sem inicio nem fim, que rói suas duas margens e adquire velocidade no meio.

– Mil Platôs, de deleuze e guattari.

28.05

Com que espírito comereis?

Filed under: zen — cyrano @ 14:34

Tokusan, o famoso erudito do Kongo Kyo, ouviu falar, um dia, num mestre que todo o mundo reputava muito grande: mestre Ryutan (literalmente: “O Dragão do Lago”). Julgando-se invencível no conhecimento do Kongo Kyo e, por esse motivo, havendo-se na conta de pessoa de grandíssimo valor, Tokusan experimentou o desejo de encontrar esse homem, mais considerado do que ele, e enfrentá-lo.

Chegando à porta do templo, avistou uma tendazinha servida por uma velha, que ali vendia bolinhos de arroz. Tokusan pediu três. O seu ar fanfarrão despertou a curiosidade da velha:

– Que trazeis ao ombro? — perguntou ela.

– Um texto extremamente precioso e de tamanha profundeza que não posso falar convosco sobre ele. É o Kongo Kyo. Mas isso não significa nada para vós, dai-me os meus bolinhos de arroz!

–Sou ignorante, é verdade, mas também sou curiosa — contraveio a velha. — Vou fazer-vos uma pergunta, e só vos darei os bolinhos de arroz se responderes a ela. Não é nesse texto precioso e profundo que está escrito que o espírito do passado é imperceptível aos sentidos, que é imperceptível aos sentidos o espírito do presente e que é igualmente imperceptível aos sentidos o espírito do futuro? Dizei-me, pois, com que espírito comereis os bolinhos de arroz? Que espírito escolher?… o do passado, o do presente ou o do futuro?

Tokusan quedou-se estupefato… Não conseguiu os bolinhos de arroz, que lhe haviam ficado imperceptíveis aos sentidos. Muito perplexo, imaginou que Ryutan devia ser, de fato, um mestre tão grande que até uma velhinha, simples guardiã do templo, tinha o espírito hábil.

Transpôs a grande porta do templo e foi ver Ryutan, que o acolheu com simplicidade. Feita a sua cama e definida a sua tarefa, foi-lhe solicitado que se retirasse até o dia seguinte.

***

Todos os dias, com aplicação, Tousan varria o pátio, capinava o jardim, limpava as salas do templo e desse modo se lhe escoavam as horas.

– Vim aqui por ter ouvido dizer que Ryutan é o grande dragão do lago; nesse lago, no entanto, não vejo dragão nenhum! — exclamou, um dia, exasperado e lasso.

Mestre Ryutan aceitou o mondo, que se prolongou até uma hora muito avançada da noite. Fatigado, mestre Ryutan o dispensou.

Transposto o limiar, a escuridão era total. Por isso mesmo mestre Ryutan foi buscar uma lanterna. Mas no instante preciso em que a estendeu a Tokusan, soprou-lhe a chama e a escuridão se fez de novo, mais espessa do que nunca.

Nesse instante, Tokusan obeteve o grande satori. Como foi que ele o obteve?

É o koan.

Polir a telha.

Filed under: zen — cyrano @ 14:23

Baso estava em zazen quando o mestre lhe perguntou:

– Que estás fazendo?

– Estou fazendo zazen.

– Que idéia! E por que fazes zazen?

– Quero tornar-me Buda.

O mestre tirou uma telha do telhado e pôs-se a poli-la.

Baso, então, perguntou:

– Mestre, que idéia é essa? Que estais fazendo? Por que polis a telha?

– Quero torná-la um espelho!

– Mas… nunca o conseguireis, mestre!

– E como é possível alguém tornar-se Buda praticando zazen? — retrucou o mestre.

Quente, muito quente.

Filed under: zen — cyrano @ 14:20

Tanzan, celebérrimo mestre zen, dirigia um enterro segundo o ritual. Diante do ataúde, com um tição inflamado, traçou um triângulo no espaço; todos os assistentes esperavam as maravilhosas palavras de costume, mas a boca do mestre permaneceu hermeticamente fechada.

Então, ao passo que os assistentes cravavam os olhos nos raios do sol poente, que, caindo diretamente, abrasavam o crânio raspado do mestre…

– Quente — disse Tanzan –, quente, muito quente!

Fez, então, uma saudação desenvolta diante do caixão e retornou ao seu lugar. Inútil dizer que os assistentes ficaram intrigados por muito tempo depois que o esquife foi colocado debaixo da terra.

Silêncio total.

Filed under: zen — cyrano @ 14:16

Num templozinho perdido na montanha, quatro monges faziam zazen. Tinham decidido realizar uma sesshin no silêncio absoluto.

Na primeira noite, durante o zazen, a vela se extinguiu, mergulhando o dojo na mais profunda escuridão.

O mais moço dos monges disse a meia voz:

– A vela se apagou!

O segundo respondeu:

– Não deves falar. Esta é uma sesshin de silêncio total.

O terceiro acrescentou:

– Por que estais falando? Devemos calar-nos e permanecer em silêncio!

O quarto, responsável pelo sesshin, concluiu:

– Sois todos estúpidos e maus, só eu não falei!

O rosto no barril.

Filed under: zen — cyrano @ 14:13

No Japão antigo, um fabricante de saquê tinha uma mulher muito ciumenta.

Um dia, quando o marido enchia os barris, a mulher foi contemplar a superfície do líquido, polida como um espelho. Podia avistar nela o próprio rosto, mas, arrebatada pelo ciúme, pensou:

“Ora, essa! Meu marido esconde uma mulher no barril!”

E saiu dali correndo para ir dizê-lo ao companheiro.

Inclinando-se por seu turno, o marido divisou, à superfície do líquido, um rosto de homem.

“Ora, essa! Ela também tem um amante escondido!”

E os dois se engalfinharam como dois trapeiros…

Não se podem conseguir os dois extremos, nem isso é tão importante assim para a nossa vida cotidiana.

Não fugir.

Filed under: zen — cyrano @ 14:09

Sariputra, o grande discípulo do Buda, estava sentado em zazen, à beira de um lago. Um sem-número de peixes saltava à tona da água. Sariputra mudou de lugar e instalou-se num sítio mais retirado. Mas o canto dos pássaros estorvava-lhe o zazen. Os pensamentos afluíam, erguiam-se as ilusões… Como os pássaros e os peixes o incomodassem, decidiu matá-los e comê-los. Mas apanhou uma indigestão. Por essa anedota, um caso da mocidade de Sariputra, vê-se que é inútil procurar fugir ao rumor da água ou ao canto dos pássaros. A perturbação provém do nosso espírito.

A cenoura.

Filed under: zen — cyrano @ 14:06

Antigamente, no Japão, na moagem do trigo, os lavradores utilizavam cavalos para fazer girar a mó. Incansáveis,  os cavalos passavam o dia inteiro dando voltas, querendo pegar uma cenoura pendurada diante de seu focinho; entretanto, só ao cair da noite conseguiam eles comer a cenoura.

Essa é exatamente a imagem da nossa civilização!

Água pura, água suja.

Filed under: zen — cyrano @ 14:01

Outra história da China antiga.

Certo imperador pergunta a Kyoyu:

– Sois um grandíssimo homem, e desejo entregar-vos a transmissão do meu império. Vós o aceitais?

Muito descontente, Kyoyu respondeu apenas:

– Essas palavras sujaram minhas orelhas.

E partiu para ir lavar as orelhas no rio mais próximo.

– Hoje — disse ele –, ouvi palavras sujas.

Seu amigo, que conduzia uma vaca, chegou à beira da água.

– Por que estás lavando as orelhas? — perguntou-lhe.

– Hoje estou muito descontente, o imperador quis fazer-me seu sucessor; ofereceu-me o seu império, e essas palavras sujaram minhas orelhas, de modo que preciso lavá-las.

Disse-lhe, então, o amigo:

– Eu queria que minha vaca bebesse dessa água límpida, mas ela está suja!…

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